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Postado por: Ryu segunda-feira, 30 de janeiro de 2017


Bem, vocês devem ter reparado que o blog mudou de nome e de banner... Provavelmente qualquer um que esteja acostumado com isso iria reparar. Mas depois de pensar em nomes e sair um título mais brega do que outro eu decidi que "Blog do Ryu" talvez é o nome mais apropriado pra isso. Um monte de gente se refere a isso como "Blog do Ryu" de qualquer forma, então fica mais fácil pra mim também. Talvez eu mude o layout do site também se conseguir achar algum modelo melhor e que ainda seja simples, mas por agora... É isso, e não pretendo mudar a URL porque... AHAHAHAHAH OLHA SÓ O TANTO DE POSTS LINKADOS COM ESSA URL MAS NEM FODENDO QUE EU VOU MUDAR ISSO E DEPOIS MEXER NOS LINKS DE CADA UM DELES!

... Eu sou preguiçoso mesmo, foda-se.

Enfim, um dia desses eu tava sem absolutamente nada pra fazer devido ao período de férias, então comecei a assistir uns vídeos de uma das minhas celebridades virtuais favoritas: O Angry Video Game Nerd. Pra quem não sabe, o AVGN gosta de Castlevania, o vídeo que tornou ele popular pra começo de conversa foi uma review extremamente negativa do segundo Castlevania pro NES, Simon's Quest. Mas os vídeos dele que eu parei pra ver foram de um especial de Halloween onde ele analisava a trilogia do NES e também mais um bocado de jogos da franquia. Eu mesmo não tenho tanta ligação assim com Castlevania, sou parte daquelas pessoas que foram introduzidas à série através de Symphony of the Night, e durante um bom tempo eu fui jogando esse jogo em particular, mas não me interessava muito pelos outros. Com o tempo eu fui conhecendo Castlevania melhor e hoje em dia já joguei a maioria dos jogos... De uns eu gostei, de outros nem tanto, mas valeu a pena.

De qualquer forma, quero falar especificamente dos títulos de Castlevania pro NES. Eu tenho uma relação de amor e ódio com esses jogos, já cheguei a gostar um pouco deles, já cheguei a falar que são ruins e que envelheceram mal... E agora o AVGN me deixou curioso pra revisitar eles e ver no que diabos isso vai dar. A única exceção a essa coisa da relação de amor e ódio é Castlevania II... Sempre achei esse jogo uma merda, até mesmo antes de conhecer o AVGN eu já não tinha uma opinião muito positiva sobre o mesmo. Mas até Castlevania II eu vou jogar de novo e ver se por acaso isso muda... Sei lá, vai que baixa um espírito de Dishonored nesse jogo e ele melhora dramaticamente no meu conceito agora que dei outra chance... Ou esse jogo pode muito bem encarnar Megaman X6 e parecer até pior do que eu me lembrava. Seja lá o que for, isso fica pro próximo post. O assunto deste é o primeiro Castlevania, o jogo que começou tudo isso.

Desenvolvido pela Konami e lançado lá no Japão como Akumajö Dracula pro Famicom, o jogo fez bastante sucesso por lá e por isso acabou recebendo uma localização pro NES no ocidente também. O nome foi mudado pra Castlevania porque os caras da Konami americana acharam que uma tradução literal de "Akumajö Dracula", que significa "Castelo Satânico de Dracula", provavelmente daria problema por aqui no ocidente onde a maioria das pessoas são cristãs, então "Castelo da Vânia" é uma tradução mais agradável. Eu prefiro Castlevania, mas de qualquer forma não me incomodo com o outro nome também. Pois bem... Castlevania é um jogo que foi lançado na época onde a Konami ainda tinha alguma dignidade e não havia se tornado a resposta pra todas as piadas relacionadas a video games que surgiram no ano passado. Será que esse jogo passa no teste do tempo ou acabou virando só uma relíquia do passado que serviu mais pra começar a franquia? Vejamos...

Pera... Esse castelo não é da Vânia?


Castlevania se passa na Transylvania em 1691, a região tem vivido em paz por cerca de um século desde que um lendário herói chamado Christopher Belmont matou 100 anos atrás o Conde Vlad Tepes, mais conhecido como Dracula, com o seu chicote sagrado que ficou conhecido como Vampire Killer, que foi sendo passado de geração a geração aos membros do Clã Belmont, responsáveis por combater Dracula, assim como outras ameaças de criaturas da noite. Porém, a cada século os corações de certas pessoas de pouca fé acabam sendo corrompidos pela maldição de Dracula e essas pessoas logo vão lá reviver o conde para que ele possa causar mais caos e sofrimento por aí. Durante as celebrações da Páscoa em Transylvania, um grupo de homens corrompidos foi até um monastério localizado na beira do vilarejo pra conduzir o ritual negro que trará Dracula de volta á vida.

Como aparentemente ninguém percebeu nada disso, os caras conseguiram realmente trazer o temido Dracula de volta, e junto com ele também veio seu castelo, que havia caído há 100 anos e agora se reergueu no meio das terras de Transylvania, sendo chamado por algumas pessoas de "Castlevania". Com toda a sua legião de seguidores, monstros e vários tipos de criaturas bizarras, Dracula finalmente pode continuar seu reinado de terror... Oh, e agora quem poderá nos defender?

Então das sombras surge uma figura heroica gritando "EU!" enquanto uma música triunfante toca no fundo. Sim, é o nosso herói: Simon Belmont, descendente de Christopher e atual portador do Vampire Killer! Cansado de usar seu chicote em seções de BDSM com prostitutas transylvanianas devido à ausência de vampiros nos últimos anos, Simon vai atender a seu dever como Belmont e acabar com a ameaça de Dracula de uma vez por todas, com determinação nos olhos ele caminha até o Castlevania, rumo à sala do temido conde para o seu fatídico duelo...

Naturalmente, Castlevania é um jogo de NES, então isso significa que a história não é exatamente a coisa mais presente dentro do jogo. Na verdade... O próprio jogo não fala absolutamente nada disso aí, peguei toda essa informação da Castlevania Wikia pra ter algum background pra essa porra toda. Mas é meio que interessante que um jogo como esse lançado em uma época dessas tenha esse tom meio religioso na sua história, as pessoas de Transylvania são Cristãs e seguem tanto a palavra de Jesus Cristo que aparentemente isso as torna menos propensas a terem seus corações corrompidos pelo Dracula. Quando ocorre esse fenômeno bizarro dos poderes de Cristo se enfraquecerem a cada século, só as pessoas de pouca ou nenhuma fé acabam sendo corrompidas, levando-as a trazer Dracula de volta e inevitavelmente causando um ciclo sem fim.

Não é exatamente aquela coisa religiosa forçada no meio da história também, condiz muito bem com a época na qual esse jogo se passa e também com toda essa mitologia em volta de vampiros, demônios, folclore europeu e Cristianismo que basicamente andam lado a lado. Isso é uma coisa pela qual eu acredito que Castlevania merece créditos, ainda que a própria história não seja nada realmente espetacular e sequer seja explicada pelo próprio jogo, mas já mostra que os desenvolvedores por trás desse jogo tinham uma certa ambição. Esse jogo tem uma atmosfera não muito diferente desses filmes de vampiros que você encontra por aí, mesmo sem ter uma linha de diálogo ou exposição sequer.

Tão intimidador quanto um jogo 8-bit poderia parecer


Através dos visuais, fica meio claro que Castlevania é um jogo criado com um público mais adolescente e/ou adulto em mente, indo em contraste com a maioria dos jogos da época que eram mais amigáveis pra crianças e vistos como um passatempo bobinho pro pessoal mais velho. Ainda assim... Não, Castlevania não é um jogo +18 e nem nada do tipo, não é nem um jogo violento pra falar a verdade, só é bem diferente e mais sombrio do que costumava se ter na época em questão de visuais e gráficos.

Imagina você, sendo uma criança dos anos 80, jogando Super Mario Bros. 2 ou algo do tipo no seu NES. Então... Sei lá, seu tio, seu amigo, seu pai, qualquer pessoa que vier na sua cabeça acaba te dando/emprestando Castlevania, com aquela imagem de um homem segurando um chicote e encarando um castelo enorme e um vampiro no background. Então você, que tá acostumado com joguinhos coloridos, vibrantes, bonitinhos, com encanadores gordos pulando em cima de tartarugas, robôs azuis de pijama que atiram limões e por aí vai... Se depara com visuais relativamente realísticos (pra época), arquitetura gótica, cenários assombrados, monstros de vários tipos diferentes... Nem parece que é algo vindo do mesmo aparelho no qual você jogou seus jogos favoritos!

Ok, talvez eu tô exagerando um pouco na última sentença... Mas Castlevania é bem diferente mesmo. A direção de arte do jogo é claramente inspirada em filmes medievais de terror envolvendo vampiros e a maior parte da ação se passa em lugares como castelos, ruínas, cavernas escuras e por aí vai. O jogo também faz uso de uma caralhada de clichês de filmes de horror quanto aos inimigos, indo desde zumbis, morcegos e lobos negros até esqueletos, Cabeças de Medusa, corcundas, múmias, o monstro do Frankenstein e até mesmo a própria Morte! Sim, a porra da Morte trabalha pro Dracula, aparentemente... Ele deve pagar bem, eu acho.


Claro, o NES não é exatamente o console mais poderoso que existe em matéria de gráficos, ainda mais hoje em dia. Mas Castlevania não é um jogo feio, dá pra ver que o pessoal da produção do jogo fez o possível pra que os gráficos representassem bem o tipo de cenário que eles pretendiam colocar nisso aqui. As cores são mais "mortas" em comparação com os jogos mais infantis, grande parte dos cenários são mais escuros, tanto os sprites dos personagens quanto os cenários são bem feitos, é bem fácil de distinguir uma coisa da outra e as animações são decentes,não dava pra fazer algo muito melhor do que isso na época em que esse jogo foi lançado.

De qualquer maneira, eu gosto do fato de que eles fizeram cada uma das 6 fases serem visualmente distintas uma da outra. Claro, alguns assets como os blocos são constantemente reusados e na 5ª fase eles ganham uma coloração diferente, mas não só os backgrounds como os inimigos únicos de cada fase ajudam cada cenário a ter a sua própria identidade. Eles são bem detalhados e se misturam bem com o foreground, apesar que... Beeem... Alguns como a floresta lá no fundo da primeira tela do jogo não são exatamente bonitos, as árvores lá parecem mais um monte de manchas verdes do que árvores. Ainda assim, na maior parte do tempo esse é um jogo visualmente agradável o bastante, ele ainda consegue passar aquela atmosfera de castelo assombrado, o modo como ele contorna as limitações do NES pra isso até dá um charme aos visuais.

Um híbrido de gêneros diferentes


Todo mundo já deve ter ouvido pelo menos uma vez alguém reclamar dos controles em Castlevania, seja em alguma review ou até mesmo enquanto a pessoa joga pela primeira vez e comenta. Isso é tão comum quanto ver gente compartilhando meme sem graça no Facebook, mas eu não diria que é uma crítica sem fundamento também, porque Castlevania tem controles bem... Questionáveis, ao menos. Você controla o Simon fazendo ele andar com o D-Pad, apertando pra baixo ele agacha, usa A pra pular e B pra ele dar golpes com o Vampire Killer, e também apertando pra cima e B ele usa uma das suas armas secundárias das quais eu falarei daqui a pouco. Parece simples, né? E... Na verdade é, aprender como os comandos do Simon funcionam não é nenhum tipo de tarefa impossível pra nenhuma pessoa normal, creio eu.

O que realmente "estraga" os controles desse jogo pra um bocado de gente é o pulo. O famoso "pulo do Simon Belmont", do qual o pioneiro é ninguém menos do que... O Simon Belmont! Bem provável que eu já mencionei esse tipo de pulo antes em alguma review, mas é aquele pulo no qual o seu personagem só vai na direção pra onde ele começou a pular e não há nenhuma maneira de controlá-lo no ar. Se você deu um pulo pra frente, o Simon vai dar só um pulo inalterável com um arco pra frente e não vai parar até aterrissar em alguma coisa... Ou cair em um abismo, também pode fazer com que ele pare quando cair no fundo do abismo e morrer. Mas o que importa é que o pulo é incontrolável no ar, e muita gente, eu incluso, não gosta desse tipo de pulo porque a movimentação do personagem não flui tão bem assim com ele, e eu gosto de estar no controle do meu personagem sempre. Se eu por acaso dei um salto errado, ter a chance de corrigir o salto ao invés de continuar caindo e morrer ou continuar indo na direção de algo que me machuque vai sempre ser a melhor opção de pulo pra mim.

Então, por mais que eu não goste desse tipo de pulo... Ele não precisa ser uma coisa inerentemente ruim, pra ser honesto. Se um jogo tem o pulo do Simon Belmont, reconhece a maneira como o pulo funciona e as suas fases são projetadas com isso em mente, parecendo que foram feitas pra ser passadas com esse pulo, eu não vejo nenhum problema com o pulo em questão. Iria preferir um pulo normal? Sem sombra de dúvida quanto a isso, mas se o jogo for bem feito isso não vira exatamente um problema. Jogando Castlevania normalmente, eu acabei notando que na verdade o jogo é bem tranquilo quanto a esse pulo, na maior parte do tempo. Os designers desse jogo sabiam que o Simon Belmont não é exatamente o melhor saltador que existe, logo as seções de platforming são bem simples, desde que você tenha em mente o modo como o pulo funciona e dê conta de "calcular" como o seu salto vai ser antes de fazê-lo, vai correr tudo ok.

Nem sempre o pulo do Simon é tão inofensivo assim, no entanto. Aquelas seções com Cabeças de Medusa voando em zigue-zague pela tela podem ser uma merda de lidar por causa desse pulo, algumas vezes você tá pulando pra desviar de uma enquanto outra já vai entrando na tela e te acertando sem ter muito a se fazer sobre isso. Em conjunto com a movimentação do Simon que é lerda pra caralho e mais dura do que o pau do Pinóquio, alguns ataques de certos inimigos que são bem mais rápidos do que ele podem ser mais do que só um pouco irritantes de desviar. Então, apesar de fazerem um trabalho bem decente em adaptar o pulo do Simon ao jogo, não é uma coisa exatamente perfeita também. Mas não quer dizer que o jogo não te dá recursos pra tornar a sua aventura mais fácil e também mais justa, ele dá uma quantidade bem saudável de armas secundárias e alguns coletáveis que também podem facilitar a sua vida.

Em primeiro, mas não menos importante, o Vampire Killer começa como um chicote de couro sem graça, com dano patético e tem dois tipos de upgrades fáceis de achar na fase: Um que o transforma em uma Morning Star com dano maior, e o segundo que deixa o alcance do seu ataque maior. Depois disso você pode sair por aí chicoteando velas e outros pedaços de cenário pra achar uns itens que em maior parte só servem pra te dar pontos... É, Castlevania é um daqueles jogos, com um sistema de pontos pro qual absolutamente ninguém liga, mas que existe e parece tomar uma boa parte do gameplay mesmo sendo irrelevante. Mas nem todos os itens são só pra ganhar pontos, os corações servem como munição pras armas secundárias, algumas vezes você quebra paredes e encontra carne de porco que recupera sua vida, e também existem multiplicadores de uso de armas secundárias. Depois eu falo desses multiplicadores, por agora a gente vai se focar um pouco nas armas secundárias em si...

As armas secundárias são: Uma faca que você joga como projétil horizontal genérico nos inimigos, um machado que você joga pra cima e é bom pra acertar inimigos aéreos, um relógio que você pode usar pra parar o tempo por alguns segundos, uma cruz que você joga como um bumerangue, viajando até o fim da tela e depois voltando, e por último, mas não menos importante, o frasco de água benta que queima inimigos e até imobiliza bosses por um tempo. A faca é provavelmente a mais meh dessas armas, nunca vi nenhuma situação em particular onde ela me dava uma vantagem enorme contra um boss ou um inimigo, e o machado apesar de útil não é algo essencial pra atravessar as fases, só é extremamente útil mesmo no primeiro boss.

Mas o relógio é útil pra caralho quando as coisas apertam demais, a cruz é literalmente uma ferramente abençoada por Deus quando se trata de atravessar as áreas com as Cabeças de Medusa, porque ela caminha até o fim da tela e sai destruindo todas elas, ficando lá por um tempo e depois voltando e destruindo mais dessas filhas da puta inconvenientes... E não é só isso, ela também pode ser usada pra lidar com outros inimigos mais irritantes e causar dano alto em bosses. A água benta então? Assassina de bosses e inimigos irritantes essa maldita! Ou seria bendita? Tanto faz, mas é uma puta arma. Você joga a água benta em um lugar do cenário e fica um fogo por alguns segundos lá, esse fogo dá one-hit kill em quase tudo, e quando não dá ele deixa a criatura resistente parada e aberta pra você acertá-la com umas chicotadas e terminar o serviço. Claro que tem uma desvantagem, o alcance é meio baixo e você só pode usar isso no chão praticamente, e assim como todos os itens a água benta consome corações, então sair spammando ela por aí também não é uma ideia muito boa, mas continua sendo uma das melhores coisas desse jogo.

Então entram os multiplicadores de armas secundárias, porque normalmente no jogo você só pode usar a sua arma uma vez, só tá liberado pra tacar outra faca/cruz/machado/etc quando a que você jogou não estiver mais na tela. Com esses multiplicadores que ficam escondidos em locais específicos das fases, você pode usar sua arma secundária até três vezes logo de cara, o primeiro dá upgrade pra duas vezes e o segundo pra três. Pode parecer pouca coisa, mas não é, essas armas chegam a ficar até quebradas com esses multiplicadores, há bosses que morrem em questão de segundos pra uma cruz com multiplicador triplo, e mesmo o boss mais difícil do jogo todo é uma piada contra a água benta com multiplicador triplo. Pra isso não ficar fácil demais de abusar o jogo deixa as coisas justas: Se você estiver com uma arma junto com multiplicador triplo e pegar outra, o multiplicador zera e você tem que encontrar outros dois desses pra poder jogar a nova arma várias vezes. E também se você morrer alguma vez perde a arma, o multiplicador e até mesmo os upgrades do chicote, o último mencionado felizmente é fácil de recuperar, ao menos.

Então não é como se o Simon fosse um personagem travado e incapaz de qualquer coisa nessas fases, ele tem um arsenal de coisas que o ajudam na aventura, basta você usá-las de forma inteligente que tudo fica bem. Mas eu tenho reclamações a fazer sobre isso, primeiramente o comando pra usar as armas secundárias é pra cima e o botão de ataque... Ok, simples o suficiente, né? Mas você também aperta pra cima pra subir escadas, ou pra baixo pra descer elas, e em um número mais alto de vezes do que eu me sentiria confortável eu subi uma escada quando queria usar uma das armas, ou desci uma escada quando queria agachar pra desviar de um ataque de um inimigo, levando porrada de graça praticamente. Outra reclamação é que você pode pegar sem querer uma arma que não queria e perder a que você tinha antes pra sempre, porque o jogo não te dá a escolha de pegar a outra de volta nessas horas. Sabe qual é o tamanho da dor de perder uma cruz com multiplicador triplo porque você pegou uma faca sem querer? Dói tanto quanto perder uma cruz com multiplicador triplo porque você pegou uma faca sem querer... É, não tem nenhuma analogia comparável, isso é o quanto dói...


Então vamos falar das 6 fases que compõem o jogo. Afinal de contas, Castlevania é considerado um dos jogos mais difíceis de todos os tempos por grande parte das pessoas, e vocês sabem que existem jogos difíceis porque são legitimamente desafiadores e jogos "difíceis" porque são inacreditavelmente mal feitos, e um monte de jogos do NES caem na segunda categoria. Castlevania faz parte da primeira categoria, até que cai um pouco pra segunda perto do fim, mas não o suficiente pro jogo ficar insuportável também. Até porque recursos pra passar das fases o jogo te dá, então grande parte do desafio também se reside em você saber usar esses recursos de forma inteligente pra passar por essas fases, e isso é uma forma perfeitamente válida de desafio.

Pra ser honesto, o desafio desse jogo tá muito mais nos inimigos e bosses do que nas fases em si. Praticamente todos os inimigos vão ser irritantes de uma forma ou de outra, os esqueletos que ficam jogando ossos pra cima são irritantes, os corcundas que ficam se movendo rápido e pulando pra lá e pra cá são um saco pra acertar, as já mencionadas Cabeças de Medusa, aquelas armaduras resistentes que jogam machados, as águias que dropam corcundas no cenário... Argh! Se você não estiver bem preparado, provavelmente vai morrer contra esse pessoal aí, o jogo vai introduzindo cada um na medida em que avança, mas depois eles vão ficando mais complicados de lidar por causa do posicionamento deles nas fases.

Uma parte famosamente absurda do jogo, que inclusive foi apontada pelo AVGN, é a sala final da penúltima fase, tem duas dessas armaduras andando e te arremessando machados enquanto Cabeças de Medusa voam em zigue-zague pelos dois lados da tela. O padrão por si só é absurdo, eu nunca consegui passar dessa sala sem usar alguma arma secundária, ela é de longe a coisa mais tenebrosa desse jogo inteiro, nem o Dracula se compara. Mas existem outras partes onde o jogo te enfia um tronco de paineira no cu se você bobear, basicamente qualquer uma envolvendo corcundas... Aquele corredor na quarta fase onde as águias vão dropando eles é uma dor de cabeça dos infernos se você não tiver um timing decente com o golpe de chicote do Simon, lembrando que ele tem um pequeno delay antes de dar o golpe, ou se não tiver pelo menos uma cruz pra se defender adequadamente.

Agora se você for olhar só as estruturas das fases, sem contar os inimigos... Elas são relativamente simples, na verdade. O platofming é básico até demais, a maior parte das armadilhas são fáceis de atravessar e é tudo bem direto e o máximo de irritante que elas podem ter seriam inimigos que te jogam em abismos por causa do knockback, o que é meio que uma coisa do level design e não do inimigo em si, já que aí depende mais do modo como ele estiver posicionado. E pra ser honesto, o posicionamento de alguns desses inimigos é realmente ruim em algumas instâncias, na última fase mesmo eu honestamente duvido que seja possível passar sem levar dano por aquela seção cheia de escadas e com águias que jogam corcundas pra todo lado. O Simon se move devagar demais quando sobre escadas, não pode pular enquanto sobe elas pra evitar dano, os ataques não são muito precisos e tanto os corcundas quanto as águias são rápidos demais! Pra piorar eles spawnam aleatoriamente, não tem nenhum padrão pra isso, você só vai seguindo em frente enquanto tanka dano e espera pelo melhor.

Uma coisa que tornaria esse jogo menos frustrante é se ele tivesse carnes de porco escondidas com mais frequência, porque elas são meio raras e é muito difícil você passar de uma sala brutal pra chegar até o boss com pouca vida sobrando e ainda por cima sobreviver à luta. A última fase antes do Dracula é um exemplo perfeito disso. Além da fase já ser meio preguiçosa por repetir um inimigo que na verdade é só o primeiro boss do jogo várias vezes no começo, depois você já tem que lidar com um monte de inimigos spawnando aleatoriamente por aí e te causando dano pra caralho... Aí chega no Dracula e a sua vida tá horrivelmente baixa, sem nenhuma carne por perto pra pelo menos aliviar um pouco. A menos que você já saiba o padrão do Dracula, é impossível passar dele nessas condições, você vai morrer e ter que recuperar seus upgrades! Felizmente, o jogo te respawna nas escadas antes da sala da luta com o Dracula, então não é tão escroto assim, pelo menos dá pra reabastecer os upgrades e tentar de novo de uma maneira justa.

Por mais que o level design perto do final começa a ficar uma merda e a causar dificuldade artificial, na maior parte do tempo o jogo é bem generoso com os corações que você encontra aos montes aí como munição, e as armas secundárias que também são fáceis de achar. Só vai ter um trabalho extra pra achar os multiplicadores de armas e as carnes, porque esses são encontrados quebrando blocos com o seu chicote apenas, sempre nos mesmos locais específicos. Considerando que algumas armas como a cruz, a água benta e o relógio já são efetivas sem o multiplicador, eu não consigo dizer que Castlevania não é um jogo justo então, sempre há uma maneira mais fácil de passar por algumas partes mais complicadas do jogo desde que você tenha as armas certas. Por exemplo, na própria sala apontada pelo AVGN se você tiver uma água benta e já jogar ela de cara na armadura, ela vai ficar paralisada enquanto leva dano da água benta, nisso você pode ir chicoteando ela enquanto isso pra causar mais dano, e em questão de segundos a armadura já era.

E quer saber? É muito satisfatório passar por partes assim usando as armas secundárias, fazia um tempo que eu não tinha uns momentos tão "Vai se foder, jogo! Quem manda nessa merda sou eu!" quanto com Castlevania depois de aprender a usar as armas secundárias e atravessar as fases com menos dificuldades aqui. Eu literalmente me senti lutando contra o jogo e ganhando a luta... Pelo menos ganhando na maioria das vezes... Mas enfim, não é um jogo difícil por design mal feito, é legitimamente desafiador, apesar de beirar o injusto algumas vezes. Desde que você tenha uma noção sólida dos controles do jogo e saiba usar as armas, certamente vai ficar tudo mais tranquilo pro seu lado, apenas tenha isso em mente.


Claro, no fim de cada fase tem um boss, e se você pensa que isso é que nem Megaman, onde o desafio maior tá em atravessar a fase até chegar no boss do que no boss propriamente dito... Não, não é. Pode até parecer que é, julgando pelos primeiros bosses, que são facilmente derrotados mesmo sem a ajuda de uma arma secundária, só através da força bruta e uma barra de vida decente pra tankar uns danos se necessário. O Phantom Bat da primeira fase é assim, a Medusa da segunda fase é assim e os Mummy Mans da terceira fase, apesar de mais difíceis do que os dois anteriores, também não devem causar problemas demais. As múmias até têm uma maneira de abusar da hitbox do jogo e causar dano extra quando as duas ficam juntas, porque a hitbox do seu chicote ou da sua arma secundária pega nas duas ao mesmo tempo e isso conta como um dano duplo, já que ambas as múmias dividem a mesma barra de vida.

A partir da quarta fase já vira outra história, porque o Igor e o monstro do Frankenstein são uma merda pra lidar! O Igor é um daqueles corcundas irritantes que ficam pulando pra lá e pra cá, e causa mais dano de contato do que eles, enquanto o Frankenstein aí é mais lento e você precisa acertar ele pra passar da luta, o Igor só fica paralisado temporariamente quando é atingido. Morri umas vezes nessa luta, ela até me faz dar rage quit umas duas vezes quando eu tentava zerar Castlevania pela primeira vez... Puta merda, como foi frustrante isso, e também foi satisfatório passar dela, palavras não podem descrever apropriadamente a felicidade que explode no coração em momentos como esse. Então tem a batalha contra a Morte, ou Grim Reaper, tanto faz... Puta merda, eu literalmente nunca consegui passar disso sem abusar da água benta com multiplicador triplo assim que o filho da puta aparece! Sério, ele solta um monte de foices por aí e todas elas são horríveis pra desviar.

Acho que a Morte é o boss mais difícil desse jogo inteiro... É sério, nem mesmo a batalha com o Dracula chega a ser tão fodida. Na verdade ele é até um dos bosses mais fáceis do jogo, ou pelo menos a primeira forma dele é: Você toma cuidado pra onde ele vai teleportar, pega o timing de quando ele solta as bolas de fogo, pula por cima e acerta um golpe na cabeça dele. Quando ele muda pra segunda forma e vira o Cookie Monster, ele é difícil mais porque o bicho é gigante, o Simon se move com a velocidade de uma preguiça com osteoporose e por isso é difícil evitar levar dano de contato... Mas ei, se você por acaso tiver água benta com multiplicadores, dá pra manter o Cookie Monster parado enquanto você vai acertando ele com o seu chicote, jogando mais e mais vidros nele até o infeliz morrer.

Considerando o quão brutal a dificuldade desse jogo pode ficar... Eu não me sinto nem um pouco mal em abusar das armas secundárias que ficam praticamente quebradas com os multiplicadores. O jogo me dá esse recurso, provavelmente porque os desenvolvedores sabiam que a dificuldade era alta e usaram isso pra balancear, então eu vou usar esse recurso pra minha vantagem, diabos! E não é como se eles fossem tão quebrados assim ao ponto de te deixar overpowered o jogo todo, basta você morrer pra perder todos os upgrades que tinha, então... É justo, eu diria.

"AAAAA REGINALDO SEU NOOB EU CONSIGO ZERAR CASTLEVANIA SÓ COM O CHICOTE, COM PONTUAÇÃO MÁXIMA, ACHANDO TODOS OS SEGREDOS E SEM LEVAR DANO NENHUM KKKKKKK SEU NABS"

Tá, cara... Legal. Parabéns, sério mesmo. Avisei pra minha família toda aqui esse seu grande feito e todos eles estão mandando congratulações, avisaram pra todo mundo da cidade e você ficou bem conhecido por aqui, até fizeram uma estátua em sua homenagem e colocaram seu nome em uma das ruas aqui. Todo mundo vai se lembrar de você, o grande jogador hardcore de Castlevania que não precisa de armas secundárias.

Então, tem mais algo pra fazer além de passar das fases e derrotar o Dracula no final? Eh... Só um modo adicional com mais dificuldade, caso você ache que Castlevania não era difícil o suficiente. Eu não sou dessas pessoas, então o modo normal já era o suficiente pra mim... E também, só um modo mais difícil pra mim não justifica rejogar o negócio todo, mas pelo menos isso não é Ghosts 'N Goblins que me obriga a jogar o mesmo jogo duas vezes pra ter o final verdadeiro. Mas também, é um dos primeiros jogos do NES, não sei bem o que eu esperava que fosse ter como conteúdo extra... Super Mario Bros. também era assim, te dava uma "segunda quest" que era só um modo mais difícil, então tanto faz, não vou criticar Castlevania por não ter muito conteúdo extra que incentive um replay.

... Mas que esse jogo é difícil, com certeza ele é. O tempo de duração pra passar de todas as fases, na teoria, seria de uns 30 a 40 minutos, mas é praticamente impossível que uma pessoa que esteja jogando Castlevania pela primeira vez consiga isso, então provavelmente umas 2 ou 3 horas são garantidas até você começar a manjar das putarias do jogo. Curiosamente, a versão japonesa de Castlevania tem uma seleção de dificuldade, com o modo Normal sendo o mesmo jogo que temos aqui e o modo Easy sendo, obviamente, o mais fácil, se eu não me engano com inimigos causando menos dano e sem knockback. Não sei por que tiraram esse modo Easy na versão internacional, parece uma coisa desnecessária, pra alguém que tá jogando Castlevania pela primeira vez e ainda quer se acostumar com o jogo um modo Easy seria provavelmente uma boa opção.

Nem é a única vez que a gente vai ver isso da versão americana de um jogo antigo difícil ser a mais "hardcore" enquanto a japonesa tem algum modo mais fácil ou é simplesmente melhor balanceada. Mas quando a gente for falar de outros jogos da série Castlevania, ou outros jogos antigos que também tenham esse tipo de coisa, a gente chega lá.

A primeira de muitas grandes trilhas sonoras


A série Castlevania tem uma reputação lendária de produzir excelentes trilhas sonoras, mesmo nos piores jogos da franquia as músicas costumam ser algumas das melhores que você vai ouvir em um vidya game. O primeiro jogo da série tem uma das trilhas sonoras 8-bit mais populares que existem, provavelmente todo mundo conhece a Vampire Killer, icônica música da primeira fase que tem uma caralhada de remixes pela internet afora, assim como vários remixes dentro da própria franquia. Ou a música de boss, que tem um tom bem 2spooky4me, as músicas das lutas contra o Dracula também são ambas muito boas.

Essa OST nunca foi a minha favorita da série, e nem a minha favorita dos jogos clássicos da mesma, mas eu reconheço que ela é ótima. Além das músicas já mencionadas, que são as mais populares, eu também gosto da Wicked Child, que é a música da terceira fase e soa bem heroica, como se o Simon estivesse atravessando um cenário difícil de navegar, mas continua determinado a chegar ao fim e chicotear a cara do Dracula até ele virar um saco de carne moída. Também vale mencionar a Heart of Fire, que também tem versões diferentes dentro da franquia e é bem apropriada pro momento onde você tá quase na fase final do jogo. Acho que eu também devia mencionar o jingle de quando o Simon morre, já que é provavelmente a música que você mais vai ouvir nesse jogo quando estiver jogando ele pela primeira vez... Sempre achei esse jingle engraçado, não sei explicar o motivo exato disso.

OST boa à parte, os efeitos sonoros também são bem legais. Considerando que isso é um jogo do NES e é meio difícil fazer efeitos sonoros bons com um recurso tão limitado, efeitos como o vidro da água benta quebrando e, principalmente, o do chicote acertando um inimigo são muito bons e satisfatórios de ouvir. Sério, acertar um golpe do Vampire Killer e ouvir aquele barulho de lapada 8-bit é música pros meus ouvidos, ainda mais quando são vários hits seguidos um do outro.

Considerações finais

Como muita gente que me conhece sabe, eu não cresci com um NES. Na verdade não cresci com nenhum console 8-bit, então não tenho nenhum tipo de apego nostálgico a essa época dos video games, e nem saio elogiando cegamente qualquer jogo "clássico" de NES ou Master System só porque é "clássico" e muita gente jogou na infância. Isso não significa que eu não goste do NES, muito menos que eu não reconheço a importância que esse console teve pra indústria dos video games, mas... Tem muitos jogos pra esse console que simplesmente não envelheceram bem, e eu não consigo dizer que eles são bons jogando hoje em dia. Então de certa forma até eu fico impressionado quando eu acabo jogando um jogo de NES e vejo que é legitimamente bom, como Super Mario Bros. 3, a maioria dos jogos clássicos do Megaman, DuckTales e por aí vai.

Castlevania é um desses jogos do NES que eu diria que são legitimamente bons, porque ao contrário da maioria dos jogos "super difíceis" dessa época, esse aqui sabe balancear a dificuldade te dando recursos pra amenizá-la, mas sem ficar segurando a sua mão sobre isso. Claro, nem sempre a dificuldade é justa, perto do final o jogo fica meio absurdo com algumas das salas por onde ele quer que você passe, mas ainda assim não chega a ser algo agravante demais. Se Sonic 2 pode ter uma fase horrível como a Metropolis Zone perto do seu ato final e ganhar uma nota alta aqui, então Castlevania também pode ter uma fase final questionável e ainda ser bem avaliado. Obviamente eu considero Sonic 2 como um jogo superior ao todo, mas foi a primeira coisa que me veio na cabeça quando se trata de jogos bons com curvas de dificuldade ruins perto do fim.

No fim das contas... Castlevania é um jogo bom, que talvez seja frustrante demais pra alguns, mas que também é bastante satisfatório de dominar, apesar da falta de conteúdo que justifique um replay. Caso queira não sentir tanta frustração assim na sua primeira jogada, eu recomendaria pegar a versão japonesa que tem um modo Easy e você vai se acostumando com o jogo a partir disso, mas de uma forma ou de outra isso foi uma surpresa agradável pra mim. Sem falar que esse também foi um jogo único na sua época, adicionando uns elementos de ação e horror à fórmula típica de Platformers da época, naturalmente influenciando outras desenvolvedoras a fazerem seus próprios "Castlevanias" que em maior parte são clones bem ruins. Deve ter algum clone 8-bit obscuro de Castlevania por aí que seja bom, mas até agora eu não conheço nenhum. Por ter causado esse impacto na indústria de video games e ter envelhecido relativamente bem, Castlevania merece uma quantidade boa de crédito e é um dos poucos jogos da época que ao meu ver merecem estar nessas listas de "melhores jogos do NES" ou "melhores jogos 8-bit" que você vê em sites genéricos por aí.

Prós:
+ Visuais bons e únicos pra época.
+ É legal ver criaturas do folclore europeu e elementos de religião integrados no mundo do jogo.
+ Gameplay geralmente bem executado.
+ Tanto as armas quanto os inimigos têm uma boa variedade.
+ Desafio feito da maneira certa, na maior parte do tempo.
+ Ótima trilha sonora.

Contras:
- Exceto quando o desafio é meio que absurdo demais algumas vezes.
- As escadas causam mais frustração com os controles do que deviam.
- Morrer por causa do knockback é um saco, como sempre foi.

Gráficos: 7/10
Enredo: 6/10
Gameplay: 7/10
Som: 8/10
Conteúdo extra: 5/10

Veredicto:

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