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Postado por: Ryu sexta-feira, 16 de dezembro de 2016


Faz um tempo desde quando eu falei sobre Katawa Shoujo aqui, eu suponho... Mas não, isso não quer dizer que eu só joguei Katawa Shoujo e depois não me interessei por outras Visual Novels, na verdade foi bem o contrário. Recebi um monte de recomendações e fui pesquisando/jogando as que me despertavam algum interesse, o que me levou a jogar Kana: Imouto, Saya no Uta, Narcissu, Grisaia no Kajitsu, Lucy: The Eternity She Wished For... E Symphonic Rain, da Kogado Studio. Não joguei essas exatamente na ordem em que as citei, só foram surgindo na minha cabeça por essa ordem... Na verdade eu nem lembro qual dessas eu joguei primeiro, mas o que importa é que eu joguei todas essas aí. O problema é que eu não andei tendo tempo de falar sobre nenhuma, fui só jogando e terminando cada uma nos meus tempos livres e na hora de decidir sobre qual eu falo eu acabei ficando tão em dúvida que deixei pra lá.

Agora acabou essa indecisão, porque Symphonic Rain acabou ganhando essa "enquete" que tava na minha cabeça. Vou falar sobre cada uma das outras depois, eventualmente, mas por agora o assunto do post é Symphonic Rain... Ia ser Grisaia no Kajitsu porque aparentemente é a Visual Novel mais famosinha do momento e a mais lógica pra eu falar sobre agora, mas eu sou uma pessoa imprevisível! Então, Symphonic Rain... Nunca me falaram diretamente do que esse jogo se trata, mas o nome me deixou curioso assim que li na lista de recomendações, então quando fui pesquisar no bom e velho Google sobre o assunto, fiquei surpreendentemente intrigado com a premissa. Uma Visual Novel que se passa em uma cidade onde chove eternamente, o protagonista é um músico e precisa achar uma vocalista pra poder passar no teste final da sua escola, além dele ter uma namorada com quem conversa através de cartas.

Parece aquele tipo de história onde há mais do que nós podemos inicialmente ver, mas também eu imaginei que fosse algo comfy pra pegar e acompanhar a história, ainda mais porque na época em que eu joguei isso tava chovendo bastante por aqui. Então, depois de umas dificuldades pra achar um patch de tradução decente, finalmente eu consegui jogar Symphonic Rain... E puta merda, ô joguinho complicado esse... Fazia tempo que um jogo não me deixava literalmente sem saber o que sentir sobre as coisas que acabaram de acontecer igual Symphonic Rain me deixou. E isso não é necessariamente uma coisa negativa, só quero dizer que o jogo definitivamente me deixou uma impressão da qual com certeza eu vou me lembrar no futuro. Mas o que diabos é Symphonic Rain? É o que eu vou tentar dizer aqui e agora.

Chuvas, instrumentos mágicos e emoções fortes


Symphonic Rain se passa em Piova, uma cidade obviamente inspirada na Itália que sofre de um fenômeno peculiar da natureza: Está sempre chovendo por lá, não importa qual horário ou qual dia seja, e ninguém sabe dizer qual exatamente é a explicação disso, ganhando assim o título de Cidade da Chuva durante um bom tempo. Mas Piova também acabou ficando conhecida por produzir músicos excepcionais através da prestigiada "Scuola Comunale di Musica Piova" (Escola Comunitária de Música de Piova) que atrai pessoas de vários lugares de fora que também querem se tornar músicos de destaque. Graças à reputação da escola no mundo afora, o novo título de Piova acabou sendo Cidade da Música, agora com algo mais atrativo pras pessoas de fora do que um risco de passar um dia despreparado na cidade e depois morrer de Pneumonia.

Imagina se esse fenômeno inexplicável de chuva eterna acontecesse em São Paulo, não ia durar nem três dias antes de virar o Reino Perdido de Atlantis do Brasil...

De qualquer forma, as pessoas da cidade acabaram se adaptando e agora elas conseguem viver suas vidas normalmente lá, ao ponto de nem precisar se preocupar com guarda-chuvas, capas de chuva ou coisas do tipo. Isso inclui o nosso protagonista: Chris Vertin, um garoto de 17 anos que estuda na Escola de Música de Piova, tendo saído da sua cidade natal pra realizar seu sonho de virar músico. Chris vive em um apartamento onde também mora uma espécie de fada chamada Phorni, que diz ser uma Fada da Música e ninguém além do Chris pode ver, tocar ou ouví-la. E de fato ela é uma boa cantora, o que leva Chris e ela a praticarem juntos, a voz dela acompanhando o som do instrumento dele que é um... Uhhh... Fortelle. É, esse jogo tem instrumentos fictícios também, porque nem procurando na internet eu consegui saber o que diabos é um Fortelle, o jogo mesmo também nunca o descreve detalhadamente além de parecer um teclado que de alguma forma funciona através de magia.

Mas ok... Chris é um fortellista renomado na sua escola e pratica junto com a sua fada-amiga Phorni nas horas livres, certo. Mas não para por aí, Chris também tem uma namorada chamada Arietta Fine, ou apenas Ari, que ficou na sua cidade natal e por isso os dois se comunicam apenas através de cartas, porque nesse universo não existe Facebook, nem celular, nem nada do tipo. Além disso, ele obviamente também frequenta a escola e lá tem alguns poucos amigos por não ser exatamente a pessoa mais sociável do mundo, entre eles uma garota chamada Tortinita Fine, também conhecida como Torta, irmã da sua namorada e que também foi até Piova querendo se tornar uma artista musical, e um garoto que estuda com ele chamado Asino Altiele.

Os dias de Chris em Piova estão chegando ao fim, no entanto, porque ele tá na reta final do seu último ano na escola e precisa só fazer um grande recital pra se formar. Mas não é tão simples assim porque é necessário que um fortellista seja acompanhado por algum vocal, e como o Chris não tem tantos amigos assim, ele fica em uma posição um tanto desconfortável pra procurar alguma parceira vocal pra acompanhar sua instrumentação. Torta se oferece pra fazer o trabalho, mas ele ainda tá indeciso e prefere ver outras opções antes de fazer uma escolha, em partes porque existe um rumor na escola que diz que duas pessoas que fizerem um recital juntas acabam se apaixonando uma pela outra, e ele se sentiria desconfortável fazendo isso justamente com a irmã da sua namorada que já é bem próxima dele também.

Em meio a sua busca, Chris conhece outras duas garotas que também são vocalistas precisando de acompanhamento: Falsitta Fawcett e Liselsia Cesarini. Fal é uma garota relativamente popular que se dá bem com todo mundo na escola e procura por algum acompanhamento pro seu vocal, enquanto a Lise é mais quieta e tímida, praticando sua cantoria isolada em uma casa abandonada perto da escola. De uma forma ou de outra, ele consegue ficar amigo das duas e por fim acaba ganhando mais opções de acompanhamentos pro seu Fortelle, e aparentemente vai correr tudo bem desde que ele escolha alguma dessas... Certo?


Não necessariamente... Afinal de contas isso ainda é uma Visual Novel, cada uma das personagens principais tem a sua própria história na qual o Chris vai se envolver de alguma maneira e isso vai resultar em uma caralhada de conflitos. Não é muito difícil gostar delas a princípio, todas as três são simpáticas, a Torta é aquela figura de amiga que é quase uma irmã, a Fal é bem gentil e prestativa, sempre se ocupando pra lá e pra cá e tentando ajudar da maneira que puder, e a Lise... Bem... Ela é tímida pra caralho, então acho que nem todo mundo pode acabar gostando dela de primeira, mas como eu costumo simpatizar com personagens assim, eu não tive problema na hora de conhecê-la e ver que é meio difícil ter alguma conversa produtiva. Se tem uma coisa em que esse jogo é bom é te fazer sentir conforto, até mesmo as conversas e situações mais mundanas com personagens mais secundários como o Asino ou a professora Cordell não chegaram a me incomodar tanto.

Sempre gostei também das horas em que o Chris lia as cartas da Ari, é legal ver ela falando de como as coisas andam lá por aquela cidade, do novo emprego dela em uma padaria, ela comentando sobre o que o Chris andou arrumando já que também tem contato com a Torta... Esse tipo de coisa é legal, me faz lembrar de quando eu conversava com os meus amigos virtuais no Orkut por scrap e cada recado era um texto que podia muito bem ser uma carta.

... Caralho, já faz 4 anos que o Orkut morreu? Eu tô me sentindo velho.

Enfim, as cenas com a Phorni também são legais. Ela é meio que uma personagem comic relief, tem umas cenas e conversas engraçadinhas dela com o Chris, os dois se provocam em situações diferentes, ela algumas vezes conversa com o Chris enquanto outra pessoa tá no quarto dele e aí essa pessoa estranha o fato dele estar falando sozinho. Mas dá pra ver que eles realmente se importam um com o outro, a Phorni em particular sempre dá conselhos quanto às relações dele com alguma das três garotas principais e fica legitimamente preocupada quanto à performance dele na escola, os estados emocionais dele, as cartas da Ari e essas coisas assim, chega a ser bem adorável até. Quando eu tava terminando uma das rotas e depois o Chris começou a se preocupar se a Phorni se sentiria solitária no apartamento vazio depois que ele saísse, já que só ele consegue se comunicar com ela, eu me senti legitimamente incomodado com isso. Imaginei como poderia ser depois... Será que ela arrumaria outro amigo que pudesse falar com ela? Ficaria lá largada sem poder se comunicar com ninguém? Migraria pra outro lugar?

É tudo bem escrito na maior parte do tempo, a maioria das conversas são bem naturais, os personagens são consistentes quanto às suas personalidades mesmo fora das suas próprias rotas e as coisas são muito bem estabelecidas. Outra coisa que eu preciso citar é o modo como as histórias das rotas se interligam, algumas coisas aparentemente sem explicação em uma rota específica são explicadas em outra através de menções dos personagens àquele evento que você viu na outra rota. Nada que seja realmente necessário pra entender a história em si, mas é um detalhe bem legal, ainda mais considerando que isso é uma coisa que eu não vi em nenhuma das outras Visual Novels que eu joguei até agora e sempre me incomodou sobre a maioria delas. Grisaia no Kajitsu mesmo é uma em que eu tive que parar de tentar ver as histórias das personagens acontecendo ao mesmo tempo... Simplesmente não dava pra ver isso de modo que fizesse sentido. Então parabéns pro pessoal que escreveu Symphonic Rain e conseguiu interligar as rotas como se fossem todas parte da mesma história, pelo visto não é algo que todos conseguem fazer.

Agora quanto às rotas em si... Fiquei agradavelmente surpreendido quando percebi que gostei de todas elas, principalmente das duas rotas adicionais destraváveis. A mesma atmosfera tranquila do jogo é mantida na medida em que o Chris vai conhecendo melhor a sua parceira escolhida, mas os roteiristas ainda conseguem passar aquela impressão de que mesmo tudo parecendo tranquilo, tem alguma coisa estranha também. Todas as rotas têm alguma surpresa que resulta em um momento emocional ou até mesmo frustrante, existe um foreshadowing bem sutil na maioria delas e provavelmente você não espera a maioria dos plot twists que acontecem. Especialmente nas rotas da Fal e da Torta, que são de longe as mais bem escritas do jogo, me pegaram de surpresa quando vieram essas revelações, apesar da rota da Torta ser obviamente a principal e a que eu aconselharia a jogar por último.

Não que a rota da Lise seja ruim, mas... Ela é provavelmente a mais previsível delas, ela é filha de um velho filho da puta chamado Grave Cesarini, que é um fortellista famoso e rico que quer obrigá-la a seguir seus passos. Como você já sabe, a Lise gosta mesmo é de cantar, o que deixa o velho puto e por isso ele começa a tomar atitudes drásticas e violentas pra tentar forçar a garota a tocar Fortelle também... Sério, pau no cu do Grave. Mesmo depois de descobrir a motivação desse cara pra odiar tanto que a sua filha seja uma cantora ou odiar cantores no geral, nada justifica as merdas que esse cara faz e continua fazendo até mesmo no final bom da rota. Poderia dizer que eu sentir esse ódio do Grave pelas suas atitudes o tornaria um bom antagonista, mas... Argh... O motivo dele é tão estúpido... Eu também fiquei boquiaberto com a burrice do Chris no final bom dessa história, mas provavelmente seria um spoiler se eu ficasse elaborando demais nisso.

Mas o meu ponto é que a rota da Lise é bem fácil de prever, o Grave se mostra um cuzão desde o começo e assim que ela começa a aparecer com machucados no corpo já dá pra imaginar do que se trata mesmo a história não "revelando" ainda. Isso já não acontece com as outras, você até pode suspeitar de algumas coisas, mas nada chega a ficar óbvio demais e no caso da rota da Fal eu até aplaudo os roteiristas por terem dado uma profundidade extra pra toda essa atitude dela, a backstory é bem interessante e o plot twist faz sentido com a personagem quando acontece. Já a Torta... Bem, a história na rota dela é relativamente inofensiva e provavelmente você não vai terminá-la com muita satisfação. Mas isso é intencional dos desenvolvedores, porque logo depois você abre uma das rotas adicionais que é basicamente um retelling da rota da Torta, só que através do ponto de vista dela e... Acredite, eu arregalei meus olhos enquanto tudo começava a fazer perfeito sentido e essa virou de longe a minha rota favorita do jogo todo... E é só isso mesmo que eu sinto que posso falar.

Posso garantir que Symphonic Rain é um jogo que te engana bastante se você pensa que vai ser aquela coisa bonitinha cheia de waifuzinhas fofas e tal. A história é bem mais sombria do que parece, os finais ruins são como você espera que finais ruins sejam, e mesmo os bons em maioria são meramente "amargodoces" no fim das contas, a última rota destravável é a única que vai dar aquele ar de "felizes para sempre" de final bom, o que é admitidamente refrescante depois de ver a maioria das outras terminando de maneiras não-tão-felizes... Ainda assim, o modo como a história consegue te manter com uma sensação confortante ainda que misterioso me impressiona. Eu nunca suspeitaria de quase nada do que iria acontecer depois nas rotas, mesmo sabendo que algo de errado não estava certo o tempo todo... E mesmo as minhas reações às coisas foram bem confusas, eu não sabia se tinha ódio de alguns personagens, ou se compreendia eles, ou se ficava triste... Argh, que coisa! Essa definitivamente não é uma história feliz, mas ainda é excelente, muito bem executada no geral, e revisitar ela já sabendo das revelações e tudo até dá um novo significado pra certas cenas que você já havia visto antes.

... Hã? Eu esqueci de falar do que eu acho do Chris como protagonista? Ah é... Ele é ok, eu acho. Fora das interações com os outros personagens ele não se destaca tanto assim, mas o desenvolvimento dele no geral é bem feito e depois de terminar o jogo inteiro com as rotas adicionais e tudo eu comecei a gostar bem mais dele. Mas no geral... Ele é inofensivo, o que talvez o torne um protagonista mais fácil de se colocar no lugar, afinal de contas ele não costuma tomar decisões absurdas igual o nosso amigo Hisao Nakai fazia vez ou outra no jogo dele. O Chris erra sim, afinal o que é um desenvolvimento de um personagem sem o mesmo cometer erros? Mas não me lembro de muitos desses erros serem estúpidos demais.

Arte relativamente datada, porém única


Symphonic Rain é uma Visual Novel de 2004... E realmente dá pra perceber que é, especialmente olhando os traços dos personagens. Aparentemente, Visual Novels mais antigas tinham artistas que gostavam de desenhar suas personagens com olhos que ocupam 70% dos seus rostos, cabeça achatada e sem nariz. Os sprites deles não são particularmente cheios de detalhes também, mas são bons o suficiente pra transmitirem a emoção que o personagem sente no momento. Eu consegui me acostumar com isso sem muitos problemas, mas o que continuou me incomodando é que... Essas personagens têm rostos praticamente idênticos! É sério, olha só pra isso!

Quer dizer... Até faz sentido que a Torta e a Ari sejam parecidas, elas são irmãs gêmeas afinal de contas, mas a Fal e a Lise se parecem uma com a outra e também se parecem com as outras duas, e vice-versa. De todas as coisas sobre a arte desse jogo, isso foi o que mais me incomodou. Não que isso seja um problema gigantesco também, não é como se as personagens fossem impossíveis de distinguir uma da outra... Mas é uma coisa que me distraiu um bocado de vezes, ainda assim.

Os backgrounds e as localizações com arquitetura italiana, por outro lado, não só são bons como de alguma forma conseguem combinar com os sprites simples. Tudo foi desenhado à mão também, e comparado com os sprites os backgrounds são muito mais detalhados, com traços mais fortes, "texturas" bem destacadas pra cada simples objeto e até mesmo animações, já que vive chovendo nessa cidade, tem animação da chuva caindo. Se importaram até com detalhes pequenos como as poças de água se agitando pelo contato com a chuva, eu realmente gosto de como os backgrounds desse jogo são feitos, é uma direção de arte bem única no geral.


As CGs não são muito diferentes em matéria de qualidade, exceto que elas não têm as animações nos backgrounds, por motivos que talvez sejam óbvios. Mas a maioria delas são bem desenhadas sim, sem falar que são consistentes também,não têm CGs que parecem bem mais bonitas que outras, ou CGs onde os personagens parecem meio diferentes do que são mostrados em outras. Isso também é outra coisa que algumas das outras Visual Novels que eu joguei não fizeram muito bem, mas vou deixar essas reclamações pra quando eu for falar delas especificamente.

Tem uma CG que eu particularmente gosto bastante, que é essa da Phorni... Olha que coisa mais adorável, dá vontade de guardar ela no meu bolso!

Enfim... Eu não posso dizer que Symphonic Rain é um jogo feio de maneira alguma. Os visuais dos personagens até podem parecer datados em comparação com essas artes de Visual Novels mais recentes, mas isso não quer dizer que sejam necessariamente ruins também. Os visuais adicionam mais à atmosfera tranquila e ao mesmo tempo misteriosa que o jogo transmite, e no fim das contas esse é o objetivo da parte gráfica de um jogo, não só ser bonita de se olhar como também te ajudar a imergir no mundo do mesmo, e esse departamento Symphonic Rain faz muito bem.

Guitar Hero de weeaboo


Naturalmente, Symphonic Rain sendo uma Visual Novel tem seu "gameplay" baseado quase inteiramente em textos e escolhas que aparecem ocasionalmente, naturalmente algumas afetam o modo como a história vai se desenrolar enquanto outras só dão uns diálogos diferentes. Ao todo isso funciona decentemente, você pode salvar a qualquer hora que quiser caso queira voltar depois pro momento onde tinha uma escolha importante a fazer, tem vários slots pra isso... Nada fora do comum.

Tirando os diálogos que obviamente compõem a maior parte do jogo, ele também tem um mapa da escola. Esse mapa meio que faz parte das escolhas também, afinal de contas cada localização dele representa onde você pode encontrar cada uma das garotas, a Torta geralmente fica na Cafeteria, a Fal a princípio fica no Cenáculo e depois quando vocês resolvem praticar ela fica na sala de prática perto da sua, e a Lise fica quase sempre na casa abandonada. Você meio que pode escolher qualquer localização que quiser durante a maior parte do primeiro ato do jogo, o que significa que há chances de interagir bem com cada uma antes de entrar realmente em uma rota. Mas é aconselhável que você não fique tentando ir sempre atrás de todas porque isso só te leva ao final ruim onde o Chris acaba ficando sem parceira nenhuma, vai pro teto da escola com o Asino durante as apresentações finais, os dois se embebedam e aí o Chris cai do telhado e morre.

... Mentira, isso não acontece. Mas existe sim um final ruim onde você fica sem ninguém, então tome cuidado e tente ficar só em uma garota depois de combinar de praticar com ela.

Então assim que você entra nas rotas, você meio que fica preso àquela personagem e a única maneira de foder com tudo é se você por acaso fizer alguma escolha errada que resulta no final ruim da mesma. A única exceção é a rota da Lise, mas depois eu falo disso... Nas outras, normalmente você faz escolhas e termina com um final, mas eu devo dizer que as escolhas são bem óbvias, da mesma forma que Katawa Shoujo também tinha escolhas que em maior parte eram óbvias... Enquanto outras nem tanto. Symphonic Rain é bem mais claro quanto a qual escolha faz o que, então provavelmente esse jogo aqui não vai te fazer pensar que confortar uma garota é o mesmo que meter a sua piroca nela e depois ter o final ruim da história.

... Na verdade você não come ninguém nessa Visual Novel.

É, eu sei, tem gente que já vai perder qualquer interesse nisso só depois de ler essa sentença. Mas é verdade, Symphonic Rain não tem nenhum conteúdo sexual explícito, então se você joga Visual Novels mais pra bater punheta pra garotas bonitinhas de anime agasalhando o croquete do protagonista do que pra acompanhar a história, sinto em dizer que isso aqui não é um jogo que vai te agradar muito. Eu particularmente não me incomodo com cenas de sexo em Visual Novels, a menos que elas sejam extremamente mal escritas... E sim, uma das que eu joguei já foi assim, depois falo dela. No geral, tendo Hentai ou não, uma história boa pode muito bem me agradar sem problema algum.

Aliás, qual diabos é o problema desse pessoal com cenas de sexo nesses jogos? Eu entendo quando são mal escritas e/ou forçadas na história em momentos inapropriados, mas tem gente que parece abominar Visual Novels pelo simples fato de que elas têm cenas de sexo. O que foi? Cê não transa por acaso? Não pretende fazer isso nunca na sua vida caso arrume um namorado ou namorada? Sexo é uma coisa comum que qualquer pessoa pode fazer, galera... Deixem de frescura com isso, porra!

Tá bom então, mas como eu disse antes, existem duas rotas extras pra você destravar, uma delas você ganha depois de pegar os finais bons das três iniciais e a outra quando você pega os dois finais dessa primeira extra. A mudança de perspectiva da primeira rota extra pro ponto de vista da Torta, além de adicionar mais profundidade à narrativa do jogo, também é legal porque você até pode interagir com o Chris, e ele tem sprites e tudo. Mas sim, essa rota também tem uma escolha que leva até um final ruim ou um final bom, mas infelizmente eu me recuso a dar spoilers disso e nem ao menos posso falar muito sobre o quanto ela é emocional e enfatiza os temas principais da trama muito mais do que qualquer outra... Mesmo a última rota extra, que eu creio que seja o final "verdadeiro" do jogo que é totalmente feliz.

Não tem muito mais sobre o gameplay fora isso... Mas acho que vale dizer que Symphonic Rain não é exatamente um jogo muito acessível, eu tive que procurar isso na internet junto com um patch de tradução e mudar a localização do meu PC pro Japão pra que as fontes do patch possam aparecer... Não sei exatamente o porquê disso, mas é assim com a maioria das Visual Novels japonesas. Nada que seja impossível de fazer, caso contrário eu não teria jogado as que eu joguei até agora, mas vai dar um trabalho sim ir atrás dessas coisas, e algumas vezes a tradução meio que buga e o jogo fica sem texto nenhum aparecendo, me forçando a salvar, fechar o aplicativo e depois abrir de novo pra que ele volte ao normal.

Isso é provavelmente mais uma falha do patch do que falha do jogo em si, mas pelo menos comigo aconteceu isso uma vez ou outra.


O que diferencia Symphonic Rain da maioria das outras Visual Novels, por bem ou por mal, é que existe um minigame de ritmo onde você toca as músicas com as garotas cantando, pense em algo parecido com esses Guitar Hero, Rock Band ou Dance Dance Revolution da vida. Isso é uma espada de dois gumes porque... Quem não é bom com jogos de ritmo provavelmente vai se sentir desconfortável com isso aqui, e não é como se as músicas fossem fáceis de tocar também. Eu sou tão bom em jogos de ritmo quanto o Motomu Toriyama é em escrever histórias, então minhas tentativas de ser bem sucedido nessas partes do jogo falharam horrivelmente mal e eu sinto vergonha por isso até hoje. Mas se você é bom com esses jogos de ritmo, Symphonic Rain não vai te causar nenhum problema, porque não sinto que as músicas ficam complexas demais pra uma pessoa experiente também, eu que sou horrível com essas coisas mesmo.

Então... A rota da Lise tem um final que é determinado pela sua performance na última apresentação, se você for perfeitamente bem o final bom é seu, mas se falhar... Parabéns, você pegou o final ruim. Eu deveria reclamar disso porque é uma maneira bem filha da puta de decidir o final de uma história sendo que a maioria desses minigames são inconsequentes pro desenrolar da mesma. Sério, em nenhum outro momento desse jogo você realmente precisa jogar totalmente bem essas partes, então isso não é exatamente a coisa mais consistente também. De qualquer jeito, essa é a úncia parte do jogo que exige uma coisa dessas, as outras que envolvem esses minigames só o colocam lá pra ter um pouco de variedade mesmo e não ficar naquela de só passar textos e mais textos.

Mas nada tema, porque a Kogado Studio também pensou em pessoas como eu, que são terríveis em jogos de ritmo, e adicionou uma opção de deixar os minigames musicais em modo automático. O que significa que as músicas vão ser tocadas perfeitamente e a única coisa que você precisa é ficar assistindo, e você não faz ideia do alívio que eu senti depois de descobrir essa opção, só desativei ela pra pegar o final ruim da Lise mesmo. Portanto, desde que haja uma maneira de dar a volta por cima desses minigames, eu realmente não me incomodo muito com a existência deles por si só, e é legal ver as músicas começando meio incompletas com as práticas e depois ganhando mais camadas de som até ficarem "perfeitas" nas performances finais, dá uma sensação de progresso.

O que me incomoda de verdade sobre esses minigames é que... Não dá pra pular eles. A princípio não parece tão ruim assim ter que parar a história pra ver uma música sendo tocada, mas é que algumas vezes o Chris vai praticar com uma das garotas e eu tenho que ver o minigame já que tá no modo automático... Ok, tudo bem. Mas pouco tempo depois a gente tem que praticar de novo e a música muda pouca coisa, ou algumas vezes até não muda nada, mas mesmo assim eu sou obrigado a ver o minigame rolando do começo ao fim da música de novo. Isso é uma quebra de ritmo bem irritante em algumas ocasiões... Especialmente quando tem todo um suspense em volta do que vai acontecer depois e eu preciso controlar a minha ansiedade porque agora tem um minigame musical que eu sou obrigado a ver até o fim.

Ok, talvez seja culpa minha por deixar no modo automático... Afinal de contas o jogo foi criado com a ideia de que o jogador deveria ir tocando a mesma música enquanto ela ganha notas novas e assim dando uma sensação de progresso, mas... Tocar a mesma música várias vezes também me parece meio enjoativo, ainda mais quando você tem que tocar com intervalos curtos entre essas partes e a música praticamente não muda. Pra mim esse jogo devia deixar você pular as seções de prática não-importantes, continuaria dando a ideia de progresso ao mesmo tempo que se uma música muda pouca coisa, eu não tenho motivo pra ter que ouvir ela sendo tocada outra vez.

Esse é o meu maior problema com Symphonic Rain... Os minigames musicais são uma ideia legal e quem curte mesmo eles provavelmente nem vai ter problema nenhum, mas o jogo podia não me fazer ter que assistir um monte desses sem nenhuma necessidade. Tirando isso, mesmo o ritmo da história também não é ruim, então realmente é mais coisa dos minigames. Você também pode tocar qualquer música que quiser a qualquer hora no modo Free Play, desde que tenha as tocado na história primeiro, então isso é uma coisa legal pra quem gosta de minigames de ritmo também... Apesar que pelo menos eu provavelmente já ficaria cansado de tocar uma dessas músicas só pela quantidade de vezes que tive que tocá-las na própria história do jogo. Mas isso aí sou só eu, com certeza outras pessoas vão ter opiniões diferentes sobre esse negócio e é perfeitamente ok que elas tenham.

O conteúdo extra que me interessa mais são as rotas desbloqueáveis mesmo, e como ambas são boas... Eu diria que vale a pena sim pegar todos os finais, e as CGs que depois vão aparecendo na galeria você abre na medida em que completa as rotas, então nada realmente incomum também. Por fim... É isso, não tenho muito mais o que comentar sobre o gameplay desse jogo, quando falei sobre Katawa Shoujo eu achei que fiz texto demais pra coisas que deveriam ser simples de comentar e não quero cometer esse mesmo erro de novo só pra encher o post de palavras. Antes um post curto, porém informativo e bem argumentado do que um longo e enrolado pra chegar a algum ponto igual alguns que eu costumava fazer antes.

Bem que podia ter mais músicas...


Pra um jogo com temática de música, eu esperava que Symphonic Rain fosse ter uma trilha sonora muito melhor do que a que ele realmente tem. Não que a OST seja ruim, as músicas que têm aqui são boas, as que tocam nos ambientes do jogo combinam com o clima das cenas, cada personagem tem uma música tema própria e no caso das garotas, as apresentações com elas são basicamente versões mais robustas desses temas musicais com letras cantadas pelas próprias. Não tem nada particularmente errado com isso, as músicas são legais, as letras refletem as personalidades delas e tudo mais... Mas o que falta nessa OST é variedade.

Eu já sabia que as músicas das personagens eram apenas variações das que elas cantam nas práticas e apresentações, e fiquei perfeitamente ok com isso apesar de ficar enjoado de ouvir a da Fal depois de um tempo, a rota dela é a que mais tem dessas práticas. Mas quando fui no menu do jogo, fiquei surpreso ao notar que a maioria das outras músicas que tocam são variações de uma ou duas também! No caso, muitas são variações da Rain in my Heart e outras são da The Other Side of the Sky, que é a música tema principal do jogo que toca na intro do mesmo... E umas duas são variações da Even When Crying, que toca nos créditos da rota do final verdadeiro se não me falha a memória. Tá certo que essas variações são bem menos óbvias do que as outras, os arranjos são diferentes pra se encaixarem nas cenas onde elas tocam, por exemplo nas cenas mais tristes toca uma versão mais melancólica, com piano e tal, enquanto em cenas que se passam em lugares mais movimentados toca uma versão mais agitada. Mas... Ainda assim eu ia preferir que usassem músicas novas pra essas partes, porque as melodias ainda são notáveis, e isso acaba cansando um pouco.

Não, a OST não é ruim, só precisava de mais variedade nas músicas mesmo, porém o que tem aqui é bom sim. Esse jogo também tem uma dublagem, que obviamente é japonesa, e ela também não é ruim não, os personagens têm vozes apropriadas, a Lise fala mais baixo e em um tom mais resguardado, a Fal soa mais confiante, a Torta normalmente é amigável, o Grave tem voz de antagonista cuzão igual ele realmente é, a Cordell é bem calma... E por aí vai. Minha leve reclamação é que a voz do Chris quando ele aparece na rota destravável é meio... Ehhh... Sem emoção. Talvez combine com ele, só que mesmo em partes onde eu esperaria que ele fosse elevar o tom, ele meio que continua falando daquele jeito calmo e sem graça. Mas ok, tanto faz.

Considerações finais

... Não, nenhuma das garotas desse jogo tomou o lugar da Rin como minha waifu, se por acaso você tá fazendo essa pergunta pra si mesmo. Porém todas elas são bem interessantes, me senti apegado a elas de qualquer forma porque são bem escritas e mesmo os seus aspectos mais clichê são bem usados. Acho que com exceção do Grave, eu não cheguei a odiar nenhum personagem desse jogo de verdade... Já tive raiva de um bocado, mas ao ponto de ficar puto mesmo depois de terminar o jogo, só o Grave mesmo. Velho escroto do caralho, tomara que tenha um AVC, caia de uma escada longa e tenha uma morte terrivelmente dolorosa... Nem pro asilo ele merece ir!

Se tem um termo que eu poderia usar pra descrever Symphonic Rain, esse termo sem dúvidas seria "montanha russa de emoções". A história é de longe o ponto mais forte do jogo, ela prendeu o meu interesse do começo ao fim e não tiveram tantos momentos fracos assim, tirando talvez os finais da Lise que chegam até a dar raiva. Com exceção disso... Puta que me pariu, que história! Mesmo com o foreshadowing sutil eu ainda me vi surpreso com a maioria dos eventos principais que aconteciam depois, personagens que quando você pensam que são arquétipos genéricos na verdade têm outra faceta, as explicações pro fenômeno da chuva, a Phorni, a história do passado do Chris... Sério, é sensacional.

O enredo junto com a atmosfera, os visuais únicos e a trilha sonora, que apesar de não ser tão boa quanto eu esperava, ainda é perfeitamente boa pra acompanhar a história... Isso sem dúvidas é uma Visual Novel boa e merece grande parte das notas altas que eu a vejo recebendo em outras reviews ou sites baseados em Visual Novel como o VNDB por exemplo. O gameplay podia ser melhor ajustado pro jogo ter um ritmo melhor pra quem não vê a necessidade de ficar passando pelos minigames musicais toda hora, mas isso é algo que eu não tive problemas pra lidar no fim das contas, porque o resto do jogo tava tão fantástico e imersivo que o meu interesse se manteve forte. Só por isso eu já recomendaria a qualquer pessoa que não jogou Symphonic Rain que o fizesse, certamente você vai ter uma experiência única com esse jogo.

Prós:
+ Visuais bonitos e direção de arte única.
+ Uma distinta atmosfera que permanece pelo resto do jogo.
+ História intrigante e personagens muito bem escritos.
+ As poucas músicas que têm na trilha sonora são boas.
+ Fator replay surpreendentemente bom.

Contras:
- Ter que tocar/assistir a mesma música várias vezes é meio que um saco.
- A trilha sonora podia ser mais variada.

Gráficos: 8/10
Enredo: 9/10
Gameplay: 6/10
Som: 7/10
Conteúdo extra: 8/10

Veredicto:

{ 1 comentários }

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