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Postado por: Ryu sexta-feira, 22 de abril de 2016


Metal Gear Solid é uma daquelas franquias que o mundo inteiro parecia amar, todo mundo vivia comentando sobre os jogos dela e sobre como o Hideo Kojima é um gênio inigualável que deveria ser venerado como um deus de uma religião bizarra baseada em video games. Ainda assim... Por algum motivo que eu não sei explicar, eu não conseguia sentir tanta vontade assim de jogar Metal Gear Solid. Ninguém que chegou a falar sobre essa série pra mim conseguiu me deixar empolgado e então eu meio que fui seguindo com a minha vida sem ter ligado muito pra Metal Gear Solid.

Então aconteceu que eu comecei a ter um pouco mais de contato com o trabalho do Hideo Kojima, primeiro jogando Snatcher pro Sega CD e depois dando uma olhada na franquia principal dele com Metal Gear Rising: Revengeance... Mas Metal Gear Rising não é necessariamente um jogo representativo dessa série, não? É um Hack 'N Slash desenvolvido pela Platinum Games, e é um jogo meio controverso até entre fãs dessa série, então melhor começar... Bem... Pelo começo. E foi assim, depois de um amigo meu também acabar me convencendo a fazê-lo, eu joguei Metal Gear Solid, até muito mais vezes do que eu provavelmente precisava pra escrever essa review, porém aconteceram vários momentos de bloqueio de criatividade, ocupações na minha vida pessoal e outros posts que eu tava mais urgente pra acabar.

Metal Gear Solid na verdade é a sequência de dois jogos pro MSX chamados Metal Gear e Metal Gear 2: Solid Snake, ambos dirigidos pelo Hideo Kojima. Não tenho certeza se Metal Gear foi o primeiro jogo de Stealth já criado ou não, mas eu sei que foi o primeiro que chegou a ter alguma notoriedade por aí, e o jogo acabou saindo do jeito que saiu porque o Kojima, anteriormente atarefado pela Konami de fazer um shooter que nem Contra, achou que seria redundante ter outro jogo desse tipo e então resolveu apostar numa abordagem diferente. Outra coisa que esses jogos trouxeram de relativamente único em comparação com os outros seria o fato de que as histórias deles são bastante elaboradas pra sua época, coisa da qual o Kojima se orgulha até mais do que o próprio gameplay dos jogos dele, porque inicialmente ele queria dirigir filmes. Se se você for olhar até mesmo o trabalho dele fora da série Metal Gear, existem jogos como Snatcher e Policenauts que são basicamente filmes interativos, então faz sentido... E Metal Gear Solid é possivelmente o jogo mais cinemático que o Kojima (ou qualquer pessoa) teria produzido lá nos anos 90.

Sabe de uma coisa? Isso poderia tornar Hideo Kojima em um alvo de trocentas acusações de transformar video games em "filmes interativos" cheios de cutscenes como muitas desenvolvedoras fazem atualmente em jogos como The Order 1886 ou The Last of Us. Mas eu na verdade o aplaudo por isso, em primeiro lugar porque eu sempre valorizo um bom enredo em um jogo, apesar que meus padrões não são tão altos assim pra enredos de certos tipos de jogos, e em segundo lugar porque pelo menos pra época foi alguma coisa totalmente única e diferente do resto.

Enquanto você tava lá jogando Mario e Sonic e salvando a princesa ou os animaizinhos, existia Metal Gear com uma trama elaborada envolvendo conspirações militares, máquinas de guerra e o caralho a quatro, e com o sucesso que Metal Gear Solid fez, um novo padrão pra narrativas de jogos foi estabelecido. Por colaborar pra que video games parem de ser vistos como coisa de criança, Hideo Kojima tem pelo menos alguma gratidão da minha parte... Mas isso não significa que eu vou sair babando bandejas de ovos inteiras pros jogos dele e dar notas 10 cegamente pra cada um deles nesses posts, então vamos ver qual é a desse Metal Gear Solid e se esse jogo é tão bom quanto a sua reputação precede.

War never changes


Metal Gear Solid se passa exatamente seis anos depois dos eventos de Metal Gear 2, basicamente no ano de 2005... Sim, é uma daquelas histórias que preveem o futuro e etc. Em uma ilha isolada on Alaska, denominada de Shadow Moses, a FOXHOUND, unidade de elite de operações especiais do Exército Americano, se rebelou contra o governo do país e acabou se tornando um grupo terrorista sob a liderança de um sujeito conhecido como Liquid Snake.

O pessoal da FOXHOUND não perdeu tempo em tomar todo o controle da ilha e ameaçar o governo com o Metal Gear REX, um mecha desenvolvido pela DARPA e a ArmsTech com capacidade de realizar ataques nucleares de qualquer lugar onde estiver pra qualquer lugar que o controlador estiver afim que ele ataque. Por que caralhos eles estão fazendo isso? Porque em um conflito passado, o protagonista da série, Solid Snake, derrotou e matou Big Boss, que era o fundador e antigo líder da organização... O governo aparentemente tem o corpo do Big Boss e a FOXHOUND quer isso pra criar um exército de soldados de guerra supremos através do material genético dele, já que o Big Boss era tido como o soldado perfeito enquanto estava vivo.

Com essa grande ameaça iminente, o Secretário de Defesa dos EUA pediu ajuda pessoalmente ao ex-comandante aposentado da FOXHOUND, Roy Campbell, dizendo que entre os reféns mantidos na Shadow Moses está a sobrinha dele, Meryl Silverburgh. Nisso, Campbell acaba trazendo Solid Snake, que é o seu melhor agente e que até então estava também aposentado, de volta à ação pra se infiltrar na ilha em uma operação pra acabar com esse plano maluco da FOXHOUND com orientação do seu comandante e também ajuda de outros membros da equipe de suporte como a médica, Naomi Hunter, a analista de dados, Mei Ling, e a especialista em armas nucleares, Nastasha Romanenko, e o seu antigo mentor, Miller.

Snake se infiltra com sucesso na Shadow Moses e eventualmente encontra um dos reféns, o chefe da DARPA que dá algumas informações com relação ao Metal Gear REX e o modo como ele pode ser desativado através de dois códigos secretos, um que ele tinha e a FOXHOUND descobriu através de um membro chamado Psycho Mantis que aparentemente pode ler mentes, e outro que o presidente da ArmsTech que também é um refém na ilha tem, e que o lançamento das armas nucleares pode ser impedido colocando três cartões como medida de emergência. Aí de repente o chefe da DARPA morre com uma espécie de ataque cardíaco sem mais e nem menos, o Snake reporta isso pro Campbell e pergunta que porra acabou de acontecer, mas ele dá uma resposta ridiculamente vaga e é péssimo em fingir que não tá escondendo informações, tão péssimo que logo de cara o Snake desconfia.

Sem muita escolha a não ser continuar a sua missão, Snake vai atrás do presidente da ArmsTech, Kenneth Baker, e no meio do caminho acaba se trombando com a Meryl, que tava na cela logo ao lado da do chefe da DARPA, ouviu a conversa dos dois sobre o Metal Gear REX e os terroristas e deu um jeito de escapar se disfarçando de soldado da FOXHOUND, mas o encontro não durou muito tempo. Então, Snake acaba localizando Baker e precisa salvá-lo de um dos chefes da FOXHOUND, Revolver Ocelot (Revolver Ocelot), o que resulta num tiroteio e no meio da treta um ninja ciborgue aparece e corta a mão do Ocelot e salva o Baker. Nisso, Snake tem uma conversa breve com o velho, que diz que já pegaram o código dele, mas a Meryl tem os cartões do sistema de emergência do REX e que o Dr. Hal Emmerich, líder da equipe de desenvolvimento do projeto do REX deve ter mais informações sobre como desativá-lo... E depois, Baker morre com um ataque cardíaco igual o chefe da DARPA, o que deixa Snake ainda mais desconfiado já que ele reporta isso pro Campbell e ele novamente mente da forma mais inconvincente possível.

Então Snake entra em contato com a Meryl novamente, ela concorda em ajudar ele na sua missão, liberando o caminho pra que ele possa ir até o Dr. Emmerich. E basicamente... Isso é o começo da história, a partir daí as coisas começam a ficar mais complicadas enquanto tudo se desenrola e eu não vou resumir a história toda aqui por motivos óbvios.


Se por acaso você não souber a esse ponto... Metal Gear Solid tem história pra caralho, de fato, pelo menos uns 60% do jogo são cutscenes e você tem que prestar atenção nelas pra saber o que diabos você tem que fazer depois. Dito isso, a história desse jogo é... Intrigante, tem um monte de coisa acontecendo aqui e o Kojima consegue fazer um trabalho bem decente em criar um mistério na maioria dos plot twists ao mesmo tempo que mantém um ritmo decente sem parecer que as coisas se arrastam demais por excesso de exposição e nem que fiquem confusas demais porque tudo se desenrola com o timing certo sem virar uma bagunça.

Eu disse que não iria resumir a história toda antes porque realmente teria muita coisa pra resumir, mas pra poder comentar sobre o que eu gosto ou não gosto sobre ela, eu vou ter que dar alguns spoilers, então esteja avisado... É, eu tô avisando que vou dar spoilers de Metal Gear Solid, um jogo que todas as pessoas e os seus animais de estimação já jogaram, além de ser um jogo de mais de uma década atrás. Geralmente eu não costumo ligar, mas faço isso pra evitar que alguém me encha por spoilers mesmo com todas essas circunstâncias.

A primeira coisa que eu devo elogiar sobre essa história é que os personagens, por mais que alguns sejam meio que absurdos, são bem relacionáveis e até mesmo com os antagonistas desse jogo eu acabei simpatizando. O próprio Snake é um personagem que eu conhecia bem pouco antes, então eu era bem indiferente sobre ele quando o povo costumava mencionar que ele é um dos melhores personagens de video games e bla bla bla... Agora que eu meio que sei qual é a dele, eu devo dizer que é um personagem carismático, tendo uma personalidade estoica e aparentando ser frio, mas ele não costuma ter problemas em demonstrar emoções e nem é um cuzão com 90% das pessoas com quem interage igual personagens "frios" geralmente são no começo.

Ele genuinamente se importa com os aliados dele, a relação dele com a Meryl em particular é bem forte e até mesmo com os inimigos ele demonstra alguma compaixão quando esses ficam perto de morrer. Todo o tema do jogo envolvendo genética, aquela conversa de passar genes pra próxima geração através de clonagem e soldados genômicos estarem presos ao destino, também adicionam uma certa profundidade ao Snake, especialmente porque ao contrário do Liquid, ele não sente nenhum tipo de raiva sobre a sua origem e simplesmente se aceita como ele é. Até mesmo o Liquid meio que tem uma motivação decente pra fazer o que ele fez, mesmo o fato de que ele detesta as suas origens e odeia o Snake por ser o "clone superior" também é compreensível, o problema, assim como todo vilão compreensível, é o meio que ele usou pra tentar alcançar seu objetivo.

O Dr. Emmerich, que é um cientista estranho que se auto-denomina Otacon, pode parecer um personagem meio comic-relief, especialmente pelo fato de que ele é literalmente um otaku e se inspira até demais em animes, só que com essas inspirações ele sempre quis trabalhar pra ajudar as pessoas. Nosso amigo foi trabalhar no projeto do Metal Gear REX sem a menor consciência de que ele tava colaborando pra construção de uma máquina de guerra capaz de causar ataques nucleares a qualquer hora, e isso meio que deixa ele arrependido e se sentindo culpado por isso tudo. E apesar dos antagonistas como Gray Fox, Sniper Wolf e Psycho Mantis não serem tão explorados assim, o fato de que o jogo mostra algum lado humano nesses caras já torna eles um pouco mais acreditáveis do que vilões que simplesmente são maus e pronto.

A história tem um ritmo decente, temas interessantes, personagens convincentes... Então o que exatamente eu tenho de negativo pra falar? Bom, algumas vezes os diálogos me incomodam um pouco, especialmente porque quase toda explicação que o jogo precisa te dar acontece porque o Snake pergunta sobre algo que a pessoa com quem ele interage acabou de falar. Parece até que chamaram o Masami Kurumada pra escrever alguns desses trechos onde o Snake interage com outros personagens, porque boa parte das conversas são algo como...

Personagem: "Snake, você precisa impedir que eles ativem o REX!"

Snake: "REX?"

Personagem: "Um Metal Gear com a capacidade de realizar ataques nucleares!"

Snake: "Ataques nucleares?"

Personagem: "Sim, eles pretendem bombardear os EUA caso não consigam o corpo!"

Snake: "Corpo?"

Personagem: "Sim, o corpo do soldado perfeito!"

Snake: "Soldado perfeito?"

...

E por aí vai, é sempre o Snake perguntando dessa forma só pra dar uma oportunidade ao personagem de explicar as coisas... Funciona, mas ao mesmo tempo quando usado de forma excessiva faz o Snake parecer meio que desinformado demais, e pra um agente experiente contratado pra uma missão importante como essa, parece estranho. Outros diálogos no jogo são meio bregas, como aquela conversa toda do Snake com o Otacon sobre o amor poder florescer em um campo de batalha ou algo assim... Além da breguice, o modo como aquela conversa rolou inicialmente me deu a impressão de que o Otacon era gay e tava afim de dar umas sentadas no kibe do Snake secretamente, o que tornou a conversa bem mais embaraçosa do que profunda como o Kojima provavelmente quis que ela fosse.

De qualquer forma... Essas coisas que eu citei acima nem são muito graves e eu consigo engolir isso, mas tem uma coisa sobre essa história que eu não consigo engolir até hoje. Perto do final do jogo, o Snake coloca os cartões no Metal Gear REX e acaba ativando ele sem querer, e então vem o Liquid dizendo que na verdade ele queria que o Snake fizesse isso porque eles nunca conseguiram realmente pegar o código com o chefe da DARPA e aí precisaram Manipular o Snake... Isso seria uma coisa que eu poderia engolir, se todos os vilões desse jogo, incluindo o Liquid, não tivessem passado o jogo inteiro tentando matar o Snake sem dar sequer algum sinal de que precisam dele vivo pra algo misterioso.

E eu nem sei se o plano em si faz muito sentido também... Eles precisavam do Snake pra achar os três cartões e ativar o REX, mas um dos cartões tava com o Baker e foi passado pra Meryl, sendo que os dois eram prisioneiros da FOXHOUND por dias. Por que diabos eles não pegaram o cartão do Baker ou da Meryl enquanto eles estavam presos e depois vasculharam a ilha por si mesmos? Qualquer coisa eles poderiam pegar o Otacon que foi o líder da equipe que desenvolveu o projeto do REX e forçar ele a dar alguma informação ou colaborar com eles de alguma forma... E ok, vamos supor que eles precisavam do Snake pra achar os outros cartões, isso significa que pelo menos até na parte da torre de comunicações, o Liquid sabia que o Snake tinha os cartões... E aí ele vai e ataca ele com uma porra dum helicóptero, com direito a mísseis e tudo, mísseis que poderiam destruir os cartões e a única chance do plano da FOXHOUND dar certo, mesmo que o Snake continuasse vivo. Claro, existe um truque pra se usar os cartões que o Baker nunca falou qual é, mas porra... Qual é? O Liquid precisaria do Snake pra descobrir isso? O que impediria ele de investigar por si mesmo e acabar descobrindo de alguma forma?

Essa parte me deixou com tantas perguntas na cabeça que eu acabei simplesmente largando de lado e só aceitando que o Liquid criou todo esse plano desnecessariamente complicado porque ele precisava... E eu nem sei como exatamente os cartões ativaram o REX ao invés de desativar também, mesmo que o Otacon tenha dito que poderia ser pra ativar ou desativar, não parece que tem nenhuma explicação ou algo que dita o que os cartões fariam. Os outros plot twists desse jogo foram bem efetivos e eu ainda gosto da história como um todo, mas... Essa parte precisava de uma execução melhor, porque qualquer possibilidade que eu consigo pensar que possa ter levado a ela não faz tanto sentido assim.

Mesmo que você não tenha jogado os títulos anteriores, tem um resumo das histórias deles nos arquivos do jogo, mas não acho que seja realmente necessário ler eles pra entender a história desse. No entanto, caso você realmente queira saber, pode ler ou então jogar Metal Gear e Metal Gear 2 de alguma forma... Eu não sei como, então não olhe pra mim com essa dúvida.

É... Imagino como isso deve ter parecido na época


Normalmente, uma coisa que quase todo mundo concorda é que jogos 3D iniciais dos anos 90 em sua maioria parecem feios olhando atualmente, e não é muito difícil ver o porquê. Metal Gear Solid é um jogo que... Por incrível que pareça, não é tão feio quanto poderia ser. Digo, sim, hoje em dia você pode ver que os personagens são quadrados em um bocado de aspectos, eles têm a mesma expressão facial o tempo todo e sequer abrem a boca pra falar. Mas qual é? Apesar dos modelos meio datados, os personagens desse jogo tem animações melhores do que praticamente qualquer outra coisa que o PS1 tentou passar como animação, especialmente quando a maioria dos jogos do console tinham cutscenes com umas animações in-game que os personagens eram programados pra fazer, muitas vezes até repetindo elas durante o jogo.

Metal Gear Solid, por outro lado, tem cutscenes totalmente coreografadas, como se fosse realmente um filme animado sendo transmitido através do PS1, e olha que mesmo nesse sentido as animações teriam o direito de parecerem robóticas considerando as limitações do console. Mas não, elas fluem surpreendentemente bem durante as cutscenes, um exemplo disso é justamente a introdução do Ocelot com ele girando aquele revolver dele pra lá e pra cá... Ok, na mesma cutscene tem o Baker amarrado lá na parede tremendo como se tivesse tendo alguma convulsão que provavelmente teria ativado aqueles fios de C-4, mas vou dar um desconto pra essas partes porque isso é um jogo de PS1 afinal de contas e provavelmente eles não poderiam fazer muito melhor do que isso na época.

Pelo menos os cenários são consideravelmente melhores, as texturas conseguem ser realísticas e bem detalhadas, pelo menos pra época em que o jogo saiu. Isso acontece porque o Kojima e a equipe dele resolveram usar uma técnica que se consistia em deixar a câmera relativamente próxima ao Snake durante o jogo, sem encher a tela de coisas pro jogo poder renderizar tudo com esse nível de detalhamento, o que pra época era algo bem impressionante. Caso a câmera tivesse que se afastar, eu imagino que os cenários seriam bem mais borrados do que eles são e o jogo não teria a qualidade cinematográfica que o Kojima quis nos visuais.


Mas fora as animações e os gráficos um pouco datados, o que meio que "vendeu" Metal Gear Solid pro povo foi o fato de que o jogo tinha uma sensação de se estar acompanhando um filme, o que não se dá apenas às cutscenes terem animações com coreografia. O jogo já começa com uma caralhada de ângulos de câmera dinâmicos com direito até a créditos aparecendo na tela como se fosse realmente o começo de um filme, e vai daí pra um monte de outras técnicas cinematográficas, efeitos de slow motion, panning durante as cenas de ação e por aí vai. E essas coisas mesmo hoje em dia se seguram relativamente bem, nesse sentido eu não vejo nenhuma falha grotesca, as cutscenes são muito bem dirigidas nesse departamento e dá pra ver como os jogos mais modernos tiraram inspiração disso.

A direção artística do jogo também é bem cara de filme de ação/espionagem, o jogo todo se passa em uma base militar em uma ilha isolada e nisso a maioria dos locais são hangares, instalações de guerra, prédios de armazenamento nuclear... E por aí vai. Normalmente eu diria que esse tipo de coisa não me atrai muito, mas Metal Gear Solid consegue fazer com que esses locais sejam bem distintos um do outro visualmente e o fato de que o jogo praticamente inteiro se passa no escuro torna o jogo surpreendentemente imersivo, algo que nem todos os títulos de ação mais moderno conseguem fazer... Talvez porque Metal Gear Solid pode ser o primeiro "jogo moderno" e isso o torna especial de alguma forma, pois a equipe teve que trabalhar tendo as limitações do PS1 em mente, mas os resultados foram geralmente positivos.

Um título de Stealth sólido... Har har har, trocadilhos


Pra bancar essa história ambiciosa do Kojima, claro que seria preciso um gameplay que possa se equiparar a isso pra tornar o pacote completo de vez. E como exatamente Metal Gear Solid se sai nesse departamento? Eu diria que... O gameplay é provavelmente o aspecto mais fraco desse jogo e também o que mais mostra a sua idade.

... Pronto? Já terminou de xingar? Ótimo.

Perceba que eu não disse que Metal Gear Solid tem um gameplay ruim, nem medíocre e nem nada do tipo, só que o gameplay é o aspecto mais fraco do jogo, o que meramente quer dizer que não é tão bom quanto os outros. Com isso fora do caminho, o gameplay realmente não é ruim, como jogo de Stealth 3D é provavelmente até o melhor da sua época apesar de não ter sido exatamente o primeiro, sendo esse Tenchu: Stealth Assassins da Acquire. Metal Gear Solid tem controles relativamente simples pros padrões desse tipo de jogo, dá pra você andar, agachar, se esconder nas paredes e outras estruturas apertando o botão direcional contra onde você quer se esconder, e inicialmente você não tem arma nenhuma. Sim, Solid Snake foi enviado pra uma base militar em uma missão que decide o futuro da nação sem nenhuma arma... O que significa que na primeira seção que serve mais como um tutorial você vai ter que matar os inimigos quebrando os pescoços deles por trás, basta só ficar parado atrás do infeliz e apertar quadrado várias vezes enquanto ele faz uns sons inadvertidamente hilários e o Snake quebra o pescoço dele.

Além desse lance de quebrar o pescoço do inimigo por trás, Snake também pode executar ataques físicos e dar arremessos em inimigos, o que é... Uma coisa. Provavelmente você nunca vai usar esses ataques físicos fora das batalhas contra bosses que são no mano a mano, afinal de contas eles nem matam um inimigo, só deixam ele temporariamente nocauteado, mas até você nocautear alguém com isso, você já vai ter atraído atenção de outros soldados que vão atirar em você assim que te virem. Eu não gosto de como algumas dessas ações são mapeadas, por exemplo o arremesso e a ação de agarrar o cara pelo pescoço e quebrar são mapeadas no quadrado, mas pra quebrar o pescoço você precisa ficar parado, qualquer movimento vai fazer com que o Snake jogue o cara pra lá. Em um jogo de Stealth que requer precisão nos seus movimentos e ações, é fácil você acabar vendo uma boa oportunidade pra quebrar o pescoço de alguém, mas aí por não ter parado próximo do inimigo antes de apertar quadrado, jogar ele sem querer e possivelmente arruinar todo o seu Stealth no processo... E isso é irritante pra caralho enquanto você não se acostuma com esses controles.

Caso você seja novo em jogos de Stealth... Sim, Metal Gear Solid não necessariamente te encoraja a sair dando uma de Rambo trocando bala com todo mundo, mesmo quando você tem alguma arma de fogo equipada o sistema de mira automática do jogo não é necessariamente o mais preciso ou rápido de todos, funciona mais ou menos como a mira dos Resident Evil mais antigos, exceto que você segura quadrado pra apontar a arma e solta pra atirar, e segurando X ao mesmo tempo você pode andar e atirar. Só que os inimigos não são zumbis, eles são rápidos e atiram de volta, derrotar vários que te acharem de vez é bem difícil ou até mesmo impossível dependendo da situação, então se você foi detectado e não despachou o cara rápido, é melhor fugir e se esconder logo até o estado de alerta acabar.

Os controles podem parecer complicados no começo, mas com exceção do mapeamento do quadrado arremessar/sufocar inimigos que eu já mencionei, não tenho nenhum problema com eles, são funcionais apesar de talvez você precisar de um tempo pra se acostumar. O Stealth em si, por outro lado, é bem decente e o jogo te dá recursos pra passar indetectado por quase todas as áreas, desde os próprios locais diferentes pra você se esconder até o radar que mostra todos os inimigos e câmeras de segurança que estão na tela, assim como os campos de visão deles... Na verdade como a câmera fica relativamente próxima do Snake, o radar é tão conveniente que durante boa parte do tempo eu fiquei olhando mais pra ele do que pro jogo em si, exceto nos momentos em que eu não tava tendo uma visão boa o suficiente só com ele e aí resolvia me esconder nas paredes pra ter uma ideia melhor do que fazer sobre o inimigo que tá por perto, ou nas ocasiões onde o radar é desativado, quando você é visto por algum inimigo ou em algum momento onde tem muita coisa atrapalhando o sinal e aí você precisa tomar mais cuidado pra onde vai.

Uma coisa que eu devo aplaudir sobre Metal Gear Solid é que a I.A dos inimigos é provavelmente a melhor que poderia ser nessa época... É, você pode reclamar que o campo de visão deles é limitado hoje em dia e que isso não torna eles tão realísticos assim, mas outros jogos do tipo nessa época não eram muito melhores nesse quesito. Esse jogo ainda assim consegue fazer o que pode pra tornar os inimigos mais acreditáveis, eles reagem a um bocado de coisas diferentes, por exemplo se o Snake tá andando na neve, ele naturalmente vai deixar rastros e isso pode chamar atenção de algum inimigo. Afinal de contas, é lógico que se essas pegadas estranhas apareceram no chão, tem alguém andando por aí e viável seguir essas pegadas. Outro exemplo seria você pisar em uma poça de água ou fazer algum barulho, isso vai alertar os inimigos e eles vão procurar de onde o barulho veio.

Além de armas diferentes, você também encontra Rations, que são provisões que servem pra restaurar sua barra de vida. O jogo é bem realístico quanto ao uso dessas coisas também, se você estiver, por exemplo, em uma área gelada, não vai dar pra você comer a sua Ration porque ela se congelou, então o que você tem que fazer é equipá-la por um tempo pra que ela se aqueça e aí depois é possível comer sem muitos problemas. Sobre as armas... Bem, têm as pistolas e metralhadoras genéricas de cada dia que funcionam exatamente como você espera que pistolas e metralhadoras funcionem, tem C4, Claymores, granadas explosivas, granadas de atordoamento que podem te salvar quando você é encontrado por inimigos, as granadas surreais que desativam aparelhos mecânicos temporariamente chamadas Chaff Grenades, que são úteis pra desativar câmeras que possam te detectar, mas também desativam o radar do Snake em contrapartida.


Além dessa armas relativamente comuns de se encontrar enquanto você explora os mapas do jogo, Snake também conta com uns apetrechos pra facilitar a vida dele enquanto atravessa por certos locais e lida com as armadilhas espalhadas por aí na Shadow Moses. A maioria deles também são auto-explicativos e com funções meio óbvias, como os binóculos, os óculos de visão noturna, a máscara de gas, o detector de minas e uns cartões que servem de chaves pros locais diferentes da ilha, mas esses você recebe na história e são mandatórios pra progredir no jogo, então não necessariamente contam. Mas provavelmente o item mais útil desse jogo inteiro são os óculos de visão térmica... Sério, ele é tão útil que torna pelo menos boa parte dos outros redundantes: Eles revelam lasers infravermelhos, revelam Claymores, revelam as armadilhas com buracos, revelam inimigos com camuflagem de Stealth, revelam localizações de itens... Basicamente, com esses óculos a dificuldade de Metal Gear Solid cai de razoavelmente difícil pra ridiculamente fácil de uma forma impressionante.

Pra ser justo, os óculos de visão térmica não são fáceis de achar normalmente e você precisa explorar bem pra encontrá-los... Sim, existe um modo de pegar eles logo no começo do jogo, mas alguém que estiver jogando Metal Gear Solid pela primeira vez dificilmente vai saber disso já que você precisa fazer coisas muito específicas. De qualquer forma, esse é de longe o equipamento mais útil do jogo, e sem ele você tem que fazer algumas coisas puramente na gambiarra, como usar a fumaça do cigarro do Snake pra revelar os lasers infravermelhos, usar o detector de minas pra descobrir os Claymores escondidos e coisas do tipo. Fora isso, tem alguns itens mais aleatórios como a famosa caixa que serve pra você esconder dos inimigos dentro e aumentar suspeitas caso você comece a andar usando ela, uma Diazepam pra sua mira com um Rifle Sniper melhorar, e um remédio pra gripe... Sim, em um momento do jogo o Snake pode gripar.

Então já tem muita coisa pra trabalhar aqui, e todas as áreas do jogo são projetadas com o uso desses equipamentos em mente ou até mesmo com mais de um meio de lidar com os perigos que te aguardam, o que no meu conceito sempre vai ser um ponto a favor do design do jogo. Honestamente... Depois que eu me acostumei com tudo e aprendi a usar os itens quando me era conveniente, não tive muitas dificuldades com esse jogo e geralmente tava pronto pro que ele poderia me mandar na próxima. E apesar do tema dominante de base militar, Metal Gear Solid faz com que cada uma das áreas por onde você passa seja única, por exemplo todo o começo até você lutar contra o Revolver Ocelot é essencialmente um jogo de Stealth típico: Você passa pelas coisas na calada, se algum inimigo te ver você mete bala ou então se esconde, procurando não causar muito alarde.

Então a próxima área que é um prédio de armazenamento de armas nucleares, você não pode usar armas de fogo, ser pego e causar um sinal de alerta vai fazer com que o local seja selado e infestado de gas tóxico, e no fim precisa resolver alguns puzzles envolvendo uso da arma de mísseis teleguiados pra desativar o chão eletrificado onde você precisa passar pra encontrar o Otacon. E depois disso tudo se resolver e você derrotar os bosses, você passa por uma caverna escura e os seus inimigos são lobos, como você deve imaginar eles são irritantes de se lidar e mais difíceis com Stealth já que eles podem sentir seu cheiro. Mais tarde o jogo até vai dando mais umas variadas, com direito até a uma seção de rapel na torre de comunicações da FOXHOUND, que é uma das minhas partes favoritas... Bem, você entendeu o ponto, Metal Gear Solid é um jogo bem variado pra algo com um conceito tão comum, e por isso ele merece reconhecimento.

Pois bem, até certo ponto esse jogo tem se mantido consistentemente bom e jogando coisas novas em mim na medida em que eu progredia, e já que até então eu estava acostumado até mesmo com os aspectos dos controles que me incomodavam e já foram mencionados aqui, eu acreditava que Metal Gear Solid só tinha a melhorar a partir daí. No fim das contas... Não foi bem assim, porque um pouco antes de enfrentar a Sniper Wolf, eu fui forçado a fazer backtrack pra pegar o Rifle Sniper pra poder enfrentar ela... É, esse é um "daqueles" jogos... Dificilmente um jogo que não tem "Zelda" no nome e te força a fazer backtrack faz isso de modo que não pareça padding sem graça pra fazer o jogo ficar mais longo, e Metal Gear Solid não é exceção a isso... Pior, esse jogo faz isso duas vezes, depois você tem que ficar andando pra lá e pra cá nos mapas pra mexer nas temperaturas dos cartões pra poder usar eles lá no REX e essa parte consegue ser ainda mais chata do que a de procurar o rifle.

Sério, caras... Não façam isso, esse tipo de coisa não adiciona nada no jogo, a única coisa que eu tô fazendo é passar por lugares onde eu já fui antes com uma ou outra mudança aqui e ali, mas nada que justifique todo esse backtrack. Não vem dar uma de Devil May Cry 4 pra cima de mim agora, porra! Até o Snake reclama disso quando o Otacon diz que ele vai ter que voltar pra pegar o rifle, e se o protagonista do jogo concorda comigo, então acredito que não tenha o que discutir aqui.

Não que esse seja o meu único problema com esse jogo, na maior parte do CD 2 o jogo meio que fica mais focado em ação... Só que eu não acho que ele funcione exatamente de forma perfeita assim, as mecânicas dele foram montadas mais pra Stealth pra início de conversa. Até no CD 1 isso já meio que começa com umas seções como a de escapar da torre de comunicações onde você fica subindo escadas e enfrentando uma caralhada de inimigos são maçantes, ainda mais porque essa parte requer que você corra e o espaço é relativamente pequeno, então é fácil você acabar se escondendo em alguma área que o jogo vê como cobertura sem querer e aí se atrapalhar todo, e os ângulos em que a câmera se coloca não ajudam muito também, fica desajeitado tanto pra se locomover com velocidade quanto pra mirar/atirar nos caras.

Mas pois é, depois disso e de enfrentar a Sniper Wolf de novo, resumidamente o CD 2 em boa parte é: Ação, lutas com bosses e a seção de backtracking monótona dos cartões. Felizmente, não é tão longo assim se você souber o que está fazendo, isso serve mais como um ato final pro jogo, que poderia ter sido muito melhor se os desenvolvedores mostrassem a mesma criatividade que mostraram no CD 1.


Por sorte os bosses desse jogo no geral são bons, até mesmo os que ocupam boa parte do CD 2... Ok, nem todos são exatamente empolgantes, a luta com o Gray Fox em particular é a que eu menos gosto nesse jogo porque ela é quase totalmente baseada em ficar correndo por aí pra evitar os ataques dele e depois usar o seu combo corpo-a-corpo de três hits quando ele der a brecha. Depois ele começa a se esconder e usar camuflagem de Stealth, mas isso nem muda tanto assim a luta, é só correr por aí, usar o mesmo combo de ataques físicos uma caralhada de vezes já que a barra de vida dele não diminui tanto assim com cada combo e aí uma hora isso acaba... É uma luta bem meh pra um inimigo que o jogo tava hypando desde quando eu passei do Ocelot, eu não me senti enfrentando um ninja cibernético badass em uma luta mano a mano e sim brincando de Pega-pega com ele.

Outro boss que eu não gosto tanto assim é a primeira contra o Vulcan Raven onde ele tá em um tanque de guerra... O método mais decente de lutar contra ele é chegar perto e ficar jogando granadas pra causar dano, porque aparentemente um tanque de guerra não aguenta a explosão de uma granada, ou então as granadas do universo dessa série são poderosas pra diabo. Enfim... Tirando essas duas exceções, os bosses desse jogo geralmente são bons, os meus favoritos são as da Sniper Wolf e a segunda batalha com o Vulcan Raven porque elas fazem uso dos elementos de Stealth que são o centro de todo o gameplay desse jogo, especialmente o Vulcan Raven que tem um campo de visão maior e você tem que ir mudando de estratégia porque ele fica mais rápido na medida em que vai perdendo vida.

Claro que eu não poderia deixar de mencionar o Psycho Mantis... Você achou mesmo que eu ia fazer esse post sem falar sobre a luta com ele? Que tipo de energúmeno incompetente você pensa que eu sou? Então... O Psycho Mantis não é o meu boss favorito do jogo, mas eu consigo ver por que ele é o de muita gente, a parte em que ele toma controle da Meryl é legitimamente perturbadora e o modo como ele quebra a quarta parede lendo o seu Memory Card e citando os jogos da Konami que você gosta de jogar provavelmente deve ter sido uma coisa incrível na época, assim como ter que mudar o controle de slot pra poder derrotar ele e assim ele não ler os seus movimentos foi uma coisa genial. De todas as lutas com bosses nesse jogo, a do Psycho Mantis é sem dúvidas a mais única, e nem é a única vez que esse jogo faz isso de quebrar a quarta parede de forma inteligente, pra achar a frequência da Meryl no Codec você tem que olhar a parte de trás do CD literalmente, queria que mais jogos fizessem esse tipo de coisa hoje em dia. Mas eu gosto das lutas com mais ação também, como a do helicóptero no topo da torre de comunicações e o Final Boss como um todo.

Fora essa parte principal, Metal Gear Solid tem um bocado de segredos, coisas que você acaba achando quando fica entediado e resolve pensar fora da caixa, por exemplo no começo do jogo quando você estiver nos dutos de ar indo em direção à cela do chefe da DARPA, dá pra ir pra perto da cela da Meryl ao invés disso e ver ela se aquecendo lá, além de uns diálogos alternativos tanto em cutscenes quanto no Codec, dá pra tirar fotos de fantasmas dos desenvolvedores do jogo usando a câmera e por aí vai. Se isso não for conteúdo extra legal o suficiente pra você, o minigame onde o Revolver Ocelot te tortura determina qual dos dois finais do jogo você pega, resistir à tortura e pegar o final bom vai te dar uma bandana que te deixa com munição infinita, e se render e pegar o final ruim te dá uma camuflagem de Stealth... E terminando os dois você abre um terno pro Snake usar durante o jogo.

É, eu gosto de brincar com essas coisas, especialmente andar por aí com a camuflagem e deixar os soldados inimigos confusos, então isso é bom o suficiente pra mim.

Como assim? Um jogo 3D dos anos 90 com dublagem boa?


Bom... Lembra de quando eu mencionei que as trilhas sonoras de alguns jogos conseguem encontrar um balanceamento entre serem cinemáticas e ainda terem um ar de video game graças às melodias cativantes? Metal Gear Solid é um jogo que faz isso surpreendentemente bem, a trilha sonora no geral é uma mistura de techno com orquestras e complementam a cinematografia perfeitamente, até mesmo se fosse fora do contexto desse jogo, colocada em algum filme do 007 por exemplo, ela não pareceria nem um pouco fora de lugar. Os momentos com mais ação ficam com as músicas com ritmo mais rápido, como a Encounter que toca quando o Snake é detectado pelos inimigos, a Duel que toca nas batalhas contra os bosses, a Escape que toca na última parte do jogo e por aí vai.

As músicas mais calmas das seções de Stealth se encaixam bem nos ambientes, todas transmitem uma sensação de perigo iminente apesar de serem geralmente calmas. Mais devido à atmosfera do que qualquer coisa, as minhas músicas favoritas dessa trilha sonora são a Mantis' Hymn que é fodidamente sinistra e desconfortante, a REX's Lair que faz o melhor build-up possível pro clímax do jogo, a música tema que basicamente consegue resumir a OST inteira em uma só peça, e a música melancólica dos créditos com direito a vocal de ópera, combinando com o final. Mas a trilha sonora ao todo é muito boa, até melhor do que eu esperava que fosse ser, considerando que jogos cinematográficos de ação não costumam ter minhas trilhas sonoras favoritas.

Outra coisa surpreendentemente boa é a dublagem, ainda mais porque as dublagens nessa época inicial de jogos 3D eram famosamente horríveis, olha só pra Resident Evil, Sonic Adventure, Clock Tower, Grandia, Castlevania: Symphony of the Night... E eu poderia passar horas citando jogos dessa época que tinham dublagens que iam de ruins a abismais. Metal Gear Solid é uma exceção a essa regra, enquanto normalmente os jogos tinham vozes que combinavam com os personagens, mas os dubladores encenavam com a emoção de um cadáver em decomposição, aqui os dubladores geralmente fazem um bom trabalho também, acertando nas personalidades e adaptando às mudanças de humor dos personagens. Agora que eu tô parando pra pensar... O Snake meio que me lembra o Batman dos filmes do Christopher Nolan com aquela voz meio raspada e fria, que combina com ele afinal de contas... Foi só uma observação mesmo.

Considerações finais

Considerando que Metal Gear Solid foi lançado em 1998, muita coisa sobre esse jogo foi impressionante pra sua época e eu consigo ver muitos elementos que até jogos modernos utilizam atualmente que foram iniciados com esse aqui. A apresentação mais cinematográfica, o comportamento da I.A dos inimigos e as mecânicas de Stealth foram provavelmente os elementos mais avançados que um jogo de ação teria na época, e as gimmicks tornam esse jogo bem único em relação a outros mesmo hoje em dia, isso tudo eu consigo admirar sem medo de ser feliz.

Hoje em dia, é mais fácil jogar Metal Gear Solid e ver as falhas ou alguns aspectos do jogo que simplesmente não envelheceram muito bem, coisa que costuma acontecer com a maioria dos jogos 3D iniciais pro PS1, Nintendo 64, Sega Saturn ou qual for a plataforma. Mas honestamente... Pra um jogo 3D inicial, Metal Gear Solid sofreu bem menos com o teste do tempo do que a maioria dos outros, grande parte das falhas não costumam estragar tanto assim a experiência com o jogo e geralmente ele ainda pode te impressionar mesmo sem tê-lo jogado na época. E por mais que eu possa ter tido lá meus problemas, minha experiência com Metal Gear Solid foi geralmente positiva e eu não veria problema em jogar esse jogo outra vez... Tanto que pra fazer esse post essa foi a 3ª ou 4ª vez que eu jogo esse jogo até o final.

No fim das contas, se você não jogou Metal Gear Solid ainda, eu recomendaria fazê-lo porque mesmo atualmente ainda é um ótimo jogo, mas eu não te hyparia até os limites do universo falando que esse jogo é a segunda melhor coisa criada pelo ser humano depois do pão fatiado como muita gente costuma fazer. Já aprendi a minha lição sobre ter expectativas absurdamente altas com jogos antigos que são hypados demais pelas pessoas quando fui jogar Zelda: Ocarina of Time esperando ser o melhor jogo que eu poderia jogar na minha vida como muitos disseram ser. Isso prejudicou minha experiência porque o jogo foi fantástico sim, mas menos do que as minhas expectativas e todo o hype do povo indicaram e isso me fez ficar decepcionado inicialmente, demorei pra começar a realmente admirar esse jogo pelo que ele é.

Talvez se eu caísse nessa do hype com Metal Gear Solid, eu estaria igualmente decepcionado na primeira vez em que joguei e demoraria um pouco pra realmente reconhecer a qualidade desse jogo, assim como essa review provavelmente seria menos positiva. Mas como dessa vez eu estava com meus pés em terra firme, não tive esse problema e não estou aqui falando que Metal Gear Solid é um jogo superestimado e que o povo pensa que é muito melhor do que ele realmente é. Não concordo que esse jogo mereça uma nota 10 como muitos dão, mas eu meio que compreendo quem o faz, e talvez até mesmo se eu te recomendar sem hypar muito, você ainda pode acabar tendo uma experiência ainda melhor do que a minha e avaliar Metal Gear Solid com uma nota maior. Mas no meu caso, Metal Gear Solid é um ótimo jogo, muito acima da média e ainda com espaço pra melhoras, que eu creio que vão ser feitas já que a série ainda tem mais quatro sequências.

Prós:
+ Gameplay consideravelmente sólido e até variado.
+ Gráficos impressionantes pra época, mas não fazem feio hoje em dia também.
+ História interessante e personagens memoráveis.
+ Os bosses que se destacam são realmente fantásticos.
+ Segredos e conteúdo extra são bem legais.
+ Ótima trilha sonora.

Contras:
- A câmera é mais do que só um pouco irritante em certas ocasiões.
- As partes de backtracking são tediosas e não adicionam muita coisa no jogo.
- Sistema de mira desajeitado em combates com vários inimigos.
- Alguns momentos da história podiam ter sido melhor executados.

Gráficos: 8/10
Enredo: 8/10
Gameplay: 7/10
Som: 9/10
Conteúdo extra: 8/10

Veredicto:

{ 12 comentários }

  1. Se você achou a história desse jogo sem sentido espera só até ver a do MGS2

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    1. Mas a do 2 é muito melhor, o único problema com ela é aquela coisa ridícula do braço do Ocelot que até o Kojima tentou consertar depois no 4 e nem conseguiu porque só pareceu mais besta ainda.

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    2. Não achei a história em si sem sentido, só o plano do Liquid que pareceu uma solução desnecessariamente complicada e fácil de dar errado pro problema dele.

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    3. Era a única escolha que o Liquid tinha, e todo mundo tentou matar o Snake porque ele ia achar suspeito se fosse o contrário.

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    4. Eu nunca consegui engolir essa justificativa... Ainda mais porque o Liquid obviamente ficaria puto se alguém realmente acabasse matando o Snake, já que ele era uma parte vital do plano. Tanto que quando você morre lá na sequência de tortura, o Liquid fica puto com o Ocelot por ter matado o Snake.

      Continuo achando que isso só foi um ponto mal executado do roteiro.

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  2. Esse final da review significa que tu vai apagar aquele post do Ocarina ou refazer a review?

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    1. Nah. Aquele post foi pretensioso e a discussão já morreu, mas eu vou deixar ele lá porque acho que foi um equívoco meu que deve me lembrar toda vez dessa coisa de hype e afins. Talvez no futuro, quando eu já tiver terminado de falar dos Zelda principais que me interessam, eu posso fazer uma review melhor sim.

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  3. A mira sempre funcionou normal pra mim, mas tem hora que a câmera não coopera mesmo e aí fica complicado controlar o Snake, pior é quando numa área o soliton radar fica desativado e a câmera próxima te faz ser visto de surpresa pelos inimigos. Mas fora essas coisas, esse jogo ainda é excelente e foi um dos mais inovadores da época, considero ele como o melhor do PSX.

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  4. Ler esse review me deu vontade de dar uma outra chance pro MGS, pois eu caí na coisa do hype que você disse no final; me falaram tanto dessa série e de como ela é perfeita que eu fui jogar isso com expectativas absurdas, acabei não gostando muito e fiquei sem vontade de jogar até o fim.

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  5. COMO VC SE ATREVE A QUESTIONAR O ROTEIRO DO NOSSO TODO PODEROSO DEUS HIDEO KOJIMA

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  6. ''o otacon queria sentar na cobra dura do snake''

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