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Archive for Fevereiro 2016

Undertale

By : Ryu

Undertale... A menos que você literalmente viva no subsolo ou simplesmente não tem acompanhado notícias de video games nesses últimos tempos, é bem provável que você já tenha ao menos ouvido falar nesse bendito jogo. No meu caso, eu tava meio afastado da internet devido às minhas ocupações da vida real e portanto não andei muito por dentro do que acontecia na comunidade de video games, mas quando eu resolvi entrar na internet depois de botar uma música pra ouvir... Boom! Undertale! Undertale! Undertale isso! Undertale aquilo! UNDERTALE PORRA! E vinha gente me perguntar quando eu vou jogar Undertale enquanto eu tentava entender o que picas se passou enquanto eu me ausentei.

Depois de dar uma olhada nisso tudo, eu vi que Undertale se trata de um jogo Indie desenvolvido por um sujeito chamado Toby Fox... Pelo menos eu acho que ele criou Undertale sozinho, eu não vi créditos muito significantes sendo dado a outras pessoas, o cara escreveu a história, fez o design, a arte e até compôs a trilha sonora, isso por si só é impressionante, eu devo dizer. Undertale começou pelo Kickstarter como um RPG aparentemente simples, mas assim que esse jogo viu a luz do dia, os críticos deram notas ridiculamente altas, um público gigantesco foi conquistado e... Bem, claro que com essa popularidade também um monte de gente passou a odiar Undertale, ainda mais porque em uma enquete da GameFAQs de melhor jogo de todos os tempos ele simplesmente venceu Zelda: Ocarina of Time, isso é pedir pra ser odiado por uma parcela das pessoas.

No entanto... Eu já vi essa história antes, um jogo Indie é lançado, endeusado pelos críticos e quando eu acabo jogando eu fico me perguntando o que caralhos tem demais nesse tal jogo super aclamado. Por isso, eu me aproximei de Undertale com um certo cuidado, vi umas imagens e até levantei algumas suspeitas porque elas não me atraíram muito e me passaram a impressão de que esse jogo era só um clone sem alma de Earthbound que tá sendo tratado como se fosse algo incrível. Ainda assim, eu resolvi guardar qualquer julgamento sobre Undertale pra depois de jogar o jogo e ver se é tão bom/ruim quanto parece... E olha, foi chato pra caralho me manter jogando Undertale enquanto eu não tinha nem tempo pra respirar direito, mas eu persisti porque estava cheio de determinação, sempre arranjei um tempo pra fazer algum progresso nesse jogo até completar ele.

Agora vamos lá, Undertale pode muito bem ser só mais um jogo Indie retro supervalorizado, ou pode me surpreender e realmente ter conteúdo que justifique ao menos boa parte de todos esses elogios. O resultado disso tudo provavelmente vai desagradar alguém independente se eu for positivo ou negativo nesse post... Mas quem se importa, né? Eu não tenho medo de gente da internet ficar furiosa comigo por não pensar como ela quer que eu pense, então foda-se, vamos começar isso logo.

Essa review vai ter spoilers potenciais do jogo, então se você nunca jogou e pretende dar uma olhada... Eu sugiro que você nem leia o resto desse texto. Mas caso você esteja jogando e mesmo sem ter terminado ainda, então não tem problema porque os spoilers são meio que leves, mas podem arruinar uma primeira impressão do jogo pra quem nunca jogou.

Você se apega a ficção? Sim? Pois bem...


Uma caralhada de anos atrás, humanos e monstros habitavam nosso planeta lado a lado em perfeita harmonia como raças dominantes do mesmo, mas como os humanos são um bando de pau no cu gananciosos, eles começaram a guerrear contra os monstros até eventualmente vencerem e selarem os bichos no Subterrâneo através de uma barreira mágica, assim dominando a superfície do planeta de vez. Mas esse selo não era exatamente aquela coisa que se diga "Nossa, que puta barreira perfeita e impenetrável!" também, havia um modo de entrar no Subterrâneo através do Mount Ebott, e uma criança humana acabou caindo da montanha até essa entrada por acidente.

Essa criança é justamente nosso herói, que a gente aparentemente pode nomear, porém o nome oficial dele/a é Frisk, então irei chamar essa pessoa por esse nome. Você deve estar estranhando o fato de que eu pareço extremamente confuso sobre o gênero do/da Frisk... É porque o jogo nunca realmente deixa claro se essa criatura é homem ou mulher! Se referem a ele/a como "they" ou simplesmente "human" durante o jogo todo... Então como diabos eu vou me referir a isso? É simples, pra mim Frisk é uma garota, porque tem cara de menina e também porque nem todo jogo me deixa jogar com uma garotinha de protagonista...

... Eu gosto de jogar com garotinhas, me deixa ser feliz, porra!

Enfim... A Frisk cai em umas ruínas no meio do Subterrâneo e encontra uma flor esquisita chamada Flowey que inicialmente age toda amigável e depois repentinamente tenta matar nossa heroína. Mas essa tentativa de homicídio é interrompida por Toriel, uma monstra vaca [?] bondosa que age como uma mãe pra Frisk e começa a ensiná-la a sobreviver no Subterrâneo que é um lugar perigoso porque é cheio de monstros e bla bla bla.

Por acaso sou só eu ou Undertale tá meio que insinuando, com a Toriel e a figura maternal dela, que a minha mãe é uma vaca? Eu tô vendo o que você fez aí, Toby Fox... Tô de olho em você, espertão...

De qualquer forma, a Toriel é realmente uma mulher bem bondosa, se oferece pra cuidar da Frisk com direito a dar uma casa pra um quarto e tudo... Só que a intenção dela é adotar Frisk e viver com ela pra sempre nessas ruínas no Subterrâneo, porém essas intenções não são exatamente mesquinhas da parte dela, o Subterrâneo não é um lugar amigável e aparentemente todos os humanos que foram parar lá de alguma forma ou de outra acabaram morrendo, e a Toriel simplesmente não quer presenciar isso ocorrendo com a Frisk. Mas o jogo quer que você vá pra fora das ruínas e se aventure no mundo pra voltar pra casa, portanto a Frisk e a Toriel acabam se enfrentando e a partir daí as suas ações no jogo vão afetar o rumo da história.

Na verdade as suas ações começam a valer desde o primeiro segundo que você controla a Frisk e tem contato com alguma batalha aleatória... Mas eu diria que a primeira mudança drástica ocorre a partir dessa batalha com a Toriel, pois você meio que pode matar ela... Sim, matar, literalmente, ela morre e nunca mais aparece de novo na história, ou então você pode dar um jeito de resolver o conflito pacificamente e sair das ruínas assim. Isso já é parte do gameplay, mas eu achei que deveria começar mencionando na história já que tem obviamente um grande efeito sobre ela.

De qualquer forma, Undertale, olhando de uma forma superficial, é só uma história sobre uma humana que teve o azar de cair em um lugar subterrâneo cheio de monstros e agora tem que voltar pra casa. Em JRPGs, geralmente isso significa que os monstros são inimigos pra você derrotar e evoluir com o intuito de ficar forte o suficiente pra alcançar seus objetivos, como se fossem animais selvagens que você mata porque precisa se aproveitar do bicho de alguma forma... Ou o bicho te mata se você por acaso estiver despreparado, mas você entendeu meu ponto. Como Undertale lida com esse modelo de história relativamente batido de jogos do seu gênero? Bem... Os monstros na verdade são personagens genuínos da história do jogo, com personalidades próprias e tudo mais.

Sabe quando você tava jogando Final Fantasy e matou um Goblin? Talvez aquele Goblin tinha uma família pra cuidar, e você destruiu qualquer chance da dita família sobreviver agora que matou o possível membro mais capaz dela. Inclusive quando você passa das ruínas, caso tenha matado algum monstro antes e não matado a Toriel, o Flowey vai falar algo tipo "E daí que você deixou uma pessoa viva? Sabia que um monstro que você matou pode ter sido a Toriel de outro?" e... Honestamente, foi o que aconteceu comigo quando eu joguei Undertale pela primeira vez e eu senti um leve arrependimento do que eu fiz. Mas não falo só dos personagens principais, qualquer monstrinho que você enfrentar vai demonstrar alguma personalidade, uns são alegres, outros tristes, outros são hostis porque te estranham inicialmente, alguns têm hobbies... Isso acaba tornando os monstros um pouco difíceis de simplesmente matar como se não fosse nada, pelo menos pra mim.

Além da Toriel, vários outros monstros também interagem com você, como os dois irmãos esqueletos Sans e Papyrus... E sim, os nomes deles vêm das fontes Comic Sans e Papyrus, vide as falas deles serem com essas respectivas fontes. Sans é um esqueleto que faz umas piadas horríveis que lendo em Comic Sans por algum motivo ficam meio que engraçadas e meio que parece ter só a função de ser uma espécie de comic relief no jogo, já o Papyrus além de ser comic relief, também é um aspirante a membro da Guarda Real do rei do Subterrâneo, Asgore Dreemurr, que é meio que o antagonista do jogo que planeja matar sete humanos e usar as almas deles pra destruir a barreira que impede que os monstros saiam do Subterrâneo. Além desses, tem a Undyne que eu acho que é uma peixe e lidera a Guarda Real, a Alphys que é a Cientista Real e o Mettaton que é um robô criado por ela.

Também existem outros personagens secundários, mas os principais são os que eu citei. A história desse jogo por si só realmente não é nada especial, no entanto o que definitivamente enche ela de vida são os personagens, o Toby Fox consegue fazer com que a maioria deles sejam bem malucos ao mesmo tempo que retem alguma credibilidade pra tornar eles relacionáveis também, tanto nas interações divertidas que eles têm um com o outro ou até mesmo com a Frisk quanto em cenas mais sérias e emocionais. Eh, nem todos os personagens me agradam tanto assim, no entanto, eu não particularmente ligo muito pra Alphys e acho o Mettaton meio irritante, mas da grande maioria dos personagens eu gosto sim, de alguma forma... Até mesmo o Flowey, que durante praticamente o jogo inteiro é um grande filho da puta acabou tendo alguma simpatia da minha parte depois que eu "conheci" ele melhor como fiz com os outros personagens e fiquei ciente da backstory do jogo envolvendo outros humanos e a família do Asgore.

Ou alguns monstros aleatórios que têm um pouco mais de profundidade por causa do conteúdo adicional do jogo, por exemplo um monstro chamado Snowdrake que você encontra em Snowdin, ele quer ser um comediante, mas as piadas dele são ruins e o pai dele é um NPC que você pode conversar mais tarde no jogo. Ele menciona que a mãe do Snowdrake morreu, mas tem uma espécie de sidequest envolvendo isso que... Pra falar a verdade, é meio que engraçada e deprimente ao mesmo tempo.

O tom geral do enredo desse jogo é relativamente humorístico, a maioria dos personagens fazem alguma piada, os NPCs fazem referências a uma caralhada de coisas da cultura pop no geral, mas nada que pareça forçado ou fora de lugar. Vou dar créditos ao Toby Fox porque uma coisa que ele não fez em momento algum do jogo é enfiar memes de internet no meio do negócio, ou se fez, foi tão sutil que eu não cheguei a reparar... Sério, caras, não coloquem memes nos seus jogos, não é engraçado e muito menos criativo, afinal você nem criou a piada, só pegou a piada de outra pessoa e tacou preguiçosamente no seu roteiro lá. Até mesmo os cachorros, ele podia ter dado um jeito de colocar o Doge no meio disso sem nenhum motivo em particular fora dizer "Hahaha eu to fazendo referencia a meme so nerde igual vcs internautas ri aí XD", mas não fez, eu adorei os cachorros de Snowdin e a Temmie... Temmie, eu quero te apertar!

... Caham! Então, sem memes ou piadas forçadas aqui na maior parte do tempo, e apesar de nem todas as piadas terem funcionado em me fazer sorrir, eu devo dizer que a do cactus sendo a planta mais tsundere de todas é a minha favorita. O Papyrus faz uma referência a isso na luta contra ele e mais tarde caso você tenha checado o cactus na casa da Toriel antes, se você checar de novo no final tem uma frase nova sobre ele. Outras piadas são boas, mas nenhuma me foi tão efetiva quanto essa, quando eu soltei um "heh" no final do jogo, foi um dos "heh" mais felizes que eu deixei sair com um jogo em um bom tempo.

De certa forma, esse modo de lidar com o tom da história, deixando as coisas leves e engraçadinhas pra eu me divertir com os personagens inicialmente, criando um laço com eles e depois dar mais impacto pros momentos mais sombrios acabou me lembrando Earthbound. Isso não é uma coisa fácil de fazer, tanto que muita gente ainda fala sobre como Earthbound ou a série Mother no geral tem um modo único de narrar a história que poucos jogos conseguem replicar com sucesso... Undertale é um jogo que consegue fazer isso, mas sem parecer uma cópia descarada feita pra vender em cima de nostalgia, e o fato de que o destino de muitos desses personagens e o mundo deles é determinado por você só deixa a relação mais forte, e no caso, a ação de matar eles um tanto dolorosa.

Mas caso você queira ver tudo no jogo, todas as possibilidades, os finais ruins, neutros, felizes... Você vai ter que fazer isso alguma hora, e quando você o faz depois de já ter conhecido os personagens pode ser algo consideravelmente duro de se fazer. Mas a parte de matar, não matar e o que diabos isso muda na história fica pra depois, porque o gameplay e a história desse jogo meio que são ligados entre si, coisa que eu também vou explicar depois.

Mesmo coisas simples podem ter charme


Como é de se esperar de um jogo Indie com inspirações em jogos retro, Undertale tem gráficos que simulam visuais de jogos 8-bit, mas ao mesmo tempo são detalhados e coloridos demais pra parecerem genuinamente 8-bit e assim ficam num meio termo entre 8 e 16-bit. Alguma coisa errada com isso? Eh, não necessariamente, mas depois de ter visto tanto jogo desse tipo tentando emular visuais de tantos clássicos 8/16-bit antes, Undertale a esse ponto não me impressiona tanto assim mais e a "magia" de ser um jogo novo com cara de antigo que existia por volta de jogos Indie já se desfez há tempos.

Mas não, Undertale não é um jogo feio, antes que você me faça essa pergunta. A maioria dos sprites dos personagens são bem desenhados, assim como os cenários também são evidentemente bem feitos mesmo o estilo já não me fazendo muita coisa mais, e pra dar pelo menos um pouco de crédito pra ele... Eu não acho que algum jogo Indie tenha tentado simular Mother antes, então não diria que o estilo totalmente não funciona comigo já que os gráficos simples e cartunescos com pequenos detalhes visuais aqui e ali realmente passam uma sensação bem similar. No entanto, a direção artística desse jogo tem bem pouco a ver com algo como Earthbound, que por sua vez era mais colorido e vibrante enquanto Undertale em contrapartida é bem mais... Opaco.

O jogo normalmente usa cores bem escuras e muitas áreas parecem ser predominantemente de uma só cor, algo que no começo eu achei feio pra diabo com a primeira área do jogo, Ruins, sendo quase totalmente roxa por toda a parte. Mas na medida em que eu fui progredindo, os locais definitivamente foram ficando mais atrativos e essa sensação de escuridão constante transmite, de fato, uma atmosfera de que eu realmente estou em algum tipo de mundo subterrâneo. Minha área favorita, visualmente falando, é a Waterfall, mesmo com os gráficos simples eu fiquei realmente impressionado com o modo como as cores escuras se misturavam com uns assets azuis brilhantes, especialmente a água.


Os detalhes visuais também acabaram pegando a minha atenção. Por exemplo, se você prestar bem atenção nos arredores da tela, vai ver que o Flowey anda te stalkeando durante a sua jornada inteira, outro exemplo, que nesse caso se aplica mais a background, é que em Snowdin tem um lobo que é visto pegando uns blocos de gelo produzidos por uma máquina e jogando no rio... E basicamente, os blocos são vistos flutuando em outras telas também, inclusive o propósito disso tem a ver com algo mais tardio no jogo, tudo isso relacionado a um mero NPC. E pra ser franco... Até as telas de batalha serem totalmente pretas só com os seus oponentes aparecendo em preto e branco também adicionam um pouco mais a essa atmosfera criada pela direção artística do jogo, pelo menos fazem mais sentido do que as telas de batalha de Earthbound serem totalmente psicodélicas parecendo que o Ness injetou LSD até na veia do saco antes da luta.

Além de que essas telas de batalha mostram outro ponto forte da direção artística de Undertale: O design dos monstros... Tá bom, nem todos eles são exatamente o melhor exemplo de criatividade, mas vai, não é em todo jogo que você vê um veado com árvores nas galhadas, ou um cachorro com uma armadura de cavaleiro medieval e uma lança com cara de cachorro, ou um mini-vulcão com uma de personagem kawaii de anime... Ou um avião com chapéu de madame que age como tsundere, porra! Em que outro jogo você vê esse tipo de coisa? Nenhum, eu te digo!

... Ok, talvez algum Mother tenha umas coisas meio bizarras pra você enfrentar também, mas Undertale é um jogo que literalmente não se segura com isso. E essas comparações com Mother ou Earthbound enchem o saco, né? Eu sei que enchem, mas é impossível não fazê-las nesses aspectos, especialmente considerando que Undertale foi inspirado nesses jogos e também um pouco em Shin Megami Tensei, então esse jogo meio que tá pedindo pra essas comparações serem feitas. Mas eu vou tentar mantê-las ao mínimo durante o resto do texto... Tentar é a palavra-chave, não tô garantindo que vou conseguir. De qualquer forma, Undertale não é exatamente o jogo com os visuais mais deslumbrantes que eu já vi, mas a direção artística e os designs dos personagens como um todo me agradam enquanto os gráficos em si não fazem exatamente feio também, então isso é o suficiente pra eu aprovar a parte visual.

Um mundo de trocentas possibilidades diferentes


Antes que eu possa falar sobre o que eu disse que iria falar aqui, acho que eu deveria contar como foram meus primeiros minutos jogando Undertale. Depois de ver a intro, eu fui parar em um lugar escuro e encontrei uma flor aparentemente amigável chamada Flowey, que disse que um coração que apareceu ali na tela é a minha alma e que ela pode ficar forte ganhando LV, que nesse jogo significa LOVE... Então o Flowey se revelou um filho da puta fingindo que ia me dar LV quando na verdade ele me atacou, dizendo que nesse mundo é matar ou ser morto, e nisso ele tenta me matar. Só que eu sou salvo pela Toriel, que meio que me ensina que nas batalhas, além de simplesmente matar os monstros e ganhar EXP, eu posso interagir com os monstros de formas diferentes e depois usando a opção Spare pra terminar a luta pacificamente sem matar ninguém.

Então ok, já que o jogo me encorajou a fazer isso, eu prossegui sem matar ninguém até chegar no ponto onde eu tive que lutar contra a Toriel porque ela não queria que eu saísse das ruínas. Como diabos era a luta com a Toriel? Conversar não adiantava, os ataques dela eram difíceis de desviar, mas ela hesitava em me matar quando eu ficava com HP baixo, então a outra coisa que eu achei que daria pra fazer é lutar com a Toriel, fazendo com que o HP dela ficasse baixo o suficiente pra eu poder usar Spare e acabar a luta sem precisar matar ela. O problema é que o Spare inicialmente não funcionou quando ela tava quase morrendo, e então... Eu fui lá e ataquei mais uma vez porque pensei que eu ia ter que derrotar a Toriel na luta, mas o jogo não iria matar ela agora.

... Exceto que ela morreu, disse as suas últimas palavras sobre não permitir que o plano do Asgore se concretize e desapareceu igual poeira. Claro, não era isso que eu queria ter feito, então eu fiquei puto porque acabei de matar uma personagem que eu gostava e não tinha o menor motivo pra matar... Dei load no meu save, o diálogo da Toriel mudou um pouco e ela mencionou algo como eu estar com cara de quem acabou de ver um fantasma. A luta começou de novo, tentei fugir e não deu em nada, e aí acabei só usando Spare incansavelmente até isso acabar dando certo e a Toriel desistir aos poucos de tentar me prender nas ruínas. Pareceu tudo ok, não é? Não matei a Toriel e pude sair das ruínas sem peso na consciência apesar do diálogo estranho lá.

Bem, aí o Flowey apareceu e falou que eu me arrependi de ter matado ela e dei load no meu save pra consertar o meu erro, porque eu tenho esse poder. Que porra é essa? Como ele soube disso? Agora eu sequer me sinto bem por ter consertado a merda que eu fiz já que o jogo ainda se lembra que eu a fiz... Então eu reinstalei essa merda e fiz questão de não matar a Toriel... No entanto, eu meio que matei alguns monstros porque achei que seria conveniente evoluir alguns LOVEs enquanto eu progredia no jogo. Depois, o Flowey falou aquilo que eu disse sobre eu ter poupado a Toriel, mas qualquer monstro que eu matei ali poderia ter sido a Toriel de outro. Jesus, esse jogo... Mas a esse ponto eu tava com preguiça de começar tudo de novo, então foda-se, matei uns monstros e fui continuando assim mesmo, dessa vez tendo em mente que eu não devo matar mais nenhum durante o resto da minha jornada.

Acontece que existe sim mais um personagem "misterioso" em Undertale, e esse personagem... Sou eu, ou você, ou qualquer um que estiver jogando o jogo. Demorou um pouco pra cair a ficha, mas Save, Load, Reset e essas mecânicas que você já viu em vários outros jogos na verdade fazem parte do universo desse, ou seja, ele quebra a quarta parede. Porém... Não é aquela coisa de quebrar a quarta parede toda hora de uma maneira barata e preguiçosa pra jogar uma piada sem graça ali no meio, Undertale quebra a quarta parede porque realmente a trata como se fosse um personagem do jogo consistentemente, em uma quantidade considerável de ocasiões o jogo estava dirigindo as suas palavras diretamente a mim... Não a Frisk, mas a mim mesmo, e isso realmente fez com que eu me sentisse sendo julgado durante toda a experiência.

Pois então, as suas ações em Undertale importam bem mais do que você imagina e todo o desenrolar da história do jogo está nas suas mãos, o que significa que se você pegar algum final indesejado, a culpa foi sua por ter jogado de modo que chegasse até aquele final. Na primeira vez que eu joguei, eu peguei um final neutro bem meh e resolvi tentar de novo dessa vez sem matar ninguém, a conselho do próprio Flowey... Mas sim, como eu disse antes, você pode escolher matar ou simplesmente poupar monstros nas batalhas, e com isso existem três possíveis rotas pro seu jogo: Neutral Route, Genocide Route e True Pacifist Route. Os nomes são auto-explicativos, eu suponho, na Neutral Route você simplesmente joga o jogo matando ou não matando como quiser, na Genocide Route você vira um genocida que mata todo mundo e na True Pacifist Route você não mata ninguém e fica amigo de todo mundo.

Uma coisa que eu vejo muita gente fazendo é chegar no povo que começou a jogar Undertale e falar "NÃO MATA NINGUÉM, JOGA ASSIM E ASSADO" logo de cara. Pessoal... Não façam isso, esse jogo é muito melhor quando você joga ele sem nenhum conhecimento desse tipo de coisa. Claro, lendo essa review você já vai imaginar que matar personagens no jogo dá merda, mas eu avisei bem lá no começo que haveriam spoilers potenciais que podem arruinar uma primeira impressão do jogo pra alguém. Se você nunca jogou Undertale na vida, continuou lendo mesmo assim e agora tá com essa cara de cu, você só tem a si mesmo pra culpar. Sobre o que eu dizia antes, alguém pode me falar que diz pro jogador não jogar de jeito X porque ele pode acabar fazendo a Genocide Route... Mas não, é bem improvável que alguém faça a Genocide Route acidentalmente como a primeira rota do jogo, você tem que literalmente estar tentando pra entrar nela e um jogador novato jamais saberia disso.


Olha só... Eu gastei tanto texto falando do sistema do jogo e de como foi a minha primeira experiência que só agora eu me toquei que ainda não mencionei como o gameplay em si funciona. Pois bem, no overworld você faz literalmente o que faz em qualquer outro jogo nesse gênero: Anda por aí, interage com NPCs, compra coisas, explora, resolve uns puzzles, etc e tal. Mas nas telas de batalha as coisas mudam um pouco, porque enfrentando um ou mais monstros você pode ir no Fight e simplesmente atacar o infeliz até ele morrer e te dar EXP, ou você pode ir no Act e escolher entre ações não-violentas que variam de monstro pra monstro. Por exemplo, lutando contra uma monstro-fêmea [?] chamada Shyren que aparentemente tem vergonha de si mesma e ataca com notas musicais vindas da sua cantoria, e pra se dar bem com ela você tem que ir no Act e escolher cantarolar junto, depois vai poder ir na opção Mercy ali pra dar Spare e assim resolver o conflito não-violentamente.

Isso significa que os monstros vão parar de te atacar caso você esteja tentando dar Spare neles? Não, eles te atacam e os ataques deles aparecem logo ali na tela como projéteis que tiram seu HP caso eles acertem a sua alma, que durante os turnos onde os inimigos atacam é totalmente controlável em uma espécie de Bullet Hell onde você vai desviando de todos os projéteis na tela até o turno do seu oponente acabar. Mas nem sempre você só dá Spare nos monstros seguindo somente opções de diálogo, alguns requerem que você pegue projéteis verdes durante os ataques dele, como um monstro chamado Woshua que tem mania de limpeza e quando você o pede pra te limpar, ele solta um monte de projéteis e uns verdes que seriam os de limpeza, pegar os projéteis verdes geralmente libera a opção de Spare pra ser usada contra o monstro que usa eles e aí a luta acaba. Outra opção seria atacar um monstro até o HP dele ficar baixo o suficiente pra você poder usar Spare, mas... Eu não aconselharia a fazer isso, é meio que fácil matar um monstro sem querer quando você só queria deixar ele enfraquecido pra dar Spare.

A maioria das batalhas normais geralmente são resolvidas dessa forma caso você esteja com vontade de ser um pacifista no jogo, vencendo elas assim você não ganha EXP, mas ganha dinheiro.

"Então... Sem EXP eu vou ficar no LV 1 o tempo todo? Mas isso não pode, Roberto! Os inimigos depois vão começar a me violar sem piedade, não vou durar nem 10 segundos contra eles!"

... Não, eles não vão. Digo, claro, o jogo vai ficar meio que difícil caso você realmente fique sem EXP, afinal seu HP fica só nos 20 a menos que você durma em algum hotel e aí ele suba pra 30 depois de um tempo... Mas você fica relativamente fraco sim e precisa contar com equipamentos decentes de defesa e alguns itens que dão buffs em casos mais extremos. Mas provavelmente vai ficar tudo ok se você só pegar o padrão de como os projéteis dos inimigos se comportam e desviar igual um maluco. E não é como se o jogo fosse injusto sobre isso também, nenhum inimigo pode te matar em questão de segundos só com 1 ou 2 hits mesmo com você estando com LV 1, a menos que você esteja com a Bandage como armadura desde o começo do jogo.

Uma coisa boa nesse caso é que as lutas aleatórias desse jogo não ficam acontecendo toda hora, e mesmo algumas que acontecem nem sempre costumam ser contra os mesmos monstros, mas as que são costumam ficar meio repetitivas depois de um tempo. Claro, você pode dar Spare de outras formas em alguns, mas... O resultado é meio que sempre o mesmo, você não ganha nada de diferente caso tente procurar outras formas de Spare, então não faz muito sentido mudar a estratégia a menos que você queira ver uma outra cena mais engraçadinha na luta, como por exemplo guardar a vara que era a sua arma no começo do jogo e depois usar ela pra jogar pros cachorros pegarem nas lutas contra eles. O resultado é o mesmo, só muda que você brincou de jogar vareta com eles... O que é legal, mas eu me sentiria mais incentivado se eu realmente tivesse mais motivos pra isso além das cenas diferentes, que eu admito que até são divertidas apesar de tudo.

De qualquer forma, não me incomodo tanto assim... Até porque batalhas aleatórias não são exatamente frequentes, então o jogo não se dá muitas oportunidades de ficar repetitivo nesse quesito. No entanto, o ponto alto de longe são as lutas contra os bosses, elas vão testar seus reflexos e exigir uma precisão absurda com os seus movimentos na maior parte do tempo, mas ao invés de serem meramente versões mais difíceis das lutas normais, cada uma dessas lutas possui seu próprio elemento único que distingue uma da outra e o desafio é meio que montado em cima disso. Em alguns casos, eles usam ataques de cores azuis ou laranjas que você respectivamente tem que ficar parado ou se mover enquanto atravessa o projétil pra evitar dano, em outros a cor da sua alma muda e assim o gameplay muda também.

Por exemplo, com a sua alma estando azul durante a luta com o Papyrus, o jogo vira meio que um platformer onde as leis da gravidade se aplicam ao campo e por isso você tem que pular na hora certa pra evitar os ataques, na luta com a Undyne a sua alma fica verde e tudo o que você tem que fazer é posicionar o escudo nas direções ao redor pra bloquear os projéteis que ela manda... E basicamente cada boss desse jogo tem uma coisa desse tipo, meu favorito talvez seja o Mettaton que transforma o jogo em um shooter de nave, apesar de eu não ligar pra ele como personagem e não achar as intrusões dele na história particularmente engraçadas. E assim como nas lutas normais, você pode matar os bosses também, ou pode arranjar alguma solução pacífica pras lutas, essa também varia de boss pra boss, mas o segredo geralmente é não lutar e segurar os ataques enquanto os convence a parar de lutar de alguma forma, liberando então o Spare.

... E se você for muito filho da puta, pode convencer o personagem a parar de lutar, fazendo com que o ele baixe a guarda e assim você aproveita a chance pra dar um só golpe que acaba com ele de vez, o mesmo ficando surpreso que você tenha feito algo tão baixo.


Antes que eu continue falando sobre ser filho da puta... Eu gostaria de expressar minha satisfação e decepção ao mesmo tempo com o overworld que Undertale me oferece. Pra quem gosta de explorar, achar segredos e coisas do tipo, esse overworld é bem rico, você pode saber mais das vidas dos monstros, até encontrar coisas relacionadas a monstros que você enfrentou antes, o que pode ou não te deixar mal caso você tenha matado o dito cujo antes de explorar e saber qual é a dele de uma forma mais detalhada. Além disso, você tem que explorar sim caso queira pegar o melhor final do jogo na True Pacifist Route já que tem que fazer amizade com todos os personagens do jogo, até mesmo a Undyne que provavelmente era a criatura com mais vontade de te apagar no jogo inteiro. Claro, assumindo que você já tenha completado a Neutral Route antes, caso contrário não vai ser possível ir pra True Pacifist Route ainda... Mas acalme-se, o jogo em si é tão curto que terminar ele várias vezes realmente não é um problema, ainda mais em jogadas subsequentes onde você já sabe o que fazer.

Outra coisa que eu gosto sobre o overworld é que ele se adapta ao modo como você anda jogando... Se você tá na Neutral ou na True Pacifist Route, os NPCs só estão lá vivendo suas vidas, felizes, conversam com você e etc, mas na Genocide Route o povão literalmente foge de você, as cidades normalmente ficam vazias e você pode explorar elas como quiser, até mesmo roubar coisas das lojas que agora não têm ninguém pra te vender itens. Então, de certa forma, isso somado às sidequests que se consistem em achar e enfrentar monstros especiais, torna Undertale um jogo com conteúdo pra caralho, é provavelmente impossível ver tudo o que esse jogo tem e descobrir todos os segredos na primeira vez em que você o jogar, e isso certamente não é uma coisa ruim.

O que mais me decepciona sobre o overworld, no entanto, é a parte das "dungeons" onde você passa pelos desafios do overworld, geralmente em forma de puzzles, até chegar na área onde fica o boss dessa "dungeon"pra você derrotar. Isso não é nada inédito, acho que quase todo RPG ever tem dungeons com puzzles e coisas do tipo pra você encontrar o caminho até o boss... A menos que estejamos falando de Final Fantasy XIII, mas... Pff, Final Fantasy XIII.

Acontece que Undertale tem uns puzzles bem... Eh... Provavelmente o momento em que essa expressão não poderia ser mais adequada. Nenhum puzzle que eu cheguei a completar nesse jogo me fez pensar "Oh, isso foi inteligente!" e nem nada do tipo, a maioria deles são bem simples e alguns como aqueles de posicionar blocos de modo que dê pra atirar no bagulho lá que tá do outro lado da tela são repetidos e não ficam menos tediosos com isso. Enquanto o overworld em si é interessante, essas áreas onde o jogo tenta te desafiar nele só me passam a impressão de que eu tô tendo o meu ritmo quebrado e que eu só poderia ir pro boss logo sem tanto padding no meu caminho... E não é como se o design das áreas fora dos puzzles nesses lugares fosse a coisa mais inspirada do mundo também.

Até eu chegar em Hotland, eu já tava cansado desses puzzles mesmo na primeira vez em que eu joguei... Então eu fui meio que só passando em piloto automático pela dungeon, dando um suspiro de insatisfação quando percebo que vou ser forçado a parar pra fazer puzzles e depois abrir o caminho pra continuar. Também não gosto muito do backtrack que você precisa fazer quando tá perto do final do jogo e sem itens de cura, caso esteja precisando comprar outros e não tenha muitos sobrando na caixa, tendo que voltar até o ponto onde tinha uma loja antes e comprar itens de cura lá... Os elevadores tornam isso menos monótono, mas ainda assim é um saco ter que voltar tanto só por causa disso, mas pelo menos o jogo te dá várias oportunidades de fazer isso caso precise, então não é de todo mal também.

No fim das contas, eu gostei de ter feito a True Pacifist e a Neutral Route, apesar de que a segunda mencionada pode ter finais variáveis dependendo de quem você mata/poupa no seu caminho neutro, mas eu não fiz todos, só alguns que eu gostei e outros que nem tanto, já o final da True Pacifist Route é o final mais doce possível pra esse jogo. Por outro lado, existe a Genocide Route... E nela você tem que ser um filho da puta imenso, o que pode ser uma boa mudança de ritmo, afinal você deixa de ser o herói do jogo pra se tornar o vilão e matar todo mundo no seu caminho, os personagens ficam aterrorizados com você, que aos poucos vai se tornando a maior ameaça que existe pro mundo no qual se reside no momento.

O problema é que eu descobri que a Genocide Route... É inacreditavelmente chata de se progredir. Você não tem simplesmente que matar todos os monstros com os quais você for lutar no caminho, tem também que matar um certo número de monstros até que você entra em uma batalha e aparece a mensagem "But nobody came" que basicamente significa que você matou todo mundo naquela área. Você deve estar se perguntando o que há de errado com isso... Então, lembra de quando eu disse que as batalhas aleatórias nesse jogo acontecem bem ocasionalmente? No caso da Genocide Route, isso se mantém, o que significa que você tem que ficar uma quantidade ridícula de tempo andando por aí nos locais, na esperança de que apareça alguma tela de batalha pra você matar um monstro. As batalhas não ficam mais frequentes e nem nada do tipo, então o jogo fica absurdamente monótono, e caso você chegue até algum ponto da história antes de ter matado a quantidade necessária de monstros par aparecer a mensagem de que você matou todos eles... Você fodeu com a sua Genocide Route e vai ter que começar tudo de novo.

Basicamente, a Genocide Route é um grindfest de EXP/LV tedioso entre as lutas com os bosses, que continuam sendo o ponto alto do gameplay e nessa rota e elas mudam devido a circunstâncias da história, mas não vou dar spoilers disso... Só que o final boss da Genocide Route pode enfiar um cactus no cu esquelético dele. Enfim, eu realmente gosto da ideia da Genocide Route e até mesmo do modo como a história se desenrola nela... É doloroso? Sim, mas eu gosto desse tipo de coisa nos meus jogos, o problema é que "trabalhar" na Genocide Route é chato, o único motivo que eu tinha pra me determinar a continuar indo era a história, eu realmente fiquei curioso pra ver que tipo de final sombrio me aguardava no jogo... E não fiquei decepcionado. Só que... Sim, ir na Genocide Route como a sua primeira rota geralmente não é uma boa ideia, porque terminando com ela, o seu jogo fica encapetado... Meio que pra sempre. A menos que você apague manualmente os efeitos dela do seu save mexendo nos arquivos, e se você realmente quiser um final feliz de novo depois de terminar a Genocide Route, eu sugiro que você faça isso.

... Os finais "felizes" após ter feito a Genocide Route são cruéis, só isso.

Isso é tudo o que eu tenho a falar sobre o gameplay, gosto de uma caralhada de coisas sobre ele, não gosto tanto assim de outras, acho que umas outras poderiam ter sido melhor executadas... Mas no geral, Undertale foi um jogo que me manteve ocupado por um bom tempo e na maioria das vezes eu joguei sem muitos problemas.

Um complemento perfeito pra direção artística


Uma coisa sobre Undertale que eu vi sendo universalmente elogiada, até mesmo pelo povo que não gosta do jogo, é a trilha sonora... E eu devo dizer que não discordo nem um pouco e nem acho que esses elogios não são merecidos. Se eu achei que a direção artística do jogo já proporcionava uma atmosfera única pro mesmo, a trilha sonora é a cereja no topo desse bolo, até mesmo as ruínas do começo do jogo que eu não achei particularmente bonitas tinham uma música no fundo que refletia todo o ar pacato que o local tem em comparação com o lado de fora dele no Subterrâneo. A música da batalha contra a Toriel também consegue ser bem dramática, combinando uns aspectos de chip de som 8-bit com umas orquestras, e a maioria das músicas dos outros bosses também meio que refletem as personalidades deles, ou a situação em que você se encontra enfrentando eles, a música da luta com o Papyrus tem um ar meio cômico, a da Undyne soa heroica demonstrando toda a determinação dela em de matar pra levar a sua alma pro Asgore.

Antes eu tinha mencionado a Waterfall como um lugar bonito de se olhar, e a música dessa área é provavelmente a minha escolha pra música de ambiente mais bonita do jogo também, ela dá todo um ar solene e melancólico no começo como se fosse um build-up e vai ganhando mais vida na medida em que progride. Praticamente todas as músicas desse jogo me agradam e eu poderia ficar citando uma por uma se quisesse, mas isso tornaria esse texto desnecessariamente longo, então só vou dizer que Undertale tem provavelmente a minha trilha sonora favorita que veio de um jogo desde que eu joguei Nier.

Por outro lado, os sons que os monstros fazem... Eh, no começo eles não me incomodavam muito, mas na medida em que eu fui ouvindo e ouvindo cada vez que eles falavam, eu comecei a achar eles meio que irritantes. Cada monstro faz um barulho diferente pra simular as falas enquanto o texto vai passando, algo parecido com Banjo-Kazooie... E nem naquele jogo eu gostava disso porque também achava que os sons iam ficando irritantes com o tempo, mas de qualquer forma, não é nada com o que eu não possa lidar também, vai ver as músicas me fizeram não ligar muito pros sons no fim das contas.

Considerações finais

No fim de tudo... Eu tô em algum desses dois bandwagons que se formaram em volta de Undertale? Não, não considero Undertale como o melhor ou um dos melhores jogos já feitos, mas também passo bem longe de considerar esse jogo como ruim, tampouco horrível como diz o lado dos detratores. E realmente, Undertale pode não ter me convencido ser a obra de arte impecável que sua fanbase diz ser, mas se alguém me perguntar qual foi o jogo inédito mais memorável que eu joguei nos últimos tempos, existe uma chance bem grande de "Undertale" ser a minha resposta. Afinal, esse jogo não só se adéqua aos meus critérios de Jogo Indie Que Não é Só Uma Manifestação Dos Desenvolvedores Sugando os Próprios Caralhos, como também é legitimamente uma aproximação única a um gênero dos quais os jogos hoje em dia têm sérios problemas pra se destacar e serem únicos.

Pode não ser exatamente o melhor na execução de alguns elementos, mas o que Undertale faz certo, faz certo pra caralho, o mero ato de lutar contra monstros que é uma coisa comum em RPGs ganha uma nova profundidade que nem mesmo os jogos nos quais essa mecânica foi inspirada conseguiram alcançar. Toda a interação entre o jogador e o jogo é tão genial e bem colocada que eu legitimamente fiquei preso dentro do jogo e não descansei até garantir que todos tivessem um final feliz... E quando o fiz, não consegui criar coragem pra resetar o jogo, pois eu sabia que eu estaria arruinando o final feliz. Talvez eu leve video games a sério demais... Mas sim, eu iria me sentir realmente mal se fizesse isso, então arranjei uma cópia, deixando o jogo com meu save do final feliz intacto e fui fazer a Genocide Route na cópia pra depois ver os efeitos dela no resto.

Só esse fator de fazer com que eu me importe com um monte de pixels mais do que eu já me importo já torna Undertale um jogo sensacional no meu conceito. Carece de mais criatividade nos puzzles e talvez mais significância nas formas diferentes de dar Spare em um monstro pra evitar lutas aleatórias repetitivas, além das próprias lutas aleatórias se adaptarem à rota que você escolher. Mas não é como se o jogo fosse mal feito/programado ou algo assim, ele é competente no que faz, só que ainda há o que melhorar e eu consigo imaginar um jogo realmente incrível saindo do que começou com Undertale, caso o Toby Fox faça uma sequência ou algum outro jogo do mesmo gênero. Se isso vai acontecer ou não depois eu não sei, mas caso não aconteça... Por mim tá ok, já fico feliz com o fato de que algo como Undertale exista pra início de conversa, foi uma puta experiência.

O que mais eu posso falar? Se você não jogou Undertale ainda, provavelmente deveria, nem que fosse mais pela experiência do que o jogo propriamente dito... Insira alguma piada sem graça sobre determinação aqui pra encerrar a review.

Prós:
+ Uma das histórias mais bem-escritas que eu vejo em um jogo há um tempo.
+ Sistema de batalha com mecânicas consideravelmente únicas.
+ Designs de personagens criativos.
+ Além de tudo, é um dos jogos mais rejogáveis que eu vi recentemente também.
+ Trilha sonora absolutamente incrível.

Contras:
- Passar pela Genocide Route é um tédio do caralho, só persisti pela história mesmo.
- Os puzzles nos mapas mais quebram o ritmo do que adicionam variedade no jogo.
- As batalhas aleatórias podem ficar repetitivas depois de um tempo.

Gráficos: 7/10
Enredo: 9/10
Gameplay: 7/10
Som: 9/10
Conteúdo extra: 10/10

Veredicto:

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