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Postado por: Ryu sexta-feira, 21 de novembro de 2014


"Ué, como assim um post novo sobre Sonic 1? Você já não fez isso antes?"

Sim, eu já fiz... Porém, eu acabei decidindo que eu deveria reformular meus posts sobre Sonic no geral, porque sinceramente... A maioria dos posts antigos eram realmente umas bostas e eu hoje em dia não tenho a mesma visão sobre a série que eu tinha antes. Então já que eu apaguei um monte de posts antigos daqui, melhor apagar as reviews dos jogos principais do Sonic e começar do zero então afim de fazer algo totalmente definitivo dessa vez.

... Tecnicamente esses posts "definitivos" já começaram antes quando eu falei sobre Sonic 2 e também eu não vejo muito sentido em fazer outro post sobre Sonic Lost World considerando que eu já dei a minha opinião definitiva sobre aquele jogo e eu não sinto a menor vontade de rejogá-lo. Mas acho que com os jogos anteriores (ou ao menos a maioria deles) eu posso fazer isso, então começaremos essa repaginada em reviews de Sonic com o primeiro jogo da série: Sonic the Hedgehog! Ou mais popularmente conhecido como "Sonic 1".

Porque tem que ser específico, afinal tem outro jogo chamado Sonic the Hedgehog, mas... Não falemos daquele Sonic the Hedgehog aqui...

Pois bem... Sonic the Hedgehog! O resultado da tentativa da Sega de criar um mascote que pudesse competir com o Mario e a Nintendo considerando que o Alex Kidd meio que existia mas ninguém ligava pra ele, porque... Convenhamos, os jogos dele não envelheceram tãããão bem assim e eles não chegava nem perto de ser tão bons quanto Mario de qualquer forma. Mas ok, em 1991 com o esforço da Sonic Team, uma equipe liderada três japas talentosos e destemidos: Yuji Naka, Naoto Oshima e Hirokazu Yasuhara, Sonic acabou sendo criado e graças a um marketing mais agressivo do que o Netinho de Paula virou a "cara" dos anos 90 e deu um boost enorme nas vendas do Mega Drive/Sega Genesis.

Antes de apropriadamente começar essa review, quero deixar algo bem claro aqui: O Sonic Clássico não é superestimado.

Repita comigo:
O Sonic Clássico não é superestimado, se eu realmente acho ou achei isso em algum momento da minha vida, eu sou um lixo e estou prestes a corrigir esse meu pensamento de merda e virar uma nova pessoa digna de ser levada a sério.

Ok, melhorou.

Mas enfim, se na segunda metade dos anos 90 o personagem mais popular dos video games era o Crash Bandicoot, na primeira metade dos anos 90 esse personagem era o Sonic, e até mesmo a popularidade dele tem algo a ver com a criação do personagem da Naughty Dog. Pra quem não sabe, o primeiro jogo do Crash no seu início de desenvolvimento era chamado de "Sonic's Ass Game", porque o Sonic era o personagem antropomórfico mais popular da época e porque o jogo da Naughty Dog seria em 3D e a câmera ficaria meio que "na bunda" do personagem.

Hoje em dia, "Sonic's Ass Game" pode ser usado também como um termo pra se referir a Sonic Boom se por acaso você quiser... Aliás, boa ideia, a partir de hoje, eu vou me referir àquilo como "Sonic's Ass Game", porque até mesmo "Sonic Boom" é um nome que aquilo não merece considerando que Sonic CD tem uma música tema com esse mesmo nome e é muito mais digna de ser lembrada por isso do que todo o Sonic's Ass Game.

Tá bom, tô fugindo do assunto um pouco... A questão é: Será que depois de todos esses anos, o primeiro jogo do Sonic que foi responsável por grande parte do sucesso da série é tão bom assim? Vejamos isso melhor agora.

Sonic: O eficaz agente do IBAMA

A história de Sonic 1 resumida pros preguiçosos.

Lá vamos nós falar sobre a história de Sonic 1 pela milionésima vez... Existe uma ilha muito daora chamada South Island, essa ilha por algum motivo nunca foi encontrada no mapa porque ela vive mudando de localização como se viajasse por aí no mundo. Então o Dr. Ivo Robotnik-

"AINNNN RYU MAS É EGGMAN SEMPRE FOI EGGMAN E..."

FODA-SE! É ROBOTNIK PORQUE EU QUERO CHAMAR ELE ASSIM E PRONTO!

Caham! Então... Dr Robotnik, conhecido por ser um cientista maluco do mal que sempre faz merda por aí e visa dominar o mundo, e também conhecido na internet como "Robotenique" por ninguém ter a capacidade de lidar com ele. Esse velho acabou descobrindo que a South Island tem seis pedras preciosas chamadas Chaos Emeralds e que elas são muito poderosas, que é por isso que a ilha fica se mexendo pra lá e pra cá, tem uma lenda sobre alguém que reuní-las conseguir poder e bla bla bla.

Dito isso, Robotnik construiu uma base chamada Scrap Brain no topo da South Island e começou a capturar os animais nativos pra transformá-los em robôs chamados Badniks e mandá-los procurar as Chaos Emeralds por aí. Mas então o Sonic que é um ouriço azul que corre na velocidade do som e vive se aventurando por aí acabou passando pela South Island convenientemente durante esse momento e aí percebeu que o Robotnik tava dominando ela e poluindo a porra toda, então cabe a ele colocar um fim nisso tudo e fazer o que ninguém até então conseguiu fazer: Lidar com o Robotenique.

Sabe... Agora que eu andei olhando, eu reclamei sobre personagens sem contexto em outros jogos do Sonic, mas... Aqui é meio que um caso parecido de certa forma. Aliás, o Sonic e o Eggman/Robotnik são os únicos personagens dessa série que não têm nenhum tipo de origem esclarecida, todos os outros que foram introduzidos a partir de Sonic 2 pelo menos tinham alguma "backstory". E eu acabei ficando meio curioso... O que diabos o Sonic e o Robotnik têm nas suas histórias de fundo que até então nunca foram apropriadamente explicadas? Será que tem algo completamente obscuro como o Sonic ter a habilidade de correr rápido porque ele foi resultado de algum experimento do Robotnik que deu errado?

Eh, tô tentando ver profundidade demais onde eu não deveria. Mas se bem que a Sega of America criou um negócio maluco lá chamado "Sonic Bible" ou algo assim. Esses documentos contavam mais ou menos uma história sobre o Sonic ser um ajudante de um cientista chamado Ovi Kintobor e ele acabar fazendo um experimento com as Chaos Emeralds que deu errado e resultou na energia negativa delas possuindo Kintobor e transformando ele no Robotnik. Mas isso é meio que idiota e até foi descartado com o tempo, essa Sonic Bible nem é mais canônica e nem nada.

De qualquer forma... A história é essa, é aquele tema de "Natureza vs Tecnologia" que os jogos do Sonic Clássico costumavam adotar e não é muito mais presente do que o que tem em qualquer outro platformer por aí nessa época. Então não tenho muito mais o que comentar se tratando desse assunto no jogo, a história tá ali apenas, você provavelmente só saberia dela lendo o manual ou procurando em alguma Wiki de Sonic.

Visuais de fato são atemporais (Rimou!)


Antes de mais nada, eu gostaria de dizer o quanto o design de personagem do Sonic é incrível, talvez até o que ajudou mesmo os jogos atuais dele a venderem assim, afinal apesar de todo o marketing, as pessoas também querem um personagem que pareça atrativo. Olha só pra esse filho da puta! Olha só pra esse visual tão simples e ao mesmo tempo tão chamativo, essa cara de "Qual é, rapaz? Tá pronto pra ter a sua mente explodida?", esses espinhos que indicam que ele é um punk anarquista que vai contra as regras impostas pelo sistema sujo e corrupto, esses sapatos vermelhos estilosos, essa pose de herói imbatível, esse corpo único geométrico com proporções perfeitas que...

...Ok, eu tô exagerando.

Mas o ponto é que o Sonic é na verdade um dos exemplos perfeitos de como designs de personagens simples podem ser muito mais efetivos apenas com o uso das cores certas que combinam uma com a outra, detalhes simbólicos e uma mera pose que reflete a atitude do personagem, do que esses personagens que as desenvolvedoras enchem de detalhes com a intenção de fazerem com que eles pareçam estilosos e chamativos e no fim das contas eles parecem mais paródias de designs de personagens exagerados. Sim... É de você mesma que eu estou falando, Square Enix, você e essa sua mania de ficar enfeitando personagens até não dar mais ao ponto de eu começar a me perguntar como diabos o cara anda direito com toda essa tralha... Ou que tal algumas monstruosidades como essa? Por que vocês fazem isso? Sério, parem.

Em contrapartida, também existem designs de personagens que são simples e completamente sem graça, por exemplo... Ah, oi, Bubsy.

O Robotnik também tem um design bem legal, apesar de eu preferir visualmente o Eggman, que seria a versão moderna dele... Ok, eu acabei de admitir que prefiro uma versão moderna de um personagem de Sonic à versão clássica, acho que eu já falei demais sobre esse assunto de design de personagens aqui.


Deixando designs de personagens pra lá... Sonic 1 também tem alguns dos melhores gráficos da época 16-bit, vindo de um jogo pro Mega Drive, que tecnicamente era menos poderoso do que o SNES, esse jogo parece bem mais colorido e detalhado do que uma caralhada de jogos do console da Nintendo. Comparando Sonic 1 com Mario World, que no caso seria o jogo "concorrente" da época, o primeiro mencionado simplesmente parece mais "completo" visualmente enquanto Mario World tem visuais bem mais simples ainda que bonitos da sua própria maneira... Sobre esses dois jogos no geral, eu ainda prefiro Mario World por uma pá de motivos que eu vou explicar em outro post talvez, mas visualmente eu sempre preferi esse e os outros jogos do Sonic mesmo.

Os backgrounds têm uma sensação de profundidade incrível com cada camada se destacando com uma imagem/animação diferente e em alguns casos como na Star Light isso chegando até no foreground. Se eu não me engano, esse efeito ia ser usado na Green Hill também pelo que indicava a versão beta desse jogo com árvores aparecendo na frente da fase em alguns pontos, mas acabou sendo deixado só pro Background mesmo por algum motivo.

Claro que pra isso tudo ser memorável, você tem que ter uma direção artística boa também, e o Naoto Oshima conseguiu criar uma das artes cartunescas mais icônicas de todas. Com esse monte de lugares com elevações, morros e loops, nada mais apropriado do que fazer uma arte baseada em geometria pra acompanhar, o que torna a maioria das fases fáceis de lembrar. Quando eu era mais novo por exemplo, eu quase sempre lembrava de Sonic quando eu via alguma parede xadreza por aí.

Mas se eu for falar de algo visualmente "eh"... Acho que a Labyrinth, mais pelo fato de que ela é quase que totalmente bege, e quando não é isso ela fica quase toda esverdeada por causa da água e tal. Eu nunca gostei muito dessa fase em grande parte por ela ser feia em comparação com as outras, mas acho que faz sentido ela ser assim considerando que é uma espécie de esgoto da ilha... Eu acho.

Gotta go... Moderately fast


Agora como diabos eu descrevo o gameplay do Sonic de um modo que eu já não tenha feito antes? Bem... Eu vou tentar explicar como Sonic 1 é único no meio de praticamente todos os outros platformers da época por causa das mecânicas. Em primeiro lugar, eu quero que você veja essas imagens aqui... Sim, esses jogos são respectivamente: Mario World, Megaman X e Donkey Kong Country, óbvio. Mas você saberia me dizer qual é a similaridade entre esses três jogos mesmo que todos os três tenham mecânicas completamente diferentes um do outro?

Bem... Perceba que na maioria deles, o chão, a terra em si por onde os personagens passam costumam ser planas, ou então no caso do Mario tem umas elevações diagonais de vez em quando que servem mais pra ele descer escorregando com a sua bunda e matando os inimigos na frente. Ou Donkey Kong Country de vez em quando tem uns morrinhos que na verdade estão lá mais como enfeite mesmo, porque rolar neles não causa nada e você só carrega algum impulso depois de rolar em algum inimigo ou em alguma descida íngreme demais.

Que coisa, né? O terreno em si tem pouca ou até nenhuma influência sobre como o Megaman X, o Mario ou o Donkey Kong se movimentam pelas fases. Isso faz alguma diferença quanto à qualidade dos jogos deles? Não, afinal de contas eles não foram projetados pra isso, então não tem muita relevância. Mas agora imagine um jogo onde o modo como o chão onde o personagem pisa é moldado acaba realmente tendo alguma importância sobre como você vai jogar o jogo. BAM! É aí que entra o Sonic fazendo basicamente isso que eu acabei de descrever!

Como funciona o gameplay do Sonic? Você sai correndo segurando pro lado, pulando de vez em quando e aí chega no final da fase? Não, pra falar a verdade se você jogar Sonic desse jeito, o jogo vai te punir mais vezes do que você poderia contar nos seus dedos, você vai levar hits adoidado ou então vai até morrer tentando passar correndo por tudo. E então o cara joga Sonic, morre na Marble Zone e começa a chorar dizendo que o jogo "não te deixa correr rápido" e tal... O que não é exatamente mentira, mas não é exatamente verdade também.

O negócio é que, apesar das comparações, o modo como você joga Sonic não tem quase nada a ver com o modo como você joga Mario... E essa coisa do terreno que eu disse é em grande parte o motivo disso.

O Sonic pode correr rápido e dar um pulo giratório que mata a maioria dos inimigos independente do ângulo em que ele acerta. Mas só o ato de pular aqui já é feito de uma maneira diferente porque o "peso"e a posição do Sonic são bem mais relevantes quanto ao controle que você vai ter sobre o pulo dele do que na maioria dos platformers. O Mario/Megaman/Donkey Kong só pula até uma altura determinada e não passa disso independente de onde e como esse pulo é efetuado, já o Sonic pode pular e alcançar basicamente qualquer tipo de altura dependendo do impulso, e mais importante, do terreno.

Se você tá lá com o Sonic correndo rápido a todo o vapor e passar por alguma elevação de terra, você pode pular na "ponta" dessa elevação e o Sonic vai dar um salto bem maior do que ele normalmente daria, e isso não é algum tipo de coisa acidental, o jogo simplesmente foi projetado com o uso dessa exata mecânica em mente. Por exemplo, logo na Green Hill Act 1 existe esse trecho onde o Sonic chega ao fim de uma das colinas e existe uma mola pra mandar ele pra cima e assim ele conseguir alcançar o outro pedaço de terra ali já que o pulo normal dele não é alto o suficiente pra isso. Mas a verdade é que se você for realmente bom e tiver dominado essa mecânica, você pode já passar correndo e usar aquela elevação de terra logo ali atrás com um pulo e assim alcançar o outro pedaço de terra sem nem ao menos precisar ter seu ritmo quebrado pra usar uma mola... Tipo assim.

Esse foi o exemplo mais básico, porém praticamente o jogo inteiro é projetado com isso em mente: Física e momentum. Como diabos o Sonic consegue ficar rápido? Porque ele pega impulso correndo nos terrenos onde é mais fácil ganhar velocidade como locais levemente planos pra correr normalmente ou descidas onde você rola e alcança velocidades maiores ainda e pode usar pulos longos até mesmo pra alcançar outros caminhos das fases. Sonic 1 é um jogo de ritmo rápido, mas se esse ritmo rápido vai se manter consistente ou não depende, na maior parte do tempo, do jogador e do entendimento dele de como a mecânica do jogo funciona. Até mesmo nos trechos com platforming na parte de fora da Marble isso pode ser usado pra sua vantagem, existem certas elevações de terra posicionadas ali que com o impulso certo e pulos bem efetuados podem te fazer ignorar uma boa parte do platforming ali... Ou até mesmo quicando em alguns dos inimigos que aparecem ali no meio da treta toda, apesar que isso é mais difícil de fazer.

Até mesmo a velocidade normal do Sonic pode ser usada pra tornar algumas partes mais lentas fáceis de passar rapidamente. A Marble ao todo tem dois trechos onde você empurra um bloco pra um poço de lava e pode ficar em cima dele enquanto viaja leeeeentamente pelo poço de lava e pula por cima de umas plataformas... Mas peraí, essas plataformas só estão aí pra tornar minha viagem pela lava mais difícil? Não, se você quiser, você pode na verdade pular nessas duas plataformas que estão por cima da lava e já alcançar o outro lado sem precisar ficar esperando o bloco. Isso requer timing porque o Sonic correndo rápido dá uns saltos longos meio impossíveis de mudar de direção, mas não é muito difícil de fazer porque o jogo tem o design apropriado pra isso, ele sabe que você pode fazer isso se for bom o suficiente.

O modo como o Sonic se move é puramente baseado em momentum: Se você vai mais devagar, ele vai dar pulos mais controláveis pros trechos de platforming de precisão, mas se você tá correndo e sai pulando por aí, é bem provável que sem a experiência necessária você vai errar um monte de pulos e acabar morrendo ou perdendo anéis. Não é impossível sair correndo pela maioria das fases desse jogo, porém requer prática e um bom entendimento da mecânica do mesmo, assim como você precisa ser bem experiente pra speedrunnar os jogos do Mario por exemplo.

Essa mecânica ao todo é um tipo de programação que simplesmente ninguém pensava na época, a maioria dos platformers eram mais baseados em blocos do que em curvas, loops ou terrenos mais variados. E isso foi o que Sonic 1 trouxe de inovador pro gênero em si: Outros tipos de terrenos que também abrem outras oportunidades de level design, além de mostrar que platforming e velocidade podem funcionar de uma maneira que ambos se complementem. Isso levou a várias tentativas de outras empresas clonarem Sonic, mas a maioria deles não deu em muita coisa porque eles sempre erravam em como os controles e o level design deveria ser feito.


E isso me leva ao modo como as fases de Sonic 1 são montadas. A maioria delas, talvez com a exceção apenas da Marble Act 1 e da Labyrinth Act 2, possuem pelo menos três caminhos diferentes e algumas áreas secretas com monitores de anéis, vidas extras ou até mesmo invencibilidade e Speed Up dependendo da fase. O pessoal costuma dizer que no caminho de cima das fases é mais difícil de ficar, porém tem as melhores recompensas, porém o do meio é o "normal" e o debaixo é onde não tem nada além de perigo... Mas isso não é bem verdade, porque no caminho de baixo da Green Hill Act 1tem uns monitores de anéis e até um de invencibilidade perto do fim onde você já prossegue pra transição pro caminho principal.

E isso também vale pra todas as outras fases na verdade... Até porque não faria muito sentido ter as melhores recompensas em apenas um caminho, não haveria motivo pra você realmente querer ver o que tem no caminho de baixo a menos que você queira ser desafiado já que eles realmente costumam ser os caminhos mais difíceis de passar por terem muitos inimigos e um foco maior em platforming. Na verdade algumas vezes você acaba indo parar acidentalmente nesses caminhos por algum erro seu, mas algumas vezes eu acabava indo pros caminhos de baixo enquanto rejogava Sonic 1 simplesmente por curiosidade e acabava tendo que jogar de outras maneiras.

As fases seguem essa estrutura porque os designers fizeram isso com fator replay na cabeça. Porque uma pessoa poderia rejogar um jogo passando pelas exatas mesmas fases sem muitas alterações até enjoarem, mas com Sonic isso demoraria um pouco mais porque existem várias rotas nas fases com várias maneiras diferentes delas serem acessadas. Então por um bom tempo em que eu jogava Sonic, eu sempre acabava rejogando e vendo os caminhos diferentes que eu poderia pegar, até que hoje em dia eu meio que já sei boa parte dos caminhos/segredos disso e então eu posso dizer que sou relativamente "enjoado" de Sonic... Ou pelo menos no caso das fases boas.

Uma coisa que as pessoas reclamam sobre Sonic 1 é como as fases após a Green Hill dificultam que você passe correndo rápido e outras como a Marble e a Labyrinth são bem mais lentas e focadas em platforming. No caso da Marble, você pode deixar a fase bem menos longa pegando os atalhos certos escondidos por aí ou fazendo "speedrun" por algumas das seções de platforming como eu indiquei ali. Então essa fase nunca me incomodou tanto assim.

No entanto, a Labyrinth... Já é uma fase que eu realmente concordo que é chata pra caralho. O problema é que ela é lenta DEMAIS e não tem uma maneira rápida de passar dela como a Marble: Você vai ter que progredir devagar e tomar cuidado com as várias armadilhas além de ser jogado na água toda hora, tornando ela mais lenta ainda do que o normal já que não só o Sonic fica lento como também você tem que ficar parando pra pegar as bolhas de ar pro Sonic não morrer afogado. A Labyrinth é a única fase desse jogo que eu digo que parece não pertencer ao mesmo, exceto talvez no Act 1 que tem uma espécie de atalho secreto logo no começo que te faz pular uma boa parte da fase... Mas só, o resto dos Acts não têm isso e eles são bem longos... O 2 mesmo é dolorosamente linear e maçante.

A Spring Yard é rápida ou lenta dependendo do caminho que você pegar na verdade, é mais um meio termo entre as duas coisas e eu tô ok com isso. As seções de platforming dela não chegam nem perto de ser tão lentas quanto as da Marble ou da Labyrinth e o ritmo ao todo é bem mais constante, apesar que você precisa sim tomar cuidado em certos trechos. A Star Light por outro lado é rápida, mas é cheia daqueles Orbinauts que são impossíveis de atingir aí porque eles não jogam os espinhos deles se abrindo pra ataque depois... Porém dá pra rolar passando por baixo da maioria deles ou pulando por cima quando eles tão posicionados nas áreas mais lentas.

Assim como algumas vezes você tem que passar por inimigos-bomba que explodem e ainda por cima as suas explosões podem te machucar, então tendo que esperar eles explodirem E evitar a explosão deles, ou então sair passando rápido por eles se você for bom o suficiente. Fora isso, a fase em si é relativamente rápida, especialmente se você se manter nas rotas superiores, então eu gosto dela apesar de não ter como matar nenhum dos inimigos aí praticamente.

Então tem a Scrap Brain que é a típica fase final que bota tudo o que você aprendeu com o jogo em teste... Eu amo essa fase, mas aquela parte no começo do Act 1 que se você passar correndo e uma porta abre te mandando pra um abismo pode ir se fornicar, aquilo é filha da putice extrema. Mas fora isso e algumas partes onde é meio impossível evitar projéteis de inimigos por ter pouco espaço, essa fase é desafiadora de forma justa e até pode ser facilmente passada também se você conseguir alcançar os caminhos superiores... Que são ridiculamente difíceis de alcançar e se manter nos mesmos, mas vale a pena, porque os outros caminhos são cheios de armadilhas e mal te dão espaço pra respirar direito. E eu nem me importo com o Act 3 ser uma Labyrinth Zone 2.0 porque tem um atalho que também te faz terminar ele bem rápido, basta você explorar as rotas e descobrir a maneira mais eficiente pra você jogar o jogo.

"Ah mas não tem nada pra explorar além de anéis e vidas extras"

Bem... De certa forma, sim, mas se você por acaso quer destravar o final bom do jogo, você vai ter que se preocupar com seus anéis já que você tem que terminar as fases com ao menos 50 pra poder entrar no Special Stage e um hit pode te fazer perder todos eles caso você não tenha um escudo. Algo que eu nem gosto muito, mas se por acaso você precisa de anéis, pode procurar pela fase que existe uma infinidade deles em vários cantos por aí.

As vidas extras meio que são um incentivo pra você tomar mais riscos, pois apesar do jogo ser relativamente generoso com essas se você for de explorar as fases, ele também te incentiva a se desafiar e tentar fazer coisas malucas com as mecânicas que você tem em mãos, o que pode resultar em você morrendo ocasionalmente até pegar o jeito. Em um jogo com vidas limitadas isso é meio desencorajado, mas já que Sonic costuma ser generoso com elas, você não sente muita falta de uma ou duas vidas perdidas tentando pensar fora da caixa.


Isso não significa que eu esteja dizendo que Sonic 1 é um jogo perfeito... Pra falar a verdade, eu até consigo entender por que alguém não gostaria desse jogo. Apesar de tudo, os elementos são meio que divididos aqui ao invés de colocados juntos na maior parte do tempo, a Marble e a Labyrinth mesmo são lentas enquanto a Green Hill e a Star Light são rápidas. Essa mudança constante de ritmo incomoda algumas pessoas enquanto nos jogos clássicos posteriores do Sonic isso foi bem mais balanceado com as fases juntando as duas coisas ao invés de serem só focadas em um dos aspectos.

Outra coisa meio chata com Sonic 1 é o quanto a dificuldade desse jogo é inconsistente... Veja bem a ordem das fases:

Green Hill -> Marble -> Spring Yard -> Labyrinth -> Star Light -> Scrap Brain

Quem já jogou esse jogo sabe que a Marble é muito mais difícil do que a Green Hill E a Spring Yard por ela ter muito mais "perigo" na tela além do ritmo mais lento e o platforming preciso. Então tacar uma fase dessas como a segunda do jogo é meio que bizarro, porque apesar da intenção ser acalmar o jogador depois daquela rapidez toda da Green Hill, isso só deixa o jogador mais tenso por causa dessa curva de dificuldade repentina. E eles basicamente fazem a mesma coisa de novo com a Labyrinth estando entre a Spring Yard e a Star Light sendo que ela é muito mais difícil do que as duas.

Se for pra criar uma "montanha russa" de dificuldade ao mesmo tempo que você queira fazer algo gradual com isso, eu creio que a melhor ordem pra se colocar as fases seria essa:

Green Hill -> Spring Yard -> Marble -> Star Light -> Labyrinth -> Scrap Brain

Começa relativamente fácil com a Green Hill, a dificuldade aumenta um pouco na Spring Yard e aí tem a Marble que já tem um ritmo diferente e uma dificuldade mais elevada. Então com a Star Light você volta pro ritmo rápido da Green Hill com uma dificuldade um pouco maior ainda, mas nada impossível de passar, só pra servir com um "alívio" pra dificuldade maior das duas fases passadas. Daí vem a Labyrinth que seria a fase mais difícil do jogo antes da Scrap Brain e aí a própria que é de fato a fase mais difícil do jogo.

Outro problema com Sonic 1 é que o jogo tem umas falhas bem esquisitas quanto à colisão... Existe aquele bug dos espinhos atingirem o Sonic independente dele estar com período de invencibilidade pós-hit ou não, o que signifca que se você cair em um lugar com um monte de espinhos como em um certo trecho da Labyrinth, o Sonic vai ficar caindo com a bunda nos espinhos e perdendo o escudo (se tiver) e seus anéis até morrer. E também ocasionalmente aconteceu de eu rolar naquelas largatas-robóticas-espinhosas [?] e ser atingido ao mesmo tempo que eu destruí uma delas, mesmo que eu tenha acertado exatamente a cabeça que é o único ponto vulnerável... Se eu não me engano, isso aconteceu uma vez ou outra também com aqueles inimigos da Spring Yard que têm espinhos por cima e então você tem que rolar pra matar eles.

Não é algo muito frequente, mas é uma merda quando acontece... Especialmente quando se erra um pulo e cai em espinhos que acabam te matando dessa maneira por causa da colisão esquisita.

Os bosses são... Eh. Eu não acho eles muito empolgantes, mas não tem nada exatamente mal projetado sobre eles, então acho que não os vejo como algo positivo e nem negativo. Assim como até os próprios Special Stages, apesar de eu não gostar, nesse jogo também não me incomodam tanto porque pelo menos eu meio que controlo o Sonic de uma maneira parecida com a que eu controlo nas fases normais, só que a tela fica girando e eu tenho que evitar bumpers e coisas do tipo pra não ser mandado pra fora e chegar na Chaos Emerald pra ter o final bom... Que, sinceramente, eu não acho que vale o esforço, só muda uma animação no finalzinho e pronto.

Ainda prefiro simplesmente achar as Chaos Emeralds escondidas nas fases como nos Sonic pro Master System, mas ok... Aliás, um dia quem sabe eu faça um post sobre um deles quando eu pegar pra jogar direito, porque eles são bem diferentes dos jogos do Sonic pro Mega Drive e interessantes da sua própria maneira.

Tente não ficar com essas músicas na cabeça depois de jogar


Eu acho que isso nem é uma coisa possível, mas acho que a trilha sonora desse jogo simplesmente dispensa introduções. O Masato Nakamura foi pra Sega o que o Koji Kondo tá sendo até hoje pra Nintendo, praticamente todas as músicas aqui têm aquelas melodias curtas, porém extremamente memoráveis e atmosféricas.

A música agitada e "triunfante" da Green Hill é uma das músicas de video game mais populares e remixadas de todos os tempos, e ela merece cada parte desse crédito todo, ela simboliza perfeitamente a sensação de estar correndo rápido pela primeira vez com o Sonic. As outras também são boas, porém as minhas favoritas fora a da Green Hill são a Star Light com o ritmo mais suave encaixando com a ambientação noturna dela, a Scrap Brain que é bem intimidadora em comparação com as outras, o que faz sentido já que é a base do Robotnik e ela é exatamente o oposto das outras fases: Poluída e totalmente mecanizada, é basicamente o que você tá tentando impedir a South Island de se transformar, como se você tivesse entrado em outro jogo a partir daí. E por último, mas não menos importante, a música da Final Zone que é dramática pra diabo e não poderia ser mais apropriada pra última luta do jogo.

Considerando que o Mega Drive é conhecido por ter um som bem ruim, o Nakamura meio que fez um milagre com isso aqui... E só por isso ele já merece bastante crédito.

Até os efeitos sonoros são característicos, o som do Sonic coletando os anéis e dos badniks sendo destruídos são impossíveis de relacionar com outra coisa.

Considerações finais

Eu não diria que Sonic 1 é o melhor jogo da série toda, mas não diria que é necessariamente um jogo ruim ou mediano também. O que acontece aqui é justamente o que costuma acontecer com os primeiros jogos de franquias sidescrollers famosas: É o primeiro jogo da série, a equipe em questão ainda não havia realmente dominado a fórmula em questão e esse serve mais como um "protótipo" ou uma base que será usada pra depois fazerem coisas melhores. É um pouco similar ao caso do primeiro Megaman ou Donkey Kong Country, mas mais pro lado do segundo mencionado do que o primeiro.

Apesar de tudo, Sonic 1 ainda é um jogo bom, não livre de falhas, mas ainda bom o suficiente pra você simplesmente pegar, jogar e se divertir... Quando você não está jogando a Labyrinth Zone de qualquer forma, mas ok. Eu conheço algumas pessoas que não gostam desse jogo justamente por ele ser "estranho" em comparação com seus dois sucessores do Mega Drive, e eu consigo entender o porquê de alguém pensar isso. Mas eu mesmo ainda gosto desse jogo, ele tem o seu charme mesmo sendo realmente inferior aos outros dois.

Digo... Só o fato de que Sonic 1 consegue passar no "teste do tempo" mesmo atualmente já é algo admirável, e alguns dos meus problemas com esse jogo foram consertados com outros relançamentos atualizados como a versão mobile que saiu ano passado ou até mesmo a versão de 3DS, ambos ports melhorados com umas coisas adicionais e melhoras aqui e ali. Não que o original não seja bom os suficiente, mas essas aí são as versões definitivas, então se você tiver acesso a elas, é claro que vale a pena comprar e jogar.

Prós:
+ Gameplay com mecânicas únicas mesmo hoje em dia.
+ Level design bom na maior parte do tempo.
+ Gráficos e visuais/arte fantásticos.
+ Trilha sonora memorável.

Contras:
- Tem aquele bug dos espinhos e outras bizarrices nas colisões de certos inimigos.
- Dificuldade inconsistente.
- A recompensa por passar dos Special Stages é bem bosta, hein.

Gráficos: 9/10
Enredo: 6/10
Gameplay: 8/10
Som: 8/10
Conteúdo extra: 4/10

Veredicto:

{ 16 comentários }

  1. Então isso significa que você vai rejogar tudo do Sonic?

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    1. Não tudo, mas boa parte dos principais sim... De alguma forma.

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    2. Saquei, boa sorte pra jogar Shadow e 06. :v

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    3. Eu nem sei se eu vou realmente jogar esses do começo ao fim.

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    4. Jogar Sonic Heroes, Shadow e 2006 tudo em seguida deve ser a pior coisa do mundo.

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    5. Sonic Heroes não é tão ruim assim, mas os outros dois realmente.

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  2. ROBOTENIQUE >>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>> EGGMAN

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  3. Parabéns, essa foi a análise mais detalhada do Sonic que eu já li, concordo com tudo.

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  4. Essa história do "Kintobor" também tinha nas HQs do Sonic se bem me lembro.

    Parece besta o conceito, fico feliz que tenha sido dropado pela SEGA no fim de tudo.

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  5. Ryu, você vai falar sobre os jogos na ordem cronológica (Sonic 1 > 2 > 3 > 4E1 > 4E2 > Adventure...) ou vai falar dos Adventures primeiro e dos episodios do 4 depois?

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    1. Não sei, talvez eu vou usar a ordem "cronológica" com os 2D pra dividir melhor as duas coisas.

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  6. Poxa, eu devo ser a única pessoa que gosta da Labyrinth, sempre gostei de andar com cuidado pra evitar as armadilhas de lá. Mas concordo com você que a ordem das fases devia ter sido diferente pro jogo ter uma dificuldade mais balanceada, a Marble era o terror da minha infância.

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    1. Kkkkk... Eu gosto da música da Labyrinth. É a segunda música épica desse jogo. O resto... nem curto muito.

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    2. Ah, esqueci de dizer que é a segubda música épica depois da Green Hill Zone.

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  7. Assim como o Allan, adoro a Labyrinth, principalmente a música dela! Eu sinceramente nunca senti uma diferença muito bruta de dificuldade quando passava da Green Hill para a Marble, talvez por eu sempre tentar explorar o máximo as fases, e também por ser paciente nos trechos de plataforming, só corro muito quando não estou jogando pra valer para tentar bater meus recordes e tals. Mas para quem gosta de correr muito essa diferença deve aparecer mesmo.

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  8. Eu não gosto muito desse Sonic porque tem muita fase lenta, mas respeito ele mesmo assim porque foi realmente inovador pra época.

    Parabéns pelo review. :)

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