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Diversão (não tive criatividade pra um título melhor)

By : Ryu

Lembra de quando lá pra 2008-2011 o pessoal se irritava com pessoas que ligavam pra gráficos nos jogos? Se alguém por acaso dissesse que tal jogo não tá com gráficos muito bons, sempre vinha um e falava "AIN MAS GRAFICOS N IMPORTAM O QUE IMPORTA É A DIVERSÃO" e um monte de gente concordava com ele. Então com os anos as pessoas foram repetindo isso o tempo todo até que eles viraram os novos chatos do momento enquanto o pessoal dos gráficos foi relativamente esquecido.

Eu nunca concordei com essa afirmativa de que "o que importa é a diversão", sempre achei ela extremamente idiota e quem diz isso obviamente não faz ideia do que diabos ele/a tá falando. Se você ainda fala esse tipo de bobagem e tá lendo esse texto aqui e agora... Eu quero fazer uma pergunta que eu espero que você ao menos saiba responder.

O que exatamente é "diversão"? O que torna um jogo "divertido"?

Pense, repense, responda isso mentalmente e então continue a ler o texto depois.

Ah, pra mim um jogo divertido é aquele jogo que dá pra você dar tiro nos outros. Mas praquele cara um jogo divertido é daqueles que você joga com um personagem cartunesco e sai pulando na cabeça dos outros. No entanto praquela outra pessoa ali em um jogo divertido você atira pássaros em porcos usando um estilingue com a intenção de matar todos eles. E praquele outro cara ali, um jogo divertido é aquele que você usa uma espada e sai cortando todo mundo, fazendo combos e etc. E pro outro cidadão ali jogo divertido é jogo de esportes.

Percebeu o que eu quis dizer com isso? Diversão é algo que pode ter uma caralhada de significados diferentes, porque é um conceito que varia de pessoa pra pessoa independente de qual seja o contexto no qual você o use. Por exemplo, eu mesmo acho Minecraft um saco, já tentei jogar esse jogo, fiquei entediado, não entendi o que as pessoas viam demais nele... Mas meu irmão mesmo gosta, ele diz que acha divertido sair montando coisas com blocos e tal. Eu tenho como provar que Minecraft é um jogo ruim? Não, afinal de contas ele não tem nada quebrado, você tem os blocos e as coisas lá, você bota onde você quer, eles ficam onde você colocou, tem bichos andando por aí, você pode matar eles sem nenhum grande problema técnico ou coisa do tipo.

Então o que eu vou dizer? Que Minecraft não é um jogo que não tem "diversão"? Não, que simplesmente não me atrai, mas não tem nada realmente errado com esse jogo. Assim como eu por exemplo gosto de platformers e algum outro cara pode não ver nada demais por simplesmente não gostar muito do estilo de jogo. Agora se esse maluco vier falando "AFFFFF ESSE JOGO É UMA MERDA VC SÓ CORRE E PULA NEM É DIVERTIDO", aí ele já tá falando bosta e eu vou simplesmente mostrar que ele tá falando bosta de fato com qualquer argumento aí que eu tiver, seja mostrando como as mecânicas de tal platformer realmente funcionam ou o que for.


"Mas então isso significa que todo jogo pode ser divertido e que é tudo pessoal?"

Sim e não. Mas calma aí que eu só tô começando, então continue comendo seu lanche e tomando seu suco de laranja aí enquanto lê.

De certa forma... É verdade. Literalmente tudo pode ser considerado como "divertido", independente da maneira que for. Mas isso não significa que todo jogo é automaticamente bom ou competente o suficiente pra cair nessa definição... Na verdade eu acho que isso não se aplica nem a filmes, desenhos, músicas ou o que for. Quando eu por acaso me refiro a algum jogo ou aspecto de tal aqui como "divertido", eu estou falando por mim mesmo e não afirmando que tal coisa é universalmente divertida e que qualquer pessoa que questionar está redondamente errada. Eu, pessoalmente, acho divertido explorar os mundos de JRPGs, sair voando por aí, entrando nas cidades, vasculhando os cenários e achando recompensas... Eu gosto disso. Mas eu conheço gente que não tem paciência pra isso e só segue a história principal.

O jogo te dá essas opções, você joga ele como quiser e ele só recompensa mais as pessoas que exploram, até porque é justo considerando que isso é um esforço a se fazer, ao mesmo tempo que não pune severamente quem não curtir muito exploração. É possível terminar pelo menos a história principal da maioria dos JRPGs bons sem ficar se preocupando em pegar todos os itens secretos possíveis e as melhores armas/habilidades dos personagens. Isso é game design bom, você joga o jogo como te der na telha, e privar o jogador dessa liberdade de escolha de como ele quer jogar é um dos motivos de eu dizer que Final Fantasy XIII, por exemplo, é uma grande pilha de merda.

Então tá, existem jogos que simplesmente não se trata de questão pessoal pra você dizer se são bons ou não. E é exatamente aí onde eu quero chegar: Existe uma diferença gritante entre gosto pessoal e objetividade. Falando nos extremos: Existem jogos bons e existem jogos ruins. Disso todo mundo já sabe, né? Se você jogar um jogo que tem ideias ótimas, execução boa, tudo funcionando bem e mecânicas polidas... Então ele é um jogo bom. Mas se você joga um jogo e ele é totalmente bugado, tem controles imprecisos, problemas de câmera, colisão e o caralho a quatro... Esse jogo então é ruim, é mal feito.

O que me chamou atenção pra fazer esse post foi que há um tempo atrás eu tava discutindo com um cara no Skype porque ele tava defendendo Batman: Arkham Origins e teimando que nem uma mula que "apesar das falhas o jogo é divertido" como se isso realmente fosse algum argumento... E também que há um tempo atrás um adm de uma página de Sonic do Facebook tava jogando Sonic '06 e afirmando que "as falhas do jogo não comprometem a diversão". Sabe qual é a parte engraçada dos dois casos? A discussão com os dois chegou ao ponto onde ele decidiu terminar dizendo "É a minha opinião e você não vai mudar ela".

Você faz ideia do quão hilariamente absurdo isso soa quando você para pra pensar no que acabou de falar?

"Esse jogo é quebrado, os controles são ruins, a frame rate fica caindo toda hora por qualquer coisinha, você morre ou tem que resetar por causa de bugs ou porque a câmera atrapalhou, os gráficos são mal feitos, a história não é muito boa... Mas nada disso compromete a diversão!"

É exatamente isso que você tá falando, só de uma maneira mais "formal" que faça parecer que os jogos em questão não têm tantas falhas assim. E qualquer pessoa que esteja ao menos ciente do quão ruins esses jogos são por ter jogado por si mesma provavelmente vai rir na sua cara ou então não te levar nem um pouco a sério. Sem falar que isso pode ser usado pra defender literalmente qualquer jogo ruim que você quiser escolher: Bubsy 3D, Superman 64, Dr. Jekyll & Mr. Hyde, Sonic Boom, Daikatana... Qualquer um, mesmo, você pode pegar qualquer um desses e só dizer "as falhas não comprometem a diversão".

"Ah m-mas esses jogos aí são muito ruins, aí as falhas comprometem mesmo a diversão."

E as falhas dos outros dois jogos ruins que tu curte ali não comprometem por que? Porque eles não são tão ruins quanto? Não é porque existem jogos piores que Sonic '06 ou Batman: Arkham Origins que eles deixam de ser ruins, isso é a mesma coisa que dizer que comer comida podre não é tão ruim porque a gente poderia estar comendo bosta literal ao invés disso.

Isso não significa que você não possa gostar de algum jogo ruim, mas significa que você ao menos tem que ser sensato o suficiente pra saber que é ruim e não ficar falando asneira de "diversão" na hora de tentar defender. Aliás, isso é uma coisa que sempre mexe com a minha cabeça... Qual é o problema de você dizer que gosta de um jogo ruim afinal de contas?

Eu mesmo gosto de jogos ruins ou pelo menos medianos e não vejo problema em dizer isso. Gosto de Sonic Heroes, Street Fighter: The Movie, tenho um "soft spot" por Spider-Man: Edge of Time... E provavelmente tem mais que não me vem na cabeça agora. Mas eu já afirmei em algum momento que algum desses jogos aí são bons? Não, eles são medíocres na melhor das hipóteses, Sonic Heroes por exemplo tem controles escorregadios pra caralho, problemas de câmera e bugs que acontecem sem muita justificativa como você estar escorregando numa rail, fazer o comando pro Sonic saltar pra rail do lado e aí ele simplesmente dá um pulo pro lado que vai mais longe do que a localização onde a rail tá. Sem falar do fato de que você joga as exatas mesmas fases com alterações mínimas quatro vezes pra poder conseguir a Last Story.

Sabendo dessas falhas... Eu deixo de gostar desse jogo? Não, essas falhas não atrapalham a mim com muita frequência... Mas aí, de novo, eu tô falando por mim mesmo. Eu conheço outras pessoas que simplesmente não gostam desse jogo justamente por causa dessas falhas que atrapalham elas muito mais do que acontece comigo, seja por eu ter me acostumado ou o que for. O que eu faço? Elas estão erradas e eu vou sair falando "HURRRR DIVERSÃO" pra elas? Não, eu sei que esse jogo tem essas falhas, falhas essas que não deviam nem estar no jogo pra início de conversa, afinal de contas elas são falhas, o próprio nome diz: Falha, uma imperfeição, um erro que os desenvolvedores não tinham intenção de cometer.

Então sim, eles não estão errados em não gostar de Sonic Heroes por causa dessas falhas. O máximo que eu posso dizer é que quando você se acostuma com os controles ruins e tal, o jogo fica melhor, mas ninguém tem essa obrigação. Se por acaso eu fosse defender Sonic Heroes citando os pontos positivos do jogo, você nunca me veria falando de "diversão" em momento algum porque isso não é, nunca foi e nunca será um argumento aceitável. Eu gosto de Sonic Heroes porque, apesar das falhas técnicas que realmente machucam o jogo, ele tem vários bons conceitos e ideias, a ideia de jogar com os três personagens em equipe lá é boa, o level design dele é consideravelmente aberto, o jogo é muito bonito, a trilha sonora é boa, etc.

Mas ainda assim não digo que esse é um jogo bom, porque os pontos positivos não são o suficiente porque as falhas são graves. Não adianta um jogo ter fundações e ideias ótimas se ele falha na execução delas, o resultado disso é um jogo no máximo mediano que ou alguém pode acabar gostando porque se tá disposto a se acostumar com as falhas ou então essa pessoa pode simplesmente detestar por causa dessas mesmas falhas. Se é "divertido" ou não varia de pessoa pra pessoa, eu acho divertido por esses motivos válidos, mas o fulano ali não acha por esses outros motivos também perfeitamente válidos. Mas objetivamente falando... Sonic Heroes não é um jogo bom, eu queria que fosse, mas não é, eu não vou recomendar ele pra qualquer um que eu vir por aí.

Isso porque Sonic Heroes é um jogo ainda mediano, mas que tal pegarmos um jogo como Sonic '06 que faz praticamente tudo da maneira mais porca possível? Você tem vários personagens pra jogar, mas nenhum deles tem gameplay realmente funcional, você tem hubs gigantes pra explorar sem nada pra realmente explorar e ainda por cima é fácil ficar perdido porque não tem nada memorável e todos os lugares são iguais uns aos outros, você tem algumas fases com level design bom... Porém o jogo é lotado de bugs que te fazem morrer sem você nem ao menos parar pra procurá-los, eles simplesmente acontecem. Eu poderia continuar e dizer que a história é uma bosta mal escrita, que os gráficos são cheios de serrilhados, personagens mal animados, texturas fracas na cidade.. E mais um monte de coisa.

Esse é o tipo de jogo que se mantém consistentemente ruim do começo ao fim, não tem polimento, não faz nada do que se propõe a fazer de maneira minimamente aceitável e os poucos momentos empolgantes nas fases não chegam nem perto de ser o suficiente pra compensar o que ele faz de errado. Isso não tem nada a ver com "diversão", uma pessoa pode se divertir com Sonic '06 rindo desses bugs, mas isso é o tipo de diversão que ocorre por todos os motivos errados. Então... O que você vai dizer? Que o fato de que o jogo consegue ser um lixo em praticamente todos os aspectos possíveis não compromete a "diversão"? Se por acaso você não se incomodou muito com as falhas... Parabéns, você é algum tipo de masoquista, mas isso é só você, o jogo não é muito menos mal feito só porque você por algum motivo gostou.

Seja homem pelo menos uma vez na vida e diga "Eu gosto desse jogo, mas ele é uma bosta e eu não recomendo que alguém realmente compre isso a menos que tenha padrões muito baixos e esteja ciente de que é um jogo ruim". Não é difícil, ninguém vai te bater por isso e você não vai parecer um retardado aí falando "hruhruhrurhurhuh n compromete diverção deem uma chance XD" pra depois alguém de fato dar uma chance ao jogo seguindo seu conselho e não gostar.


Então fica a pergunta: O que torna um jogo objetivamente bom, ótimo, incrível ou o que for? Gráficos? Gameplay? Atmosfera? Trilha sonora? Inovações? Ideias únicas? Enredo?

A resposta pra isso é simples, curta e grossa: Tudo.

Todos esses aspectos são importantes de uma maneira ou de outra. Claro que uns têm mais importância do que outros, afinal de contas é mais fácil perdoar, por exemplo, um jogo com gráficos ruins e gameplay bom do que um jogo com gráficos lindos e gameplay horrível. E de fato, nem todo jogo bom acerta em todos esses aspectos, existem vários jogos por aí com gameplay bem feito, mas com gráficos ruins ou músicas não muito memoráveis ou talvez uma história ruim... Ou então esse jogo é bom o suficiente na maioria desses aspectos, mas não é realmente único e existem vários outros que fazem o mesmo melhor. Isso ainda o torna um bom jogo, mas talvez não muito memorável, aquele tipo de jogo que você vai gostar enquanto joga, mas possivelmente vai esquecer que existe uns meses depois de terminar.

No entanto, é sempre notado por qualquer reviewer quando um jogo peca em qualquer tipo de aspecto, independente de qual seja. Se um jogo é bom, mas tem gráficos feios/datados ou peca em qualquer outro aspecto, isso vai acabar contando como ponto negativo de qualquer forma. Os jogos com as melhores avaliações tanto com a crítica quanto o público são aqueles que acertam em todos esses aspectos, que acabam sendo não só jogos muito bem feitos como também jogos únicos, marcantes, com sua própria identidade e seu próprio estilo que dificilmente algum outro vai conseguir copiar com perfeição.

Evidente que nem todo jogo é ou vai ser assim e se eu elevar meus padrões dessa maneira pra qualquer jogo novo que eu for pegar esperando ser a próxima grande reinvenção do seu próprio gênero de jogo ou até da indústria no geral, eu vou ficar decepcionado com a maioria deles. Mas isso não me impede de gostar dos jogos bons que não sejam exatamente os melhores de qualquer maneira, eu posso pegar eles pra jogar depois quando estiver com humor e não teria nenhum problema, afinal de contas esses são jogos bons, não "perfeitos", mas bons. É muito mais fácil você rejogar um desses do que rejogar um jogo como Sonic '06 que só de terminar pela primeira vez já é uma luta agonizante.

Ter padrões ou exigências com seus jogos não é uma coisa ruim, muito pelo contrário, só mostra que você não tá disposto a engolir qualquer bosta que mandarem só pra não ser "hater". As pessoas costumam dizer que eu sou chato, que é difícil algum jogo me agradar e tal... Mas francamente, eu não me vejo dessa maneira. Pra me agradar é só o jogo simplesmente ser bem feito e ter algo que me mantenha interessado nele, talvez eu até goste mais do que eu deveria se essa tal coisa que me manter interessado se manter consistentemente boa do começo ao fim do jogo.

Não gostar de jogos ruins não te torna chato e nem ter uma ou duas opiniões diferentes da maioria aí também, afinal de contas o mundo inteiro ama The Last of Us incondicionalmente e eu só o acho um jogo bom, nada mais. Consigo entender por que alguém amaria tanto assim esse jogo, mas eu só... Gostei, foi bom enquanto durou, porém não é um jogo que eu rejogaria toda hora o tempo todo porque eu não senti como se ele fosse exatamente único apesar de ser um jogo realmente bom.

Encerrando esse texto... Eu só quero que você pense direito no que você fala e aprenda a diferenciar gosto pessoal de objetividade. E isso não é uma exigência pra você ser "imparcial" porque eu já disse antes que review ou crítica "imparcial" não existe, vai ter sim a opinião da pessoa que tá fazendo tal review/crítica no meio nem que seja ao menos um pouco. Mas se você for criticar ou defender um jogo, faça pelos motivos certos e não seja um imbecil que nem eu mesmo era nos primeiros anos desse blog aqui.

Agora se você ainda acha que "diversão" e afins são argumentos válidos pra alguma coisa... Então cai fora daqui. Porque eu não quero você lendo meu blog, mesmo se você for alguém que vem acompanhando há um bom tempo, você não é o tipo de "público" que eu procuro com isso.

Top 10: Jogos licenciados que são descaradamente melhores do que o material base

By : Ryu

Qual é o consenso geral sobre jogos baseados em filmes/desenhos/seriados, meus queridos? Que eles costumam ser umas bostas, não é mesmo? E eu concordo com esse consenso?

... Mas é claro, porra! Jogos licenciados no geral normalmente são horríveis, são o exemplo perfeito de jogos preguiçosos que os desenvolvedores defecam sem qualquer esforço colocado neles com a intenção de conseguir dinheiro fácil em cima dos filmes nos quais são baseados. Não estou aqui pra provar que jogos baseados em filmes não são ruins, até porque isso é humanamente impossível a menos que as desenvolvedoras que fazem esses tipos de jogos tomem vergonha na cara e parem de fazer essas cagadas.

No entanto... Alguns jogos licenciados conseguem ser até melhores do que os filmes/desenhos/seriados nos quais eles se baseiam. Não estou nem falando sobre jogos licenciados precisamente bons e sim jogos licenciados que têm um material base tão ruim que eles ironicamente conseguem ser melhores do que tal coisa, mesmo sendo jogos ruins por si só... Ou então também posso estar me referindo a jogos bons baseados em filmes/desenhos/seriados ruins, ou então jogos bons baseados em filmes/desenhos/seriados bons, mas que conseguem me agradar mais do que o material base.

Muita coisa se enquadra nessa lista e eu até demorei um pouco pra pensar nela porque eu joguei muito jogo baseado em filme na minha vida... Infelizmente... Mas alguns poucos valeram a pena. A maior dificuldade em montar essa lista foi que eu precisava checar se o jogo era melhor do que o material base ou não, e isso me impediu de colocar jogos licenciados bons como Spider-Man 2, The Warriors, The Lord of the Rings: The Return of the King ou Matrix: Path of Neo... Se bem que Matrix Reloaded nem foi lá essas coisas, mas ainda assim eu meio que gosto desse filme. Talvez seja nostalgia por ter visto na época, mas foda-se.

Então vamos lá, porque essa lista não vai se digitar sozinha afinal de contas.

10ª posição: Batman & Robin

Acho que todos nós podemos concordar que Batman & Robin é uma bela bosta de filme, né? A única coisa que eu tenho a elogiar naquilo seria a performance do Arnold Schwarzenegger como Mr. Freeze que, apesar de ser completamente fora de caracterização do personagem em si, pelo menos tem uma boa atuação. De resto... Eu detesto absolutamente tudo sobre esse filme, desde a fantasia estúpida do Batman com mamilos (sério) até as dolorosas cenas de comédia das quais nem meu eu de 7 anos de idade riu quando viu esse filme pela primeira vez, os diálogos horríveis, as cenas de ação medíocres... E eu poderia continuar a falar do que diabos eu odeio nesse filme resumidamente, mas não vou perder muito tempo com isso, só que esse é um dos piores filmes de super-herói que eu já vi e sem dúvidas o pior do Batman.

Se você acha que a cena do "Big guy for you" em The Dark Knight Rises é a coisa mais hilariamente ruim que você já viu... Assista Batman & Robin e veja The Dark Knight Rises parecer Shakespeareano em comparação com essa merda. Mas ok, The Dark Knight Rises é outro lixo de qualquer forma, então o certo é não perder tempo com nenhum dos dois.

No entanto, foi lançado um jogo baseado em Batman & Robin pro PS1, jogo esse que eu fui infeliz o suficiente pra ter alugado aqui perto quando tinha uns 10 anos de idade. E por acaso pelo menos esse jogo é bom?

... Se eu disse que "fui infeliz o suficiente" pra ter alugado, deve significar alguma coisa, né? Pois significa, o jogo também é horrível. Batman & Robin foi uma tentativa fracassada de fazer um Sandbox com o Batman, porém a cidade era confusa, não tinha qualquer senso de direção durante a mesma porque, apesar de ter um mapa no canto da tela, nunca ficava claro o que picas você tinha que fazer ou pra onde você deveria ir. O que eu mais fiz nesse jogo foi ficar dirigindo o Batmóvel por toda a parte na esperança de que alguma coisa fosse acontecer... Mas não para por aí, porque o Batmóvel tem controles horríveis e é mais aconselhavel dirigir ele devagar porque se não você erra uma caralhada de curvas ou sai trombando com ele por aí como se o Batman tivesse enchido o cu de cachaça antes de dirigir... E o combate então nem se fala, é tão travado e sem qualquer tipo de impacto que dá até desânimo de lutar contra os inimigos por aí.

No entanto... Pro crédito desse jogo, eu devo dizer que pelo menos ele foi um pouco à frente do seu tempo com esse conceito de sandbox que poucos jogos se atreviam a fazer. Mal executado, com certeza, mas ainda assim... Passos de bebê, eu acho. E os gráficos não eram ruins pros padrões do PS1, só era tudo ridiculamente escuro e mesmo com o brilho do jogo aumentado até o máximo que podia, Batman & Robin ainda era tão escuro que não tem como você não se sentir jogando GTA se por acaso GTA fosse criado por um pré-adolescente fã de Linkin Park. De qualquer maneira... O fato de que eu tô dando qualquer tipo de crédito a esse jogo por tentar algo diferente já o torna melhor do que o filme.

9ª posição: Superman Returns

Antes de mais nada... Vou confessar que eu não sou um graaaaande fã do Superman. Eu nunca tive muito interesse nele, a fantasia em si não me chamava muita atenção, ele sempre me passou a impressão de ser overpowered demais e a história em si também nunca despertou muito interesse em mim. Claro, talvez eu só não tenha dado uma chance apropriada, mas até então... Eh, as únicas coisas relacionadas ao Superman que eu cheguei a acompanhar foram o desenho da Liga da Justiça... E alguns dos filmes dele. O primeiro é um filme clássico até, não me lembro de muita coisa sobre, mas parece que todas as pessoas que o assistiram na época gostam bastante até hoje, então imagino que ele seja bom, apesar que eu só me lembro de ter visto esse primeiro e não as sequências.

Porém, o filme do Superman em questão aqui é Superman Returns... Eu me lembro de ter visto uma vez quando tava medonhamente entediado e com humor pra ver algum filme baseado em um super herói pra me manter entretido por algum tempo. Pelo visto, as pessoas odeiam esse filme... E pra falar a verdade, eu não achei lá essas coisas também, apesar que eu me lembro ainda menos desse filme do que o primeiro, talvez porque a história em si não tem nada realmente memorável e a maioria dos personagens eram ridiculamente unidimensionais. O primeiro ao menos tinham cenas boas das quais eu me lembro claramente, como por exemplo aquele momento onde ele meio que faz o tempo voltar pra salvar a vida da Lois Lane.

Assim como quase todo filme de super-herói, Superman Returns teve um jogo, claro que teve. A propósito, mesmo eu não sendo muito fã do Superman, eu acho que ele tem um potencial do caralho pra jogos: O cara pode voar, tem super força, super velocidade, solta lasers pelos olhos e... Provavelmente tem mais coisa que não me vem na cabeça agora, mas o meu ponto é que um jogo do Superman pode ser a coisa mais épica que existe. Porém parece que ninguém nunca conseguiu realizar tal façanha ainda, o Superman teve uma porrada de jogos esquecíveis pra plataformas 8-bit e 16-bit, teve Superman 64 que é um dos piores jogos que já foram defecados até hoje... E Superman Returns que é ruim. Melhor do que Superman 64 sem dúvidas, mas ainda um jogo ruim.

Esse jogo tem uma coisa legal: Voar pela cidade. Enquanto dura, sair voando por aí em altas velocidades é empolgante pra diabo e faz com que você esqueça que tá jogando um jogo ruim do Superman. Mas então você lembra que tem que encarar uma porrada de lutas repetitivas de "mate 10 inimigos genéricos", os poderes do Superman são quase todos trivializados porque a maioria dos inimigos podem ser facilmente derrotados esmagando botões, os bosses são completamente sem inspiração, o jogo tem uma hitbox bizarra e bugs aleatórios como o Superman atravessar o chão sem mais e nem menos e ir parar embaixo da cidade sem volta simplesmente acontecem sem você nem tentar procurar. A história pelo que eu me lembro é uma versão resumida do filme que consegue ser ainda mais tediosa do que o próprio... Mas bem, voar pela cidade ainda é legal, então acho que se eu fosse escolher entre assistir o filme ou jogar o jogo por duas horas, eu escolheria a segunda opção porque posso voar pela cidade livremente.

Quem sabe um dia a Rocksteady faz aí um jogo bacana do Superman e assim essas barbaridades são finalmente esquecidas.

8ª posição: Street Fighter: The Movie

Street Fighter: A Batalha Final honestamente é um filme que eu não consigo odiar. Não sei por que, mas algo me bloqueia de absolutamente detestar essa pérola que é um dos meus filmes ruins favoritos de todos os tempos. Eu assisti esse pela primeira vez quando eu era bem mais novo e adorava o filme, mas com o tempo eu fui descobrindo que na verdade nem é muito bom e aí tive a ideia de reassistir pra ver no que ia dar.

Ao invés de sentir raiva, o filme me fez rir que nem um retardado por causa dos diálogos ruins ao mesmo tempo que geniais como o Zangief dizendo "Rápido, muda de canal!" quando passava uma notícia sobre a Chun-Li ter plantado bombas nas armas do Bison ou algo assim, também tem as atitudes dos personagens como o Guile fazendo uma banana pro Bison em rede mundial, as cenas de luta, as personalidades erradas dos personagens como o Ken e o Ryu parecendo dois integrantes dos Trapalhões fantasiados de traficantes de armas que passam calote nos outros.

Eu francamente ri pra caralho desse filme, e eu nem sou uma pessoa de rir tanto assim. No fim das contas, eu meio que gosto de Street Fighter: A Batalha Final, da mesma maneira que pessoas masoquistas gostam de levar chicotadas nas costas, é um prazer meio esquisito, mas existe de uma maneira ou de outra. Considero ele como algum tipo de paródia humorística de Street Fighter, mesmo sabendo que na verdade ele queria ser levado a sério.

Porém aconteceu algo que eu nem imaginava: Street Fighter: A Batalha Final tem um jogo! Mas hein? Então isso é... Um jogo baseado num filme que é baseado num jogo? Santa incepção, Batman!

Enfim, Street Fighter: The Movie consegue ser ainda mais hilário do que o filme em questão. "Por que?", você pergunta... Porque eles decidiram imitar Mortal Kombat e basear os sprites do jogo nos movimentos dos atores que fizeram o filme, e o resultado foi um jogo qualquer de Street Fighter com animações hilariamente ruins e efeitos sonoros que são a cereja no topo do bolo. Parece que os atores tentaram simular movimentos de sprites dos jogos, porém não conseguiam fazer isso direito e aí ficava aquele uncanny valley entre algo "realista" e algo absurdo. Inclusive alguns cenários eram desenhados e ainda assim tinham sprites "live action" pré-renderizados no background, sem falar dos efeitos dos ataques como Hadouken, Sonic Boom, etc.

Os personagens dão gritos que soam mais sem alma do que a atuação do Irate Gamer e alguns até pronunciam os nomes dos ataques errados como o Ryu gritando "SHO-ROO-KEN!", mas de longe o mais engraçado é levar porrada ou dar porrada no Zangief e no Sagat por causa das animações de dano dos dois... Se bem que todas as animações do Zangief são engraçadas. Esse jogo é puro comedy gold, e convenhamos, ele não é injogável ou quebrado e nem nada do tipo. É o pior Street Fighter tecnicamente, sim, mas ainda não é algo tão ofensivamente ruim assim.

7ª posição: X-Men Origins: Wolverine

X-Men Origins: Wolverine é uma bosta, mas X-Men Origins: Wolverine é surpreendentemente bom.

Não precisa ser um gênio pra saber a qual das duas coisas eu esteja me referindo em cada parte dessa sentença, né? Convenhamos que o filme X-Men Origins: Wolverine foi um saco, tanto que até o próprio Hugh Jackman acabou admitindo que não gostou tanto assim também. É bem provável que esse filme seja pior do que Homem-Aranha 3, o que é um feito e tanto. A história do Wolverine que era pra ser explicada nesse filme ficou absurdamente confusa, personagens como o Cyclops e a Emma Frost apareceram aí só pra encher linguiça e não adicionaram absolutamente nada na história, o Wolverine é visto enfiando as garras em todo mundo, porém nenhuma gota de sangue é jorrada, o modo como o Wolverine perdeu a memória nesse negócio não faz nem um pouco de sentido (Uma bala de adamantium acertou o crânio de adamantium dele? Hã?) e aí tem o Deadpool... Jesus, aquilo foi a cereja ruim no topo do bolo ruim.

Bem... Pelo menos teve um outro filme do Wolverine aí que eu não assisti, mas dizem ser ao menos decente, o que já é alguma coisa em comparação com o poço de mediocridade que é isso aqui.

Quando eu soube que X-Men Origins: Wolverine tem um jogo... Eu literalmente quis evitar essa porra como se fosse uma revista erótica da Regina Casé. Porém um certo dia um amigo meu que também tinha achado o filme um belo pedaço de excremento disse que o jogo é bom, e quando eu fui olhar a página do Metacritic só pra me certificar, me deparei com uma média de 75, o que é bem incomum pra jogos baseados em filmes. No fim das contas, acabei dando uma chance ao jogo pra ver se ao menos isso se salva... E o pior é que realmente é um jogo bom.

Eu não me lembro direito da história desse jogo, se ela tenta seguir o filme ou não porque honestamente eu nem prestei atenção direito nela enquanto jogava isso... Mas que se foda, você pode pular as cutscenes e sair rasgando todo mundo no possível melhor jogo do Wolverine que saiu até então! O combate desse jogo é altamente satisfatório, as animações fluem muito bem, o Wolverine tem uma caralhada de combos e ataques/finalizações diferentes, uma mais brutal do que a outra, e alguns inimigos até são relativamente dificinhos de matar e bosses bem feitos.

Não é um jogo perfeito, ele tem alguns bugs e falhas de polimento assim como fica repetitivo pelo foco excessivo em combate quando poderia usar os poderes do Wolverine pra mais coisas além disso... Porém ele tem excelentes fundações pra um futuro jogo impressionante do Wolverine, e isso vindo de um jogo baseado em um filme, especialmente um filme ruim, bota esse entre os melhores jogos do tipo sem problemas.

6ª posição: The Punisher

The Punisher foi um jogo meio complicado de se colocar nessa lista, por falta de algum modo melhor de definir isso. Porque ele meio que é baseado no filme do Justiceiro/Punisher que saiu em 2004 ao mesmo tempo que não é e acaba sendo uma mistura disso com a mini-série das HQs chamada Welcome Back, Frank. O filme é meio... Misturado. É tão violento quanto você esperaria que algo relacionado ao Justiceiro seria e tanto o ator que faz o Frank Castle quanto o John Travolta fazendo o Mr. Saint são bem convincentes e os dois personagens (em particular o Saint) se desenvolvem surpreendentemente bem.

Porém ele tem um sério problema de consistência sobre o que porras de tom ele quer tomar, porque apesar de ser um filme que se leva completamente a sério e tenta ser realista, isso acaba indo por água abaixo quando você vê o Castle fazendo umas piadas que parecem terem vindo do Homem-Aranha e algumas cenas de ação que chegam a ser cartunescas e totalmente fora de lugar nesse filme... Por exemplo o próprio Justiceiro batendo nos seus inimigos com uma frigideira. Nenhum dos outros personagens fora os dois mencionados são muito interessantes, isso quando não são simplesmente irritantes que nem aqueles vizinhos do Frank Castle, que também parecem ter saído de algum cartoon dos anos 90. Eu seriamente gosto desse filme, mas sei que ele não é exatamente recomendável.

O jogo meio-baseado nele por outro lado, é um dos meus jogos favoritos do PS2! A história é sobre o Justiceiro inicialmente tendo um conflito com a família Gnucci que começa como algo simples e depois acaba envolvendo até o exército russo nessa porra toda. Porém a real carne desse jogo tá no gameplay... Não exatamente nas mecânicas de shooter dele, elas são sólidas apesar de não serem nada revolucionário ou coisa do tipo, mas sim na violência. The Punisher é um dos jogos mais violentos de todos os tempos, pra época principalmente o modo como as seções de tortura e desmembramento do jogo eram detalhadas acabou gerando uma polêmica dos infernos ao ponto da ESRB avaliar ele não com um M, mas com um AO... Sim, jogo só pra adultos, The Punisher é um jogo tão violento que fazia Mortal Kombat parecer Mario em comparação.

A graça de The Punisher era justamente torturar seus inimigos, coisa que você podia fazer a qualquer hora tanto normalmente agarrando eles e batendo as cabeças deles no chão, ou apontando sua arma ou socando a cara deles... Quanto usar os vários objetos perigosos do cenário pra isso, tipo ameaçar colocar a cabeça dele num aquário cheio de piranhas e ver elas comendo a cabeça dele inteira até sobrar apenas o crânio, ou então botar eles dentro de um forno... E mais uma porrada de coisa que eu não me lembro muito bem agora porque não jogo esse jogo faz um bom tempo, mas de uma coisa eu tenho certeza: Eu adorava The Punisher na minha pré-adolescência com meu PS2 e provavelmente adoraria se jogasse atualmente também.

5ª posição: Star Wars: Episode III - Revenge of the Sith

Ah... A trilogia das prequels de Star Wars... Já fazem quase dez anos desde que isso foi uma coisa que aconteceu. Puta que me pariu, eu realmente tô ficando velho, hein?

Com o recente anúncio do novo filme da série, eu acabei não me empolgando tanto assim ao mesmo tempo que acabei me lembrando da época em que Star Wars teve a trilogia do Episódios I-III que transformaram o George Lucas no Inimigo Público Nº 1 durante vários e vários anos. Eu não vou tentar defender as prequels aqui, elas são bem sonolentas e esquecíveis mesmo apesar dos efeitos especiais de alta qualidade e das cenas de ação que em maior parte são muito bem coreografadas. De resto, os Episódios I e II eram lotados de cenas supérfluas que se arrastavam demais, personagens em maior parte esquecíveis e/ou simplesmente irritantes (Jar Jar Binks que o diga), o romance entre o Anakin e a Padmé que conseguia ser mais sem sal do que o do Squall com a Rinoa... E diálogos ruins, mas disso até a trilogia original tem um pouco de culpa, ainda que não seja em números tão altos quanto os desses filmes.

No entanto, o que mais me impressiona é o quanto a atuação desses filmes em maior parte era monótona, de maneira que eles tenham conseguido fazer até o Samuel L. Jackson parecer um velho sem muito mais coisa na vida... Se bem me lembro, o único ator que realmente fez uma boa performance nesses filmes foi o do Obi-Wan... O nome dele me escapa agora e eu tenho preguiça de googlear, então deixemos só por aqui mesmo. O Anakin era praticamente a versão masculina da Bella Swan e toda vez em que ele tentava mostrar alguma emoção só piorava tudo porque aí ele acabava sendo inadvertidamente engraçado e difícil de levar a sério... E ainda assim as pessoas continuavam a insistir nesses filmes, especialmente quando o Episódio III foi anunciado.

Apesar que eu acho que entendo a linha de pensamento aí: A gente viu o Episódio I, foi um saco, mas já que começamos mesmo... Por que não ver o resto e acabar logo com isso, né? Talvez foi em partes o que me levou a jogar Final Fantasy XIII-2 e Lightning Returns mesmo depois de ter jogado o primeiro Final Fantasy XIII e odiado mais do que qualquer outro jogo que tenha sido lançado naquele ano. A diferença é que eu acabei gostando do XIII-2 e nem tanto assim do jogo da Lightning, porém ainda é melhor do que o primeiro, enquanto no caso das prequels de Star Wars... Do Episódio I pro II até piorou ao invés de melhorar. Então o que eu poderia esperar do Episódio III apesar de todo o marketing e das promessas de que ele iria redimir os outros dois?

Na época eu tinha uma curiosidade mórbida com esse filme, o que no fim das contas me levou a comprar o jogo baseado nele lançado pro PS2 alguns meses antes do próprio filme. A sacada desse jogo é que ele tem cenas do próprio filme colocadas lá, e isso acabou deixando as pessoas que gostem de Star Wars e video games curiosas o suficiente pra saírem comprando só pra ver mais ou menos como o filme vai ser. Muita gente gostou desse jogo enquanto outras pessoas não gostaram... Eu estou do lado das pessoas que gostaram, até mais do que o próprio filme.

Quando eu fui ver o filme pela primeira vez e terminei, pensei "Eh... É ok, mas gostei mais do jogo.", porque ele meio que tenta misturar o tédio dos seus antecessores com o desenvolvimento de personagem da trilogia original e o resultado é um pacote completamente misturado onde algumas coisas deram certo e outras não.

O jogo não é muito diferente quando se trata de história, só uma versão "expandida" e ao mesmo tempo resumida do filme, o que pra alguns pode ser uma coisa boa já que a atuação ruim do Anakin é exposta ao mínimo aqui. O jogo é bem simples no sentido de que no modo história normal você joga com o Anakin ou o Obi-Wan em umas 15 ou 16 fases e cada um dos dois tem seu próprio estilo de luta e combos diferentes. O que me impressionou quando eu fui rejogar esse jogo ano passado é o quão bom é o combate com sabres de luz, você realmente sente o "peso" dos personagens balançando essas coisas pra lá e pra cá, o combate é meio que um "free-flow" parecido com os jogos atuais do Batman, a lista de movimentos é bem extensa e os bosses que normalmente são duelos de sabres de luz contra antagonistas como o Conde Dooku e o General Grievous são o ponto alto do jogo por serem desafiadores e satisfatórios quando você consegue tomar a vantagem com qualquer tática que quiser usar... Mas as fases normais também não são ruins considerando que os inimigos são bem variados indo de droids normais até Destroyers, Clones, robôs gigantes e cada um tem maneiras diferentes de derrotar.

O uso da força é meio que limitado a só pegar um personagem/objeto do cenário e jogar pra lá e pra cá sem muita liberdade de movimento fora umas partes com script pra isso, coisa que foi consideravelmente melhorada em The Force Unleashed. Porém o combate do Episode III me pareceu bem melhor em comparação, eu peguei esse jogo pra rejogar só por jogar na época, porém acabei indo até o fim e terminei o jogo (com os dois finais possíveis, btw) com uma sensação de que eu queria mais algum outro jogo de Star Wars parecido com esse.

Isso vai acontecer? Provavelmente não, o que é uma pena.

4ª posição: Naruto: Ultimate Ninja Storm

Não é nenhum segredo que eu odeio Naruto na maior parte do tempo... Porém como eu já meio que resumi o porquê de eu seriamente não suportar esse anime em outro post, vou me poupar de me repetir aqui e apenas dizer que eu gosto bastante dos jogos da série Ultimate Ninja Storm... Ok, nem todos, o Generations é meio chato e o 3 seria bom se não tivesse tanta monotonia de personagens parados com caixas de textos aos montes pra ler enquanto nada acontece. Mas o primeiro e o 2 realmente são bons, em especial o primeiro que ainda é o meu favorito da série.

"Mas como você pode odiar o desenho e gostar do jogo baseado nele, Ryu?"

Da mesma forma que eu não gosto do filme do Wolverine do qual eu falei logo acima e gosto do jogo, ora bolas! No entanto, no jogo do Wolverine eu costumava pular as cutscenes ou não prestar muita atenção, já os jogos do Naruto realizam a proeza de tornar até a história do anime tragável por não ter o ritmo horrível que o original tem, pegar os diálogos importantes e ainda assim não resumir demais de modo que dê pra acompanhar a história sem problemas, e acima de tudo... Não ficar interrompendo a porra da ação com um monte de flashbacks desnecessários e muitas vezes até repetidos ou diálogos que dizem o óbvio numa tentativa retardada de drama forçado.

Sério, isso é de longe a coisa que mais me irrita em Naruto, de todas! Eu posso engolir o fato do protagonista ser um moleque irritante que só sabe berrar e tomar decisões idiotas, eu posso engolir que os vilões em maior parte costumam seguir uma fórmula que já fica chata e previsível depois do Gaara, posso engolir que a animação em um bocado de partes é absurdamente ruim... Mas essa interrupção constante das cenas de ação eu não consigo.

Em maior partes por isso, Ultimate Ninja Storm acaba sendo muito mais agradável do que o anime sempre sonhou em ser. As lutas são boas, o ritmo é rápido, os ataques dos personagens são bastante fieis ao material base, tem vários itens pra se usar no meio da treta toda, as animações são muito bem feitas e os gráficos parecem até uma versão melhorada do próprio anime. É um jogo realmente divertido, porra! A melhor parte de longe são as lutas contra os bosses gigantes que requerem mais tática nas aproximações e as QTEs que são bem implementadas, coisa que nem todo jogo que usa QTEs consegue fazer. E andar pela vila e pelos outros mapas do jogo é geralmente legal por eles terem várias coisas pra se fazer e outros personagens pra interagir, é tudo muito bem trazido à vida.

Pena que esse jogo é exclusivo do PS3, caso contrário eu teria jogado ele mais vezes... Mas ok, pelo menos eu ainda tenho Ultimate Ninja Storm 2 que é pior em vários pontos, mas ainda um jogo bom também.

3ª posição: Dragon Ball Z: Budokai Tenkaichi 3

... Acho que só o fato de eu ter incluído esse jogo numa lista dessas já deve ter despertado a fúria de uma caralhada de fãs de Dragon Ball Z, mas me escutem! Eu gosto de Dragon Ball Z, cresci com esse anime e, por mais que eu já tenha visto gente criticando porque "não envelheceu bem"... Eu simplesmente não consigo deixar de gostar, seria como se eu estivesse traindo a mim mesmo. E além do mais, eu nem acho que Dragon Ball Z envelheceu tão mal assim, tirando os fillers, eu ainda consigo tirar algum proveito do anime... Pelo menos da saga dos Saiyajins até a do Cell, porque a do Majin Buu é meio... Eh... Mas ainda assim é uma obra prima em comparação com Dragon Ball GT, aquilo lá sim é uma verdadeira pilha de merda que nunca nem foi boa pra início de conversa e assistindo hoje em dia só é pior ainda.

Mas o que acontece é que Dragon Ball Z tem um potencial gigantesco pra video games, até maior do que o do Superman... E alguns jogos baseados no anime como Legends e Budokai 1 e 3 foram bons, mas ainda não capturaram exatamente a sensação de você estar presenciando uma versão interativa de Dragon Ball Z. Então veio a série Budokai Tenkaichi, o primeiro não é muito bom, mas tinha potencial pra ser melhorado, e aí o 2 melhorou apropriadamente e isso tudo foi aperfeiçoado pelo 3 que até hoje é meu jogo baseado em anime favorito de todos.

Você pode dizer que Tenkaichi 2 fez melhor com relação ao Story Mode e a trilha sonora, porém você não pode vir me falar seriamente que o combate no 3 é inferior! Esse jogo tem praticamente tudo o que você via nas lutas de Dragon Ball Z: Ritmo absurdamente rápido, poderes especiais com uma caralhada de efeitos diferentes, cenários abertos e destrutivos, animações exageradas, lutas aéras com personagens voando e arremessando um ao outro pra lá e pra cá e disputas de poderes. Deviam mudar o nome dessa porra pra Dragon Ball Z Simulator, porque é exatamente isso que ele é.

O que me faz preferir ele ao anime é que ele tem o elenco da série quase inteiro e você pode botar literalmente qualquer pessonagem que te der na telha pra enfrentar qualquer oponente que também te der na telha. Os combos são um pouco difíceis de se fazer quando você não tem costume, mas o jogo fica empolgante pra diabo quando você pega o jeito e já sai por aí soltando uma caralhada de ataques diferentes com seu personagem. Vou admitir que não é um jogo exatamente equilibrado, se você jogar com o Yamcha ou o Kuririn e lutar contra um vilão muito mais forte como o Broly por exemplo... É bem provável que as suas chances de vencer a luta sejam pequenas, mas talvez isso tenha sido intencional pra ser fiel ao anime de qualquer forma.

Mas ainda assim, até os personagens mais fracos são legais de jogar porque eles têm ataques únicos que outros não têm. Talvez eles só poderiam ser um pouco mais "buffados" pra não ficar tão desequilibrado assim, e isso é literalmente minha única grande reclamação sobre esse jogo, o resto ele faz quase perfeitamente bem em reproduzir o feeling do anime e até hoje nenhum outro Dragon Ball Z lançado posteriormente conseguiu ser tão bom quanto nesse aspecto.

2ª posição: Peter Jackson's King Kong

Wow, calma aí, pessoal! Antes que vocês me linchem por dizer que prefiro o jogo baseado no filme do King Kong de 2005 ao próprio filme... Eu quero dizer que, ao contrário da maioria dos filmes que mencionei anteriormente aqui, eu realmente gostei desse. Não tenho muita coisa pra reclamar sobre, todo mundo conhece a história do King Kong e essa encarnação dela é provavelmente a melhor feita até agora, absolutamente tudo aqui foi aperfeiçoado, desde o cenários até a atmosfera do filme com as ambientações que vão desde cavernas escuras e ilhas ameaçadoras até cidades, e cada cena já impactante nas outras versões ficou mais ainda por aqui.

Porém... Sabe quando eu digo que em filmes você assiste uma história desenrolando e em jogos você está nessa história e interage quase totalmente com ela? Então, digamos que esse jogo do King Kong é um dos exemplos do porquê de eu dizer isso. Não desmerecendo o filme, até porque talvez isso seja uma questão subjetiva mesmo e alguém veja mais apelo no filme, não tem nada de errado com isso... Mas eu realmente me senti muito mais engajado jogando King Kong do que assistindo, e levando em conta a qualidade do filme em que esse jogo é baseado, eu posso dizer seguramente que é o melhor jogo baseado em um filme lançado até agora.

O lance aqui é que você não joga só com o King Kong, mas também com o protagonista do filme, Jack Driscoll... E pra falar a verdade, você joga com o Jack e o grupo dele durante boa parte do jogo, usando suas armas e apetrechos pra lidar com os perigos da Skull Island, e apesar de ser tecnicamente uma missão de escolta em partes por você ter que constantemente ficar protegendo a Ann Darrow e o resto dos personagens aliados, eles conseguem se virar na maior parte do tempo, então isso torna o jogo bem menos frustrante graças a IA competente dele. E sim, é um jogo de sobrevivência, você tem munições limitadas, tem que "gerenciar" suas coisas e usar até elementos do cenário pra lidar com os monstros presentes na ilha e resolver puzzles.

O que impressiona é o quão bem esse jogo consegue capturar essa atmosfera de você realmente estar fodido num lugar intimidador com poucas chances de sobreviver. Além dos gráficos excelentes pro PS2 e da atmosfera no geral, a maioria dos monstros podem te matar com um ou dois hits, você é vulnerável por ser só um humano qualquer e vai precisar da ajuda dos seus amigos pra passar por isso tudo. King Kong sozinho me deixou mais tenso do que praticamente a série Resident Evil inteira até então o fez, e é realmente incrível a sensação de jogar lanças, tacar fogo nos bichos e e derrotar os bosses gigantes.

Falando em gigantes... Você também joga com o King Kong, que pra mim não é tão empolgante quanto as seções com o Jack, porém é bom o suficiente, porque jogar com um monstro gigante destruindo tudo e lutando contra outros monstros gigantes é sempre uma coisa boa quando bem feita. É um jogo que consegue unir dois estilos de gameplay bem diferentes um do outro e executar os dois de uma maneira fantástica que poucos jogos conseguem fazer.

1ª posição: Cory in the House

O que poderia ser melhor do que o melhor jogo baseado num filme já feito até agora? Um dos melhores jogos de todos os tempos, é claro! Eu lhes apresento: Cory in the House.

Alguns jogos são bons, outros são ótimos, mas apenas alguns poucos são lembrados por gerações e gerações até erem eternizados por todo o sempre. Cory in the House faz parte do último grupo de jogos mencionado, e pra um jogo baseado em um seriado da Disney sobre um moleque gordo numa casa branca, isso é algo que ninguém imaginaria que fosse acontecer.

Não deixe seu preconceito com a série cegar seu julgamento, Cory in the House é um jogo que mudou minha vida! Graças a ele eu parei de molestar cabras, arrumei um emprego decente e hoje vivo como um cidadão de bem, sem falar que esse jogo também reviveu meu cachorro que antes havia morrido de Leishmaniose e, quando eu aconselhei os pastores da igreja aqui perto a jogarem, eles se converteram e criaram uma outra religião chamada Corysmo, dedicada apenas a adorar Cory in the House.

Não escute o que a crítica especializada diz! Veja só a nota dos usuários e todas as testemunhas da pura grandeza de Cory in the House vinda de meros usuários da internet, eles estão fazendo isso porque sabem que a mídia está injustiçando Cory in the House com medo de que outras pessoas possam experimentar essa benção enquanto os reviewers ficam com o jogo só pra si mesmos. Ainda bem que isso não funcionou, porque todas as pessoas merecem jogar Cory in the House e presenciarem um jogo que faz GTA V, The Last of Us, Ocarina of Time, Final Fantasy VII e vários outros clássicos parecerem medianos em comparação.


Pois enfim... Eu iria escrever uma conclusão maior pra essa lista, mas acabei de me lembrar que ainda não joguei Cory in the House hoje, então vou já já consertar esse erro grotesco da minha pessoa e pedir desculpas a todos. Até mais, e nunca se esqueçam de jogar Cory in the House.

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