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Postado por: Ryu sexta-feira, 31 de janeiro de 2014


Olá, meus queridos amiguinhos, eu disse que teria um post sobre Snatcher hoje, e estou cumprindo com minha palavra.

... Mais ou menos, porque é meia-noite e tecnicamente já é outro dia, mas fornique-se, só é outro dia de verdade quando amanhece, e eu sei muito bem que você pensa assim!

Enfim, por acaso você se lembra de quando eu disse em algum post velho que o Sega CD não tinha quase nenhum jogo que valha a pena uma olhada além de talvez Sonic CD e Spider-Man vs The Kingpin? Então... Voltando um pouco atrás na minha palavra, o Sega CD tem sim mais alguns games bons, a maioria são só FMVs interativos que são tão interessantes quanto assistir ao programa da Fátima Bernardes, mas eu procurei mais alguns jogos dele que não sejam uma merda, até li a lista do Amer dos melhores jogos do console e acabei achando bons títulos como Final Fight CD, Rise of the Dragon, Eathworm Jim: Special Edition, Popful Mail, Lunar, e é claro, Snatcher, que não só estava no topo da lista do Amer como também foi recomendado por um amigo e é o jogo que será analisado agora, foi recomendado há um bom tempo, porém eu só consegui ter tempo livre pra jogar Snatcher recentemente.

Quando eu fui procurar sobre Snatcher no meu velho amigo Google, eu fiquei meio surpreso, em primeiro lugar porque o jogo tem umas notas bem altas com a crítica e ainda assim eu nunca nem tinha ouvido falar dele antes, normalmente eu sempre sou notificado quando algum jogo é aclamado pela crítica, mas... Ok então. E em segundo lugar porque esse jogo foi produzido pela Konami e não só escrito como também dirigido por ninguém menos do que Hideo Kojima.

... Pois é, o cara do Metal Gear tá nessa aí, e então essa é a hora em que eu me pergunto se nunca ouvi falar de Snatcher antes por causa da minha falta de interesse antes para com o Sega CD nos anos passados ou porque o jogo realmente é meio obscuro, até porque ele foi relançado pra uma caralhada de outras plataformas aí, inclusive pro PS1, e eu ia procurar uma versão pra ele, mas era tudo em japonês, parece que apenas essa versão de Sega CD é em inglês, então acabei pegando essa mesmo.

Como eu ainda não cheguei a jogar Metal Gear Solid e até considero isso como um "pecado gamístico" meu, fiquei interessado em Snatcher que também seria obra de Kojima e poderia me dar uma boa primeira impressão do trabalho desse cidadão que é quase um deus pra muitos gamers por aí, e assim que tive tempo, baixei a rom e coloquei no meu emulador, sem nem tem certeza do que exatamente esperar de Snatcher, era como ir pro cinema assistir um filme que pelo que as pessoas comentam não é igual a nada que você já viu antes.

Então, o que eu tenho a dizer sobre esse jogo que eu mal conheço mas já considero pakas? Você descobrirá agora mesmo!

Blade Runner e O Exterminador do Futuro têm um filho


A história de Snatcher tem sua backstory passada no ano de 1996, ocorreu uma explosão no Centro de Pesquisa de Chernoton na Rússia, mas essa explosão não só matou uma caralhada de gente como também espalhou uma espécie de arma biológica conhecida como Lucifer-Alpha na atmosfera, e como algo biológico e ainda por cima com o nome do capeta sendo espalhado por aí não pode significar algo bom, uma grande tragédia acontece: Os ventos levaram Lucifer-Alpha pra Asia e pra Europa, e o maldito agente biológico encapetado matou apenas 80% da população de lá, que corresponde a metade da população do nosso mundo inteiro, esse evento ficou criativamente conhecido como "A Catástrofe".

Cerca de 50 anos depois, a humanidade finalmente conseguiu se recuperar dos desastres causados pela Catástrofe e vive pacificamente num mundo futurista, porém no Japão surge uma nova ameaça, porque quando não é na Rússia, é no Japão que acontece alguma coisa errada, e essa ameaça seria exatamente uma insurreição na ilha de Neo Kobe, essa revolta é liderada por um bando de bio-robôs que matam humanos normais e copiam o corpo deles pra usarem como disfarce e se infiltrarem na sociedade.

Ninguém sabe o que exatamente são eles e nem qual é o plano deles, mas como eles arrebatam os corpos das outras pessoas, ficaram sendo chamados de "Snatchers", e logo logo é formada uma força-tarefa de elite especializada pra caçar Snatchers chamada Judgement Uninfected Naked Kind and Execute Rangers... Mas como ninguém vai falar essa porra de nome, eles deixaram abreviar só pra JUNKER, o objetivo da JUNKER é justamente investigar o mistério por trás disso tudo e mandar os Snatchers de volta pro Exterminador do Futuro de onde vieram.

E assim a história começa, com o protagonista Gillian Seed, um agente militar que foi encontrado em estado de criogenia junto com sua esposa Jamie durante uma expedição do exército na Sibéria, Gillian sofre de amnésia e não se lembra de absolutamente nada do que houve antes de ser encontrado, e sua esposa também não se lembra de porra nenhuma, eles tentaram recomeçar, mas nunca deu muito certo, então ele teve que se separar dela porque acaba de entrar na JUNKER, apesar de não lembrar de bulhufas do seu passado, a palavra "Snatcher" é muito familiar pra Gillian e isso fez com que ele fosse transferido pra Neo Kobe pra ajudar na investigação e talvez conseguir lembrar de alguma coisa do seu passado misterioso que seja útil nessa luta contra os Snatchers.

No QG dos JUNKER, Gillian conhece vários dos seus colegas de trabalho: A secretária, Mika Slayton, de quem ele dá em cima logo depois de conhecer por uns 5 minutos, mostrando ser um marido bem fiel, o seu chefe, Benson Cunningham, e o mecânico Harry Benson, que dá a Gillian a sua pistola-laser-especializada-pra-destruir-Snatchers e monta um robô chamado Metal Gear Mk. II navegador pra acompanhá-lo como sidekick.

Não só o nome é uma referência óbvia à série Metal Gear como a própria maneira como esse robô é introduzido também, com Harry dizendo que ele foi criado com base no conflito dos Metal Gears dos anos passados, mas ao contrário dos originais, esse Metal Gear foi criado com propósitos pacíficos e tem várias funções que ajudarão Gillian na sua investigação.

Mas quando tudo parecia estar bem, um outro investigador dos JUNKER chamado Jean Jack Gibson faz uma ligação de emergência pro QG, afirmando ter visto um Snatcher e está preso numa fábrica abandonada correndo um sério risco de virar presunto nas mãos de um Snatcher, sem mais falação, Gillian é mandado até o local de onde a transmissão do seu parceiro foi feita e vai de carro até lá pra salvá-lo...

... Mas quando chegam perto da fábrica, ouvem um grito vindo lá de dentro e quando vão investigar, acham Little John, o robô navegador de Jean completamente destruído, mas com seu chip de memória intacto, e mais a frente o próprio Jean decapitado, mas com evidências de que ele foi morto não por um, mas por dois Snatchers, e acharam algumas coisas entre os pertences dele como uma chave antiga e um papel escrito "Search the house", mas antes que possam terminar a investigação, Gillian e Metal Gear avistam duas figuras passando por perto, mas essas figuras misteriosas somem, nossos heróis descobrem que havia uma bomba-relógio dentro de Little John esse tempo todo e são atacados por robôs-aranha, mas conseguem dar conta do problema e escapar com suas vidas do local destruído com todas as evidências necessárias.

Os outros JUNKER ficam sabendo do ocorrido e, sem muitas opções sobrando, colocam Gillian como seu novo investigador principal já que ele provou ser manjão o suficiente pra isso pegando várias evidências na cena do crime há umas horas atrás, e agora cabe a ele e Metal Gear chegarem ao fundo disso tudo e descobrirem qual é o segredo dos Snatchers e eventualmente a relação deles com o passado de Gillian, e assim a história se desenrola e fica muito mais complexa do que aparenta ser.


Apesar das óbvias influências de Blade Runner e os próprios Snatchers serem uma homenagem aos robôs do Exterminador do Futuro, Snatcher é um daqueles jogos que você pode pegar e esfregar na cara de quem diz que histórias não deviam existir em jogos, sabe aquelas bichas retro que reclamam quando um jogo tem cutscenes ou tenta contar alguma história? Pois é, esfregue seu Snatcher na cara de um se vir, e pode continuar esfregando até a cara dessa pessoa ficar totalmente deformada e ela virar o Marilyn Manson, porque a história desse jogo é muito boa.

Mas eu sei, você vai falar "Ain, mas Snatcher é um tipo de jogo focado em história", e isso é óbvio, mas o que eu digo é que ele é uma das várias provas de que jogos podem contar histórias boas com temas maduros e personagens memoráveis tão bem quanto, ou até melhor do que filmes ou livros, as relações entre os personagens desse jogo é um dos maiores pontos da história.

O próprio Gillian tem um desenvolvimento incrível, no começo eu nem gostei muito dele porque logo no começo ele meio que parecia um cara creepy que só tava esperando a hora de botar a Mika amarrada na cama e meter seu salame nela até amanhecer, e isso sendo que ele tinha uma esposa (ou ex-esposa) que também sofria de amnésia e queria saber sobre seu passado tanto quanto ele, imagina só ele voltando pra ela e dizendo "Oi meu amor, finalmente descobri o que nós fazíamos no passado, mas... Eu estou com a minha secretária gostosa agora, tenho certeza de que você vai achar sua alma gêmea ainda, me perdoe."

Só que depois ele foi mostrando ser diferente, aparentando ser mais maduro, mas ainda tendo seus próprios defeitos que já quase botaram sua bunda em perigo, mas ele é um daqueles caras fáceis de gostar, que normalmente são mais descontraídos, mas quando é pra ser sério e fazer o que ele tem que fazer, ele o faz, chega, alguns meios dele chegam até a ser até meio assustadores, como quando ele coloca a sua arma na boca de um cara que ele achava ser um Snatcher pra interrogá-lo, assim como foi comigo e com alguns personagens, eu comecei estranhando ele, mas logo depois passei a admirá-lo, é um personagem bem carismático e com uma backstory boa que eu não posso dizer aqui porque spoilers.

E o elenco não se limita apenas a ele de personagens legais, Metal Gear é um sidekick divertido, o Harry é um tiozão cachaçeiro que vivia sozinho e seu único amigo era o Jean, ele também tem uma história revelada por um plot twist do jogo que provavelmente é um dos maiores, o chefe também tem esse jeito de "Mr. Nice Guy", mas tem algo por trás dele, mais tarde você conhece um caçador de recompensas misterioso chamado Random Hajile que ajuda Gillian em suas investigações e consegue parecer mais badass do que quase todo mundo desse jogo, e vários outros, praticamente cada personagem do jogo tem alguma coisa pra adicionar na história... Claro, mais uns do que outros, mas ainda assim é difícil não se apegar a pelo menos um deles.

O humor de Snatcher também é muito bom, as vezes umas quebras de 4th wall sutis como no começo quando você está investigando a fábrica abandonada onde o Gibson morreu e o Metal Gear começa a detectar um tipo de son, o Gillian diz que não está ouvindo e aí o Metal Gear responde com "Tenta aumentar o volume da TV", então logo depois da explosão da fábrica, o Gillian diz que os ouvidos dele estão zumbindo e o Metal responde dizendo "Isso é porque você deixou o volume alto", ou cenas normalmente engraçadas que te pegam de surpresa como quando Gillian vai pro seu banheiro porque pensa que um Snatcher entrou em seu apartamento, então chegando lá, ele só encontra a Katrina (filha do Gibson) pelada, e apesar de ser uma perversão acidental, ele não esconde que gostou da sua visão, além do jogo ter várias referências a filmes e outros jogos tanto de Metal Gear como de outras franquias.

... Aliás, a Katrina tem 14 anos, no manual da versão americana é dito que tem 18 pra evitar polêmicas, mas na verdade ela tem 14, o Gillian tem mais de 50 anos, ele é mais velho do que parece, mas não aparenta porque ficou congelado lá e isso o preservou, eu acho, mas tecnicamente, ele é um pedófilo, e provavelmente eu também sou, já que... É... Você sabe.


ME SOLTEM, SEUS FILHOS DE UMA MACACA COM CANCRO MOLE! NO MANUAL DA VERSÃO AMERICANA DIZ QUE ELA TINHA 18! ISSO NÃO É JUSTO, ME SOLTEEEEEEEM!

"Explique isso ao juiz, seu molestador de pixels de merda!"

...

Ok, consegui sair da cadeia após apresentar evidências no manual, mas qual é a desses japoneses com idades de personagens das suas obras de ficção afinal? Não é nem só aqui, os personagens de Cavaleiros do Zodíaco têm cerca de 12 a 14 anos de idade, mas têm aquelas caras e corpos de mais de 20.

Enfim, a história desse jogo é incrível, sem dúvidas uma das melhores que eu já vi em video games no geral, e o mais interessante é que esse jogo é bem antigo, é de uma época em que você só via histórias realmente elaboradas desse jeito em RPGs e alguns jogos de ação, a maioria dos enredos de jogos costumavam ser extremamente simples e diretos, algumas vezes até mesmo ausente, mas Snatcher é um daqueles "jogos-filme" onde o foco principal é a história e o jogo deixa isso cada vez mais aparente enquanto ela progride e vai ficando cada vez mais madura.

Histórias desse tipo em jogos foram surgindo cada vez mais, hoje em dia nós temos várias histórias envolventes que podem adotar vários temas profundos, bater de frente com filmes/livros e até serem melhores, mas é impressionante que um jogo dos anos 90 como Snatcher apresente uma das primeiras desse tipo e ela ainda consiga ser no nível dessas de agora.

Bonito e, de certa forma, perturbador


Uma coisa que eu nunca vi graça no Sega CD e provavelmente nunca verei serão os Full Motion Videos (ou FMVs) que sempre foram marketados, nos comerciais era dito como se ele fosse realístico, os jogos sendo como filmes interativos e bla bla bla, mas quase todo jogo de Sega CD que eu vi usando essa merda parecia horrível, as filmagens ou sei lá como gravavam aquilo pareciam aqueles vídeos em 144p do Youtube em que as pessoas e os objetos ficam tão pixelizados que chega a ficar desagradável de olhar, talvez tenha sido algo novo na época, mas eu nunca gostei, não gostava quando vi antes e não gosto até hoje.

Mas algo que eu realmente apreciava em outros jogos do Sega CD era quando faziam bom uso da capacidade gráfica dele pra produzir animações e cutscenes melhores, jogos como Sonic CD, Spider-Man vs The Kingpin e Final Fight CD fazem isso, eles têm cutscenes animadas como se fossem as CGs de antigamente, claro, as animações não eram 100% perfeitas na maioria dos casos, mas elas ainda têm seu charme e os visuais são belos e detalhados mesmo hoje em dia.

Felizmente, Snatcher faz parte dessa segunda opção de visuais de jogos do Sega CD, nada de FMVs e sim um jogo que parece um filme em anime, e apesar de nem tudo ser completamente animado, as cutscenes do jogo são muito bem-feitas e com certeza se esforçaram pra fazer com que o jogo tenha uma atmosfera condizente com a história, a arte mostra ambientações futurísticas e sombrias inspiradas em filmes do tipo, e você realmente se sente em um filme interativo.

Outra coisa que Snatcher faz estranhamente muito bem detalhadamente...


... É a violência gráfica, Snatcher é um dos jogos mais violentos que eu já vi, as partes mais perturbadoras do jogo costumam mostrar corpos mortos em um nível de detalhes assustadoramente grande, logo no primeiro caso você vê o cadaver decapitado do Gibson com sangue pra todos os lados e a sua cabeça meio próxima da câmera, e isso é só uma das cenas mais leves do jogo, outras mostram corpos com vermes, Snatchers com as caras rasgadas, e mais uma caralhada de coisas.

Esse jogo inclusive não teve muita distribuição por causa disso, e provavelmente vendeu mal por causa disso, era tão violento que causaria polêmica e deixaria o pessoal que caiu matando em cima de Mortal Kombat com os cus mais ardidos ainda do que já estavam, e eu sinceramente nem acho os primeiros Mortal Kombat tão violentos assim, a violência que eu via lá não era nem o suficiente pra me causar alguma coisa quando criança.

Agora se eu jogasse ou visse alguém jogando Snatcher e me deparasse com alguma dessas cenas violentas, com certeza eu ficaria no mínimo com medo do jogo, eu tinha medo de um monte de coisa relacionada a jogos, tinha medo do meu monstro morrer em Monster Rancher 2, tinha medo do K. Rool do segundo Dokey Kong Country e até tinha um pouco de medo do Monster Ock do jogo do Homem-Aranha pro PS1...

... Eu era um pirralho nessa época, pare de me julgar!

Um gameplay bom, mas com certos tropeços



É meio difícil falar do gameplay de um Visual Novel com foco em história como Snatcher e outros jogos do tipo, até porque não há muuuuuito o que falar pelo fato de jogos assim costumarem ter gameplays simples e em maior parte auto-explicativos, você só seleciona algumas opções de ações pro seu personagem no menu e assiste o resultado dessa sua escolha, e assim continua sendo, e com Snatcher não é muito diferente.

Quando você não está assistindo as cutscenes e os diálogos do jogo, você normalmente para em um local, aí existem várias opções como investigar/observar objetos, falar com tal personagem, ir de tal lugar pra outro, procurar por pistas, evidências, interrogar, você não precisa ser nenhum gênio pra entender como o gameplay nesse jogo funciona, mas muitas vezes ele te coloca em situações mais tensas onde você tem que pensar rápido, ou então apresenta alguns puzzles pra serem resolvidos e assim finalmente progredir na história, mas a maioria desses puzzles são simples e não te devem dar muito trabalho.

Já as partes de investigação mesmo do jogo são meio... Estranhas, não no sentido das cenas serem estranhas e sim do modo como você interage com o jogo e como os comandos funcionam, em especial os comandos "Look" e "Investigate", nessas partes do jogo eles são implementados de uma forma tão bizarra e ilógica que eu até cheguei a me frustrar quando estava na primeira parte de investigação, que no caso seria a da fábrica abandonada onde tem o Little John destruído e o cadáver do Gibson.

O jogo quer que você use ambos os comandos pra tudo, mas de acordo com a lógica dele, pra você poder examinar alguma coisa, você tem que investigar, ok, faz sentido, mas se você quer usar ela, você tem que escolher "Look", porém você tem que investigar o item em suas mãos primeiro pra depois poder usá-los com a opção Look, e as vezes o jogo simplesmente fica parado porque o uso desses comandos não é intuitivo e muito menos explicado detalhadamente pro jogador, aí certos diálogos e cenas não podem rolar porque você não usou Look e Investigate em exatamente tudo e exatamente na ordem certa, e isso é exatamente como você passa por todas essas partes de investigação em Snatcher.

Com o tempo eu "aprendi" como o jogo quer que eu jogue essas partes, mas cara, você não faz ideia do quanto eu fiquei nervoso quando eu tentava um monte de opções e até repetia várias delas porque não sabia se eu estava esquecendo alguma coisa, nessa da fábrica eu fiquei travado pelo menos uns 40 minutos só tentando entender o que diabos estava faltando, já que eu não podia sair da fábrica porque o Metal Gear falava que ainda há coisas pra investigar lá, então depois de experimentar tudo e entender o padrão dessas partes, eu pude passar da maioria delas sem maiores problemas.

De qualquer forma, isso é um problema que não devia estar aí, até porque não faz sentido, se você já tem um objeto, por que diabos o jogo quer que você perca tempo investigando ele pra depois poder usá-lo? Você já sabe o que ele é, as vezes até as próprias descrições que o Gillian dá pra tais objetos quando os acha é explicativa o suficiente, então não tem necessidade mesmo de fazer isso e só serve pra empacar o jogo, essas partes costumam ser as mais cansativas pelos motivos errados, eu lembro que cheguei bem perto de querer fechar o emulador quando isso aconteceu, mas não, eu persisti.

E outra coisa que me irritou um pouco foi o fato de você ter que ficar "enrolando" em algumas partes do jogo até alguma coisa acontecer, como no começo quando você está ali na frente da fábrica abandonada, mas não pode entrar nela antes de ouvir o grito do Gibson, então tem que ficar lá escolhendo as mesmas opções de interação até finalmente ele dar o grito e aí a história poder prosseguir, mas isso não acontece muuuuitas vezes no entanto, então tá semi-perdoado.


Mas fora essas partes de investigação em particular, usualmente Snatcher é um jogo divertido e a interação dele é até boa, o jogo te dá uma certa liberdade do que fazer nas partes mais normais, por exemplo apesar de ter uma atmosfera completamente séria e tal, o jogo te deixa dar em cima de qualquer personagem feminina independente da situação em que se encontra, quando você vai falar pra Katrina sobre a morte do pai dela, ela fica chocada e tal, mas aí você pode dar em cima dela e chamar ela pra sair assim do nada, o Gillian pode ser meio que um estuprador potencial se você assim desejar, e um cara desses trabalhando como oficial da lei é engraçado só de imaginar.

Além de, claro, as suas ações poderem levar a Easter Eggs, diálogos e algumas cenas alternativas que apesar de não mudarem em nada o desenrolar da história, normalmente são legais de assistir, em partes, você pode usar o telefone embutido do Metal Gear pra ligar pra Jamie e fingir que você sente falta dela apesar de estar afim de comer todas as personagens femininas existentes do jogo, eu adoro esse tipo de coisa, são esses pequenos toques e detalhes que me fazem "explorar" a maioria dos jogos.

E quando você não está fazendo nada citado acima, você está usando sua pistola pra meter bala nos seus inimigos, e essas são consideradas como as partes de ação do jogo. A mira funciona normalmente, ela é guiada pelo seu controle e fica posicionada no canto da tela pro qual você apertar os direcionais, então você tem que atirar no local certo com um timing bom ou então pode acabar perdendo vida e morrendo, e no começo quando você só está trocando tiros com aranhas mecânicas ou Snatchers genéricos, essas partes são ridiculamente fáceis, mas na medida em que você progride até chegar pelos atos finais da história, elas vão pedir muito mais reflexos e chega a ser quase impossível passar sem levar pelo menos uma porradinha, a última então é um inferno, mas felizmente o jogo te deixa salvar a qualquer hora, então você pode salvar antes e ir tentando quantas vezes quiser até conseguir passar eventualmente se por acaso estiver tendo dificuldades demais com uma parte dessas, eu pessoalmente só achei a última difícil ao ponto de eu morrer mais de uma vez.

E eu acho que dá pra se divertir digitando nomes no computador Jordan e descobrindo mais coisas por lá, digitando o nome do Kojima, você tem outro Easter Egg, mas podem haver resultados engraçados digitando coisas aleatórias ou obscenas pra ele pesquisar e te dizer algo correspondente a isso.

Essencialmente, Snatcher é um jogo divertido apesar de ter seus problemas, mas o maior pra mim é justamente que o jogo é beeeem curto e dá pra ser terminado em cerca de 5 ou 6 horas se você for pegar pra jogar sem parar, não seria problema se o fator replay fosse alto o suficiente pra compensar isso, mas Snatcher não tem muito fator replay, a estrutura do jogo é bem linear e ele não oferece finais alternativos por exemplo, como é o caso de 999, um jogo curto, mas com um replay alto por ter vários finais diferentes, e isso acaba tornando o "tempo de vida" de Snatcher curto, eu provavelmente vou terminá-lo mais umas duas ou três vezes pra ver mais cenas alternativas e Easter Eggs que eu poderia ter perdido, e aí depois ficarei cansado, e vou acabar deixando o jogo na gaveta já que vi tudo nele e será sempre a mesma história com os mesmos eventos toda vez em que eu for jogar.

Isso é realmente uma pena, porque uma história tão boa como a desse jogo podia ter mais finais e rotas diferentes pra você poder explorar cada canto dela e ver as várias formas diferentes de narrativa que ela proporciona, ou isso ou então o jogo podia ser mais longo, ele realmente termina com aquele gosto de "quero mais" que provavelmente nunca vai sair já que o jogo foi um fracasso comercial, não vai ter nenhuma sequência que chegue a expandir o seu universo e o Kojima foi pra outros projetos.

No entanto, Snatcher é um clássico cult entre várias pessoas e foi aclamado pela crítica, e enquanto eu não acho que seja perfeito, ele tem um grande mérito por isso e é algo que eu reconheço apesar de tudo.

Uma das primeiras dublagens em jogos, e não é uma merda


Como você já deve imaginar, a trilha sonora dessa versão de Snatcher tem músicas completamente com qualidade de CD ao invés de usar chips de som e coisas de jogos 16-bit normais, mas as músicas em si são genuinamente boas? Sim, a trilha sonora do jogo é muito boa, as músicas usualmente são mais "ambiente", na cidade de Neo Kobe por exemplo toca um jazz com um ritmo bem "dançante" pra se acomodar com a cidade toda movimentada e tal, mas elas também podem se alterar pra algo mais atmosférico pra se encaixar nas partes mais tensas do jogo.

O que impressiona mais é a dublagem, Snatcher é um dos primeiros jogos a ter de fato uma dublagem, e enquanto a maioria dos jogos de Sega CD que tinham dublagem era um negócio de tão baixo orçamento que parecia ser um cara tentando imitar um monte de vozes diferentes pros 50 personagens da história, Snatcher tem de fato uma dublagem boa, com vários dubladores e todos eles fazendo um ótimo trabalho, chega a ser até difícil de acreditar, mas é real, a dublagem desse jogo é digna de ser comparada com aquelas de filmes animados de verdade.

Considerações finais

Mesmo se você não gostar de jogos desse estilo Visual Novel, vale a pena jogar Snatcher só pela história, que cá entre nós, é o ponto principal do jogo, é uma das tramas mais elaboradas e bem desenvolvidas que eu vi em um jogo até agora, com personagens bastante complexos e únicos e plot twists que farão você cuspir seu coração pela boca, e isso vem de mim, eu nem sou muito fã de jogos Visual Novel ou Point 'N Click, mas quando é bem feito como em Snatcher e outros jogos tipo Phoenix Wright, 999, The Walking Dead ou L.A Noire, eu consigo jogar sem problemas e acabo gostando como qualquer outro jogo bom por aí.

Porém Snatcher não é aquela coisa perfeita, o jogo ainda continua curto, a interatividade nas investigações tem uns problemas que podem irritar gente com menos paciência e quase não tem nenhum fator replay além de acompanhar a história de novo e descobrir uns Easter Eggs e algumas cenas diferentes que não mudam muito a história, mas isso acaba cansando na medida em que você revê a história, querendo ou não...

Mas uma coisa é certa: Snatcher é um ótimo jogo enquanto dura, e como eu já disse várias vezes antes e volto a repetir, um jogo bom que dura pouco é sem dúvidas melhor do que um ruim que dura muito.

Prós:

+ Gráficos bonitos e detalhados.
+ Direção artística com inspiração em universos cyberpunk cinematográficos.
+ Uma das melhores histórias em um jogo.
+ Referências e Easter Eggs divertidos.
+ As sequências de shooter dão um pouco de variedade pro ritmo do jogo.
+ Dublagem espetacular.

Contras:

- Muito curto e quase sem fator replay.
- Não é muito desafiador também.
- As partes de investigações são cansativas pelos motivos errados.
- Ter que escolher uma mesma opção de interação várias vezes é meio idiota.

Gráficos: 9/10
Enredo: 9/10
Gameplay: 7/10
Som: 8/10
Conteúdo extra: 4/10

 Veredicto:

{ 36 comentários }

  1. Tudo bem, Ryu, você me convenceu a dar uma chance a esse jogo, sabe onde eu acho a ROM ou ISO dele?

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    1. http://coolrom.com/roms/segacd/258/Snatcher.php

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    2. Vlw, vou testar amanhã.

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    3. IDEIA JENIAU: Deixar as roms no final do post.

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    4. Eu fico com preguiça de procurar, mas anotarei.

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    5. Eu comecei a jogar, e tirando a maneira confusa de investigar as coisas lá nessa fábrica onde eu encontro o cara sem cabeça, tá legal, eu gostei dos detalhes do jogo, eu liguei pra Jamie com esse telefone do Metal, tive uma conversa com ela indo pro trabalho, mas tive que sair e fechei o jogo, aí quando fui ligar de novo quando joguei, ela estava indo dormir e a conversa foi diferente.

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    6. Eu só conversei com ela indo pro trabalho mesmo, mas é, um detalhe legal. O jogo realmente começa a se abrir mesmo no segundo ato da história no entanto, aí ele fica bem mais interessante.

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    7. Terminei, e que FDP esse último tiroteio.

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  2. Se você gostou desse, devia jogar Policenauts, é no mesmo estilo e foi produzido pelo Kojima também.

    (Tá deserto por aqui, hem)

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    1. 01:37 da madrugada, nem todo mundo é desocupado o suficiente pra ficar acordado até essa hora.

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    2. Como eu disse, eu sempre deixo a aba do blog aberta, no caso de loucuras da meia-noite.

      UPDATE BONUS:

      http://www.youtube.com/watch?v=UhHhXukovMU

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  3. Hideo Kojima é um gênio mesmo, não tem um jogo ruim vindo dele.

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    1. MGS 2 não é tão ruim quanto fazem parecer, os fãs só ficaram nervosinhos porque o protagonista é o Raiden e não o Snake.

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    2. A narrativa do MGS2 é meio ruim e o Raiden n chega nem perto de ser o personagem que o Snake é, mas eu gosto da gameplay, mais do que a do primeiro.

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  4. A propósito, Ryu...

    JOGUE METAL GEAR SOLID LOGO SEU FILHO DO CAPETA AAAAAAAAASDASDASDSA

    A história é muito melhor do que a desse jogo aí, sério.

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    1. Eu ainda vou jogar, só preciso de tempo livre mesmo, relaxa ae.

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    2. E no final vc só jogou em 2016.

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    3. Na verdade eu joguei em 2014 pela primeira vez... Aí joguei outras vezes em 2015 e só fui postar em 2016.

      Meu ritmo pras coisas tá uma maravilha.

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  5. "o jogo te deixa dar em cima de qualquer personagem feminina independente da situação em que se encontra, quando você vai falar pra Katrina sobre a morte do pai dela, ela fica chocada e tal, mas aí você pode dar em cima dela e chamar ela pra sair assim do nada"

    Foi isso mesmo que eu fiz. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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    1. Então você também é um pedófilo.

      Pode levar, polícia.

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    2. Eu também fiz isso, mas eu dava save state antes e aí dava load pra parecer que eu nunca fiz isso no jogo. ahuehauheauheuaheua

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  6. Foi o Amer que me fez jogar esse jogo, devo essa pra ele.

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    1. Ele me fez jogar indiretamente também, deu uma motivação a mais e tals.

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  7. Esse é o melhor jogo do Sega CD junto com Rise of the Dragon e Sonic CD, joguei e rejoguei tantas vezes que eu até tenho os diálogos memorizados, muito bom mesmo, e o Policenauts que mencionaram aí em cima também é um jogão.

    E já que você faz reviews que as pessoas pedem, poderia fazer uma do GTA IV? Eu li a sua do V e fiquei curioso porque você não pareceu gostar muito do IV, queria que elaborasse mais nisso.

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    1. Eu não sei se vai dar pra eu jogar Policenauts já que parece ser do Saturn e não conheço nenhum emulador bom dele.

      Sobre GTA IV, eu não odeio esse jogo igual talvez tenha passado a impressão na review do V, é um jogo competente e polido, mas é meio limitado perto dos outros porque a Rockstar veio com uma proposta de ser mais realístico quando criou esse jogo.

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    2. Existe uma versão de PSX, mas vai precisar procurar uma tradução feita por fãs dele, é todo em japonês.

      E eu entendo, o IV é diferente dos outros, mas ainda é um bom jogo IMO.

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    3. E é essa a hora em que eu empurro o jogo com a barriga até não ter mais nada pra fazer e jogar, odeio ter que procurar patches de tradução pra jogos.

      Mas talvez depois eu faça uma review de GTA IV sim.

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    4. Vai analisar Twilight Princess?

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  8. Nunca vi graça em Visual Novel, mas esse jogo parece dazora, vo tentar depois.

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  9. Realmente a maioria dos jogos FMV são um saco. Entretanto, eu tenho certeza que existe 1 deles que te faria mudar de opinião: Road Avenger. É bem curtinho, mas é realmente bom (lógico que não é perfeito), da pra finalizar em uns 15 min e é ridiculamente fácil (ao menos pra mim). Eu joguei só 10% do snatcher e realmente concordo com os defeitos citados, grande review.

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    1. Eu tinha ouvido falar nesse, mas ainda não baixei porque estive ocupado com os outros que citei antes, vou procurar depois quando estiver mais livre.

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  10. Bem a cara do Ryu pegar esses jogos obscuros de hipster aí e elogiar, enquanto isso ele odeia GoW só porque é fácil.

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