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Postado por: Karasu domingo, 11 de dezembro de 2016



Ok. Estava cá pensando em fazer uma apresentação longa  e criativa, mas logo fiquei com preguiça e também achei que não ficaria tão legal assim. Para quem não me conhece – ou seja, o blog inteiro praticamente – vocês podem me chamar de Karasu, ou Nazo, ou qualquer um dos trocentos nicks que arranjei ao longo dos anos. Sou uma Garota Gamur que fala palavrão e é edgy. A missão de minha vida é superar os níveis do próprio Shadow.


Um dia.

Faz uns meses desde que eu queria entrar no blog e partilhar meu cinismo e críticas com a galera daqui. Quando me mandaram essa review de FFXV - que irei comentar logo abaixo -, imediatamente mandei para o Ryu e disse que faria um artigo resposta. Como o artigo é particularmente estúpido, ele acabou aceitando e logo essa seria minha entrada no blog. Se você está lendo isso, a chefia aprovou o texto.

Eis que navegando nas interwebs, um amigo me manda um link arrancando os cabelos e quase tendo um surto. O link é de um artigo da Olhar Digital de uma review de Final Fantasy XV, cujo título nem de longe me preparou para o que viria pela frente. A headline: “O que alguém que nunca jogou outro ‘Final Fantasy’ achou de ‘Final Fantasy XV’”, parece querer atrair alguns leitores que nunca tiveram contato com a série a lerem um artigo com o mesmo ponto de vista deles, mas logo a ideia inusitada e até razoavelmente criativa se transforma numa ação hipócrita e muito, mas muito tryhard. Céus, é tão tryhard que alguns parágrafos o cidadão parece realmente ofendido.

Logo nos primeiros parágrafos, nota-se que isso não se tratará de uma review, e sim de alguém que não dá a mínima foda para J-RPG.

“Minha experiência com a franquia de RPG da Square Enix se limita a cerca de duas horas, acumuladas, com o controle nas mãos.”[...]“Na verdade, minha pouca experiência com RPGs japoneses não se limita a Final Fantasy.” 
“Há características em games desse tipo que me interessam, sim, mas, num geral, nunca consegui me envolver totalmente com os conceitos, mecânicas e histórias desses games.”

Tudo bem. Talvez seja a opinião dele, mas certamente ele está de mente aberta para a experiência deste jogo, certo?

“Lembre-se de Half-Life 2, por exemplo. O game raramente para para te dizer quais botões apertar em determinada situação.“
Por um mundo com mais FPS, tá pouco!

Puta que pariu...

Olha, não entrarei em detalhes sobre o jogo, afinal não zerei ele para ter uma opinião tão sólida assim, mas desde quando comparamos um FPS completamente distinto a um J-RPG puxado para o hack n’ slash? É a mesma coisa que usar Tetris para criticar God of War. São gêneros diferentes, com propostas diferentes e público-alvo diferentes. Além do mais, nos primeiros 30 minutos de contato que tive com FFXV, já consegui entender a mecânica de combate dele sem problema nenhum e não me considero expert. Certamente um reviewer poderia ter a mesma capacidade intelectual, certo?

“Em poucas horas de jogo, Final Fantasy XV me lembrou por que eu nunca me interessei por games desse gênero. [...] Em outras palavras, FFXV é o JRPG definitivo. Para o bem ou para o mal.”

Após meia dúzia de elogios com a trilha sonora inicial, nosso adorado reviewer diz novamente não gostar nem um pouco de J-RPG e o simples fato de Final Fantasy XV ser deste gênero se torna um ponto ruim, e uma ressalva do fato de ele nunca ter gostado de J-RPG’s.

Identidade do gênero J-RPG? Como ousa?

Imagino-me jogando Crysis e começar a review com: O jogo é bonito, mas é um FPS e portanto essa história de ficar atirando toda hora e recarregar a arma torna o jogo inferior. Mirar? Que mecânica simplista. Cadê os espadões, dragões e habilidades com trinta filtros de luz?

Se o reviewer não gosta de algum gênero específico a ponto de achar que o próprio gênero é falho, simplesmente não faça a review. Não curto jogos de esportes - futebol, basquete, volei, etc - e nem por isso farei uma review do novo FIFA para dizer que tudo que você faz é chutar a bola, e criticar FIFA por não ter mais elementos de drama, triângulos amorosos e crises econômicas, por exemplo.

Após uns 4~5 parágrafos elogiando o carro e o quão o cenário é bonito, partimos para os pontos negativos, aonde acreditem se quiserem, realmente ser um J-RPG se torna um ponto definitivamente negativo para o jogo. Queria eu estar brincando.

“Como outros JRPGs, o novo Final Fantasy é uma bagunça em termos de história e, principalmente, no seu sistema de combate - o principal aspecto do seu design.” 
“Comecemos pelo roteiro. É difícil entender quem é quem em Final Fantasy XV. Os nomes dos personagens são tão irreais quanto seus figurinos e cortes de cabelo.”[...] “Falta um toque de realismo à história para que seja possível se relacionar com ela.”
Ta tudo muito diferente. Quero todo mundo com cara genérica.

Vejamos se entendi: O sistema de combate lembrar outros J-RPGs é tão ruim quanto o fato dos personagens possuírem nomes distintos e cortes de cabelo diferentes, como em quase todo outro J-RPG? O fato de todos eles possuírem características que se diferem uns dos outros, no que poderia ajudar a identificá-los mais fácil, é um problema?

Ou seja, para Final Fantasy XV suceder, teríamos que colocar quatro soldados genéricos de um FPS genérico, todos eles com grandes armas e visões em primeira pessoa, onde tudo é extremamente “realista”. Ah, e os nomes devem ser normalizados também. Eu optaria por John, Steven, Alex e Tom.
“The Witcher 3 é claro nessa abordagem porque ele tem um toque de realismo que falta a RPGs japoneses em geral. É claro que tudo ali é mentira, é claro que não existem monstros, magias, feitiços e nem armas encantadas no mundo real. Mas existe política, existem triângulos amorosos, existem relações familiares e existe desigualdade social.”
Falta realismo 0/10

Acho que essa review deveria se chamar: Eu odeio J-RPG’s e vou matá-lo.

Apesar da comparação com The Witcher 3 fazer mais sentido que Half-Life, o problema se torna quando o cidadão o usa para provar que jogo-x tem mais realismo que jogo-y. Não acho que em alguma entrevista Hajime Tabata tinha afirmado que esse seria o jogo mais realista de todos os tempos, com muito sangue, morte, politicagem e triângulos amorosos. De tudo, vi mais falar a respeito do sistema de combate que qualquer outra coisa.

J-RPG’s trouxeram o fator fantástico para o universo dos jogos e espero que continue assim. O problema não é gostar ou não de FFXV, e sim pegar elementos que ele nunca teve e usar isso como ponto negativo, como o fato do próprio gênero dele ser algo ruim.

Mas aí, deparo-me com uma frase que me faz crer que esse jovem cidadão de bem, não tem a menor ideia do que está escrevendo nem do que está jogando. Além disso, começo a achar que esse artigo foi feito por alguém que ficou radicalmente provocado pelo jogo, num sentido pessoal mesmo, e acima de tudo não entendeu 1% do que o jogo se trata.

“E assim como outros JRPGs, Final Fantasy XV é estupidamente machista. A primeira personagem feminina a aparecer no jogo é uma mecânica de salto alto e roupas mínimas, num mundo onde homens usam sobretudo e não parecem sentir tanto calor assim. ”
...Ok.

De toneladas de tópicos em fóruns falando dos protagonistas serem retirados de uma boy-band, seus traços serem mais andrógenos e delicados, um deles literalmente andar sem camiseta e ostentar seu tronquinho para o mundo e uma das cenas ser literalmente um tapinha na bunda do outro, posso assumir que isso tudo é machismo? Céus, esses dias vi na Game-FAQs um tópico perguntando se esse jogo era yaoi (romance entre homens).

Se o jogo excede em personagens masculinos, ele também é um incrível eye-candy para quem gostar de ver uma boy-band num carrão curtindo altas aventuras e atrapalhadas. De longe podemos dizer que é uma compensação visual, afinal não é todo dia que temos um jogo Triple-AAA com tantos personagens masculinos mais sensuais e até delicados. Não estamos falando de Kratos e o cara do Duke Nukem.

Mas, ao usar a palavra que muitos se ajeitam na cadeira e começam a fazer textões, ainda mais na época que estamos hoje, certamente escrever “machismo” em qualquer artigo deve valer de alguma coisa, certo? Mesmo que essa palavra mire em um jogo onde dois caras brigam de lutinha embaixo de uma barraca a noite.

“Final Fantasy XV é um jogo cheio de personalidade e com uma identidade muito particular. Ele recebe novos jogadores de braços abertos, mas deixa claro: "eu sou assim, goste de mim como eu sou ou me deixe".”

Essa última sentença deveria ser usada como elogio, afinal é pelo fato do jogo ser quem é sem ter medo de agradar as massas e mudar seu jeito, que ele se torna único por mérito próprio.

No fim, é por causa de pessoas como esse reviewer que Dead Space e Resident Evil perderam suas identidades conforme o tempo, por não terem essa “identidade muito partcular”. São jogadores que se acostumaram com meia dúzia de jogos e não se sentem confortáveis quando algo diferente aparece com sua própria lógica e usam isso como crítica. O fato de ser muito surreal, de possuir nomes “complicados” ou estilos de cabelo diferentes, é uma crítica por si só. Como ousa um jogo seguir suas raízes?

Afinal, todo mundo sabe o quão bem Resident Evil foi recebido depois de "querer agradar um público maior" e perder sua identidade.

Devil May Cry cometeu esse erro. Numa espécie de reboot louco, eles mudaram Dante de uma forma que ele ficou irreconhecível de sua original franquia. A pesada ocidentalizada dele, os palavrões para parecer legal e seu jeitão mais playboy, tirou o melhor do que até hoje um dos meus personagens favoritos, justamente por características únicas que não são tão facilmente reproduzidas.

O que sinto desse artigo é uma honesta tentativa de ser click-bait. De atrair a galera que não gostou de FFXV até a galera que se deixa levar por palavras colocadas aleatoriamente, o autor deixa claro desde o começo que não gosta do gênero e o acha ruim por definição. Até a tentativa de atrair jogadores que curtiram FFXV mas se sentirão provocados pelo review podem ser colocado no bolo como uma forma de click-bait, estratégia esta que admito que eu e meu amigo caímos, mas não consigo me conformar como um site dito “profissional” cai em algo tão podre a ponto de adotar tais técnicas para ganhar uns centavos nos clicks.




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