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Archive for Janeiro 2014

Snatcher

By : Ryu

Olá, meus queridos amiguinhos, eu disse que teria um post sobre Snatcher hoje, e estou cumprindo com minha palavra.

... Mais ou menos, porque é meia-noite e tecnicamente já é outro dia, mas fornique-se, só é outro dia de verdade quando amanhece, e eu sei muito bem que você pensa assim!

Enfim, por acaso você se lembra de quando eu disse em algum post velho que o Sega CD não tinha quase nenhum jogo que valha a pena uma olhada além de talvez Sonic CD e Spider-Man vs The Kingpin? Então... Voltando um pouco atrás na minha palavra, o Sega CD tem sim mais alguns games bons, a maioria são só FMVs interativos que são tão interessantes quanto assistir ao programa da Fátima Bernardes, mas eu procurei mais alguns jogos dele que não sejam uma merda, até li a lista do Amer dos melhores jogos do console e acabei achando bons títulos como Final Fight CD, Rise of the Dragon, Eathworm Jim: Special Edition, Popful Mail, Lunar, e é claro, Snatcher, que não só estava no topo da lista do Amer como também foi recomendado por um amigo e é o jogo que será analisado agora, foi recomendado há um bom tempo, porém eu só consegui ter tempo livre pra jogar Snatcher recentemente.

Quando eu fui procurar sobre Snatcher no meu velho amigo Google, eu fiquei meio surpreso, em primeiro lugar porque o jogo tem umas notas bem altas com a crítica e ainda assim eu nunca nem tinha ouvido falar dele antes, normalmente eu sempre sou notificado quando algum jogo é aclamado pela crítica, mas... Ok então. E em segundo lugar porque esse jogo foi produzido pela Konami e não só escrito como também dirigido por ninguém menos do que Hideo Kojima.

... Pois é, o cara do Metal Gear tá nessa aí, e então essa é a hora em que eu me pergunto se nunca ouvi falar de Snatcher antes por causa da minha falta de interesse antes para com o Sega CD nos anos passados ou porque o jogo realmente é meio obscuro, até porque ele foi relançado pra uma caralhada de outras plataformas aí, inclusive pro PS1, e eu ia procurar uma versão pra ele, mas era tudo em japonês, parece que apenas essa versão de Sega CD é em inglês, então acabei pegando essa mesmo.

Como eu ainda não cheguei a jogar Metal Gear Solid e até considero isso como um "pecado gamístico" meu, fiquei interessado em Snatcher que também seria obra de Kojima e poderia me dar uma boa primeira impressão do trabalho desse cidadão que é quase um deus pra muitos gamers por aí, e assim que tive tempo, baixei a rom e coloquei no meu emulador, sem nem tem certeza do que exatamente esperar de Snatcher, era como ir pro cinema assistir um filme que pelo que as pessoas comentam não é igual a nada que você já viu antes.

Então, o que eu tenho a dizer sobre esse jogo que eu mal conheço mas já considero pakas? Você descobrirá agora mesmo!

Blade Runner e O Exterminador do Futuro têm um filho


A história de Snatcher tem sua backstory passada no ano de 1996, ocorreu uma explosão no Centro de Pesquisa de Chernoton na Rússia, mas essa explosão não só matou uma caralhada de gente como também espalhou uma espécie de arma biológica conhecida como Lucifer-Alpha na atmosfera, e como algo biológico e ainda por cima com o nome do capeta sendo espalhado por aí não pode significar algo bom, uma grande tragédia acontece: Os ventos levaram Lucifer-Alpha pra Asia e pra Europa, e o maldito agente biológico encapetado matou apenas 80% da população de lá, que corresponde a metade da população do nosso mundo inteiro, esse evento ficou criativamente conhecido como "A Catástrofe".

Cerca de 50 anos depois, a humanidade finalmente conseguiu se recuperar dos desastres causados pela Catástrofe e vive pacificamente num mundo futurista, porém no Japão surge uma nova ameaça, porque quando não é na Rússia, é no Japão que acontece alguma coisa errada, e essa ameaça seria exatamente uma insurreição na ilha de Neo Kobe, essa revolta é liderada por um bando de bio-robôs que matam humanos normais e copiam o corpo deles pra usarem como disfarce e se infiltrarem na sociedade.

Ninguém sabe o que exatamente são eles e nem qual é o plano deles, mas como eles arrebatam os corpos das outras pessoas, ficaram sendo chamados de "Snatchers", e logo logo é formada uma força-tarefa de elite especializada pra caçar Snatchers chamada Judgement Uninfected Naked Kind and Execute Rangers... Mas como ninguém vai falar essa porra de nome, eles deixaram abreviar só pra JUNKER, o objetivo da JUNKER é justamente investigar o mistério por trás disso tudo e mandar os Snatchers de volta pro Exterminador do Futuro de onde vieram.

E assim a história começa, com o protagonista Gillian Seed, um agente militar que foi encontrado em estado de criogenia junto com sua esposa Jamie durante uma expedição do exército na Sibéria, Gillian sofre de amnésia e não se lembra de absolutamente nada do que houve antes de ser encontrado, e sua esposa também não se lembra de porra nenhuma, eles tentaram recomeçar, mas nunca deu muito certo, então ele teve que se separar dela porque acaba de entrar na JUNKER, apesar de não lembrar de bulhufas do seu passado, a palavra "Snatcher" é muito familiar pra Gillian e isso fez com que ele fosse transferido pra Neo Kobe pra ajudar na investigação e talvez conseguir lembrar de alguma coisa do seu passado misterioso que seja útil nessa luta contra os Snatchers.

No QG dos JUNKER, Gillian conhece vários dos seus colegas de trabalho: A secretária, Mika Slayton, de quem ele dá em cima logo depois de conhecer por uns 5 minutos, mostrando ser um marido bem fiel, o seu chefe, Benson Cunningham, e o mecânico Harry Benson, que dá a Gillian a sua pistola-laser-especializada-pra-destruir-Snatchers e monta um robô chamado Metal Gear Mk. II navegador pra acompanhá-lo como sidekick.

Não só o nome é uma referência óbvia à série Metal Gear como a própria maneira como esse robô é introduzido também, com Harry dizendo que ele foi criado com base no conflito dos Metal Gears dos anos passados, mas ao contrário dos originais, esse Metal Gear foi criado com propósitos pacíficos e tem várias funções que ajudarão Gillian na sua investigação.

Mas quando tudo parecia estar bem, um outro investigador dos JUNKER chamado Jean Jack Gibson faz uma ligação de emergência pro QG, afirmando ter visto um Snatcher e está preso numa fábrica abandonada correndo um sério risco de virar presunto nas mãos de um Snatcher, sem mais falação, Gillian é mandado até o local de onde a transmissão do seu parceiro foi feita e vai de carro até lá pra salvá-lo...

... Mas quando chegam perto da fábrica, ouvem um grito vindo lá de dentro e quando vão investigar, acham Little John, o robô navegador de Jean completamente destruído, mas com seu chip de memória intacto, e mais a frente o próprio Jean decapitado, mas com evidências de que ele foi morto não por um, mas por dois Snatchers, e acharam algumas coisas entre os pertences dele como uma chave antiga e um papel escrito "Search the house", mas antes que possam terminar a investigação, Gillian e Metal Gear avistam duas figuras passando por perto, mas essas figuras misteriosas somem, nossos heróis descobrem que havia uma bomba-relógio dentro de Little John esse tempo todo e são atacados por robôs-aranha, mas conseguem dar conta do problema e escapar com suas vidas do local destruído com todas as evidências necessárias.

Os outros JUNKER ficam sabendo do ocorrido e, sem muitas opções sobrando, colocam Gillian como seu novo investigador principal já que ele provou ser manjão o suficiente pra isso pegando várias evidências na cena do crime há umas horas atrás, e agora cabe a ele e Metal Gear chegarem ao fundo disso tudo e descobrirem qual é o segredo dos Snatchers e eventualmente a relação deles com o passado de Gillian, e assim a história se desenrola e fica muito mais complexa do que aparenta ser.


Apesar das óbvias influências de Blade Runner e os próprios Snatchers serem uma homenagem aos robôs do Exterminador do Futuro, Snatcher é um daqueles jogos que você pode pegar e esfregar na cara de quem diz que histórias não deviam existir em jogos, sabe aquelas bichas retro que reclamam quando um jogo tem cutscenes ou tenta contar alguma história? Pois é, esfregue seu Snatcher na cara de um se vir, e pode continuar esfregando até a cara dessa pessoa ficar totalmente deformada e ela virar o Marilyn Manson, porque a história desse jogo é muito boa.

Mas eu sei, você vai falar "Ain, mas Snatcher é um tipo de jogo focado em história", e isso é óbvio, mas o que eu digo é que ele é uma das várias provas de que jogos podem contar histórias boas com temas maduros e personagens memoráveis tão bem quanto, ou até melhor do que filmes ou livros, as relações entre os personagens desse jogo é um dos maiores pontos da história.

O próprio Gillian tem um desenvolvimento incrível, no começo eu nem gostei muito dele porque logo no começo ele meio que parecia um cara creepy que só tava esperando a hora de botar a Mika amarrada na cama e meter seu salame nela até amanhecer, e isso sendo que ele tinha uma esposa (ou ex-esposa) que também sofria de amnésia e queria saber sobre seu passado tanto quanto ele, imagina só ele voltando pra ela e dizendo "Oi meu amor, finalmente descobri o que nós fazíamos no passado, mas... Eu estou com a minha secretária gostosa agora, tenho certeza de que você vai achar sua alma gêmea ainda, me perdoe."

Só que depois ele foi mostrando ser diferente, aparentando ser mais maduro, mas ainda tendo seus próprios defeitos que já quase botaram sua bunda em perigo, mas ele é um daqueles caras fáceis de gostar, que normalmente são mais descontraídos, mas quando é pra ser sério e fazer o que ele tem que fazer, ele o faz, chega, alguns meios dele chegam até a ser até meio assustadores, como quando ele coloca a sua arma na boca de um cara que ele achava ser um Snatcher pra interrogá-lo, assim como foi comigo e com alguns personagens, eu comecei estranhando ele, mas logo depois passei a admirá-lo, é um personagem bem carismático e com uma backstory boa que eu não posso dizer aqui porque spoilers.

E o elenco não se limita apenas a ele de personagens legais, Metal Gear é um sidekick divertido, o Harry é um tiozão cachaçeiro que vivia sozinho e seu único amigo era o Jean, ele também tem uma história revelada por um plot twist do jogo que provavelmente é um dos maiores, o chefe também tem esse jeito de "Mr. Nice Guy", mas tem algo por trás dele, mais tarde você conhece um caçador de recompensas misterioso chamado Random Hajile que ajuda Gillian em suas investigações e consegue parecer mais badass do que quase todo mundo desse jogo, e vários outros, praticamente cada personagem do jogo tem alguma coisa pra adicionar na história... Claro, mais uns do que outros, mas ainda assim é difícil não se apegar a pelo menos um deles.

O humor de Snatcher também é muito bom, as vezes umas quebras de 4th wall sutis como no começo quando você está investigando a fábrica abandonada onde o Gibson morreu e o Metal Gear começa a detectar um tipo de son, o Gillian diz que não está ouvindo e aí o Metal Gear responde com "Tenta aumentar o volume da TV", então logo depois da explosão da fábrica, o Gillian diz que os ouvidos dele estão zumbindo e o Metal responde dizendo "Isso é porque você deixou o volume alto", ou cenas normalmente engraçadas que te pegam de surpresa como quando Gillian vai pro seu banheiro porque pensa que um Snatcher entrou em seu apartamento, então chegando lá, ele só encontra a Katrina (filha do Gibson) pelada, e apesar de ser uma perversão acidental, ele não esconde que gostou da sua visão, além do jogo ter várias referências a filmes e outros jogos tanto de Metal Gear como de outras franquias.

... Aliás, a Katrina tem 14 anos, no manual da versão americana é dito que tem 18 pra evitar polêmicas, mas na verdade ela tem 14, o Gillian tem mais de 50 anos, ele é mais velho do que parece, mas não aparenta porque ficou congelado lá e isso o preservou, eu acho, mas tecnicamente, ele é um pedófilo, e provavelmente eu também sou, já que... É... Você sabe.


ME SOLTEM, SEUS FILHOS DE UMA MACACA COM CANCRO MOLE! NO MANUAL DA VERSÃO AMERICANA DIZ QUE ELA TINHA 18! ISSO NÃO É JUSTO, ME SOLTEEEEEEEM!

"Explique isso ao juiz, seu molestador de pixels de merda!"

...

Ok, consegui sair da cadeia após apresentar evidências no manual, mas qual é a desses japoneses com idades de personagens das suas obras de ficção afinal? Não é nem só aqui, os personagens de Cavaleiros do Zodíaco têm cerca de 12 a 14 anos de idade, mas têm aquelas caras e corpos de mais de 20.

Enfim, a história desse jogo é incrível, sem dúvidas uma das melhores que eu já vi em video games no geral, e o mais interessante é que esse jogo é bem antigo, é de uma época em que você só via histórias realmente elaboradas desse jeito em RPGs e alguns jogos de ação, a maioria dos enredos de jogos costumavam ser extremamente simples e diretos, algumas vezes até mesmo ausente, mas Snatcher é um daqueles "jogos-filme" onde o foco principal é a história e o jogo deixa isso cada vez mais aparente enquanto ela progride e vai ficando cada vez mais madura.

Histórias desse tipo em jogos foram surgindo cada vez mais, hoje em dia nós temos várias histórias envolventes que podem adotar vários temas profundos, bater de frente com filmes/livros e até serem melhores, mas é impressionante que um jogo dos anos 90 como Snatcher apresente uma das primeiras desse tipo e ela ainda consiga ser no nível dessas de agora.

Bonito e, de certa forma, perturbador


Uma coisa que eu nunca vi graça no Sega CD e provavelmente nunca verei serão os Full Motion Videos (ou FMVs) que sempre foram marketados, nos comerciais era dito como se ele fosse realístico, os jogos sendo como filmes interativos e bla bla bla, mas quase todo jogo de Sega CD que eu vi usando essa merda parecia horrível, as filmagens ou sei lá como gravavam aquilo pareciam aqueles vídeos em 144p do Youtube em que as pessoas e os objetos ficam tão pixelizados que chega a ficar desagradável de olhar, talvez tenha sido algo novo na época, mas eu nunca gostei, não gostava quando vi antes e não gosto até hoje.

Mas algo que eu realmente apreciava em outros jogos do Sega CD era quando faziam bom uso da capacidade gráfica dele pra produzir animações e cutscenes melhores, jogos como Sonic CD, Spider-Man vs The Kingpin e Final Fight CD fazem isso, eles têm cutscenes animadas como se fossem as CGs de antigamente, claro, as animações não eram 100% perfeitas na maioria dos casos, mas elas ainda têm seu charme e os visuais são belos e detalhados mesmo hoje em dia.

Felizmente, Snatcher faz parte dessa segunda opção de visuais de jogos do Sega CD, nada de FMVs e sim um jogo que parece um filme em anime, e apesar de nem tudo ser completamente animado, as cutscenes do jogo são muito bem-feitas e com certeza se esforçaram pra fazer com que o jogo tenha uma atmosfera condizente com a história, a arte mostra ambientações futurísticas e sombrias inspiradas em filmes do tipo, e você realmente se sente em um filme interativo.

Outra coisa que Snatcher faz estranhamente muito bem detalhadamente...


... É a violência gráfica, Snatcher é um dos jogos mais violentos que eu já vi, as partes mais perturbadoras do jogo costumam mostrar corpos mortos em um nível de detalhes assustadoramente grande, logo no primeiro caso você vê o cadaver decapitado do Gibson com sangue pra todos os lados e a sua cabeça meio próxima da câmera, e isso é só uma das cenas mais leves do jogo, outras mostram corpos com vermes, Snatchers com as caras rasgadas, e mais uma caralhada de coisas.

Esse jogo inclusive não teve muita distribuição por causa disso, e provavelmente vendeu mal por causa disso, era tão violento que causaria polêmica e deixaria o pessoal que caiu matando em cima de Mortal Kombat com os cus mais ardidos ainda do que já estavam, e eu sinceramente nem acho os primeiros Mortal Kombat tão violentos assim, a violência que eu via lá não era nem o suficiente pra me causar alguma coisa quando criança.

Agora se eu jogasse ou visse alguém jogando Snatcher e me deparasse com alguma dessas cenas violentas, com certeza eu ficaria no mínimo com medo do jogo, eu tinha medo de um monte de coisa relacionada a jogos, tinha medo do meu monstro morrer em Monster Rancher 2, tinha medo do K. Rool do segundo Dokey Kong Country e até tinha um pouco de medo do Monster Ock do jogo do Homem-Aranha pro PS1...

... Eu era um pirralho nessa época, pare de me julgar!

Um gameplay bom, mas com certos tropeços



É meio difícil falar do gameplay de um Visual Novel com foco em história como Snatcher e outros jogos do tipo, até porque não há muuuuuito o que falar pelo fato de jogos assim costumarem ter gameplays simples e em maior parte auto-explicativos, você só seleciona algumas opções de ações pro seu personagem no menu e assiste o resultado dessa sua escolha, e assim continua sendo, e com Snatcher não é muito diferente.

Quando você não está assistindo as cutscenes e os diálogos do jogo, você normalmente para em um local, aí existem várias opções como investigar/observar objetos, falar com tal personagem, ir de tal lugar pra outro, procurar por pistas, evidências, interrogar, você não precisa ser nenhum gênio pra entender como o gameplay nesse jogo funciona, mas muitas vezes ele te coloca em situações mais tensas onde você tem que pensar rápido, ou então apresenta alguns puzzles pra serem resolvidos e assim finalmente progredir na história, mas a maioria desses puzzles são simples e não te devem dar muito trabalho.

Já as partes de investigação mesmo do jogo são meio... Estranhas, não no sentido das cenas serem estranhas e sim do modo como você interage com o jogo e como os comandos funcionam, em especial os comandos "Look" e "Investigate", nessas partes do jogo eles são implementados de uma forma tão bizarra e ilógica que eu até cheguei a me frustrar quando estava na primeira parte de investigação, que no caso seria a da fábrica abandonada onde tem o Little John destruído e o cadáver do Gibson.

O jogo quer que você use ambos os comandos pra tudo, mas de acordo com a lógica dele, pra você poder examinar alguma coisa, você tem que investigar, ok, faz sentido, mas se você quer usar ela, você tem que escolher "Look", porém você tem que investigar o item em suas mãos primeiro pra depois poder usá-los com a opção Look, e as vezes o jogo simplesmente fica parado porque o uso desses comandos não é intuitivo e muito menos explicado detalhadamente pro jogador, aí certos diálogos e cenas não podem rolar porque você não usou Look e Investigate em exatamente tudo e exatamente na ordem certa, e isso é exatamente como você passa por todas essas partes de investigação em Snatcher.

Com o tempo eu "aprendi" como o jogo quer que eu jogue essas partes, mas cara, você não faz ideia do quanto eu fiquei nervoso quando eu tentava um monte de opções e até repetia várias delas porque não sabia se eu estava esquecendo alguma coisa, nessa da fábrica eu fiquei travado pelo menos uns 40 minutos só tentando entender o que diabos estava faltando, já que eu não podia sair da fábrica porque o Metal Gear falava que ainda há coisas pra investigar lá, então depois de experimentar tudo e entender o padrão dessas partes, eu pude passar da maioria delas sem maiores problemas.

De qualquer forma, isso é um problema que não devia estar aí, até porque não faz sentido, se você já tem um objeto, por que diabos o jogo quer que você perca tempo investigando ele pra depois poder usá-lo? Você já sabe o que ele é, as vezes até as próprias descrições que o Gillian dá pra tais objetos quando os acha é explicativa o suficiente, então não tem necessidade mesmo de fazer isso e só serve pra empacar o jogo, essas partes costumam ser as mais cansativas pelos motivos errados, eu lembro que cheguei bem perto de querer fechar o emulador quando isso aconteceu, mas não, eu persisti.

E outra coisa que me irritou um pouco foi o fato de você ter que ficar "enrolando" em algumas partes do jogo até alguma coisa acontecer, como no começo quando você está ali na frente da fábrica abandonada, mas não pode entrar nela antes de ouvir o grito do Gibson, então tem que ficar lá escolhendo as mesmas opções de interação até finalmente ele dar o grito e aí a história poder prosseguir, mas isso não acontece muuuuitas vezes no entanto, então tá semi-perdoado.


Mas fora essas partes de investigação em particular, usualmente Snatcher é um jogo divertido e a interação dele é até boa, o jogo te dá uma certa liberdade do que fazer nas partes mais normais, por exemplo apesar de ter uma atmosfera completamente séria e tal, o jogo te deixa dar em cima de qualquer personagem feminina independente da situação em que se encontra, quando você vai falar pra Katrina sobre a morte do pai dela, ela fica chocada e tal, mas aí você pode dar em cima dela e chamar ela pra sair assim do nada, o Gillian pode ser meio que um estuprador potencial se você assim desejar, e um cara desses trabalhando como oficial da lei é engraçado só de imaginar.

Além de, claro, as suas ações poderem levar a Easter Eggs, diálogos e algumas cenas alternativas que apesar de não mudarem em nada o desenrolar da história, normalmente são legais de assistir, em partes, você pode usar o telefone embutido do Metal Gear pra ligar pra Jamie e fingir que você sente falta dela apesar de estar afim de comer todas as personagens femininas existentes do jogo, eu adoro esse tipo de coisa, são esses pequenos toques e detalhes que me fazem "explorar" a maioria dos jogos.

E quando você não está fazendo nada citado acima, você está usando sua pistola pra meter bala nos seus inimigos, e essas são consideradas como as partes de ação do jogo. A mira funciona normalmente, ela é guiada pelo seu controle e fica posicionada no canto da tela pro qual você apertar os direcionais, então você tem que atirar no local certo com um timing bom ou então pode acabar perdendo vida e morrendo, e no começo quando você só está trocando tiros com aranhas mecânicas ou Snatchers genéricos, essas partes são ridiculamente fáceis, mas na medida em que você progride até chegar pelos atos finais da história, elas vão pedir muito mais reflexos e chega a ser quase impossível passar sem levar pelo menos uma porradinha, a última então é um inferno, mas felizmente o jogo te deixa salvar a qualquer hora, então você pode salvar antes e ir tentando quantas vezes quiser até conseguir passar eventualmente se por acaso estiver tendo dificuldades demais com uma parte dessas, eu pessoalmente só achei a última difícil ao ponto de eu morrer mais de uma vez.

E eu acho que dá pra se divertir digitando nomes no computador Jordan e descobrindo mais coisas por lá, digitando o nome do Kojima, você tem outro Easter Egg, mas podem haver resultados engraçados digitando coisas aleatórias ou obscenas pra ele pesquisar e te dizer algo correspondente a isso.

Essencialmente, Snatcher é um jogo divertido apesar de ter seus problemas, mas o maior pra mim é justamente que o jogo é beeeem curto e dá pra ser terminado em cerca de 5 ou 6 horas se você for pegar pra jogar sem parar, não seria problema se o fator replay fosse alto o suficiente pra compensar isso, mas Snatcher não tem muito fator replay, a estrutura do jogo é bem linear e ele não oferece finais alternativos por exemplo, como é o caso de 999, um jogo curto, mas com um replay alto por ter vários finais diferentes, e isso acaba tornando o "tempo de vida" de Snatcher curto, eu provavelmente vou terminá-lo mais umas duas ou três vezes pra ver mais cenas alternativas e Easter Eggs que eu poderia ter perdido, e aí depois ficarei cansado, e vou acabar deixando o jogo na gaveta já que vi tudo nele e será sempre a mesma história com os mesmos eventos toda vez em que eu for jogar.

Isso é realmente uma pena, porque uma história tão boa como a desse jogo podia ter mais finais e rotas diferentes pra você poder explorar cada canto dela e ver as várias formas diferentes de narrativa que ela proporciona, ou isso ou então o jogo podia ser mais longo, ele realmente termina com aquele gosto de "quero mais" que provavelmente nunca vai sair já que o jogo foi um fracasso comercial, não vai ter nenhuma sequência que chegue a expandir o seu universo e o Kojima foi pra outros projetos.

No entanto, Snatcher é um clássico cult entre várias pessoas e foi aclamado pela crítica, e enquanto eu não acho que seja perfeito, ele tem um grande mérito por isso e é algo que eu reconheço apesar de tudo.

Uma das primeiras dublagens em jogos, e não é uma merda


Como você já deve imaginar, a trilha sonora dessa versão de Snatcher tem músicas completamente com qualidade de CD ao invés de usar chips de som e coisas de jogos 16-bit normais, mas as músicas em si são genuinamente boas? Sim, a trilha sonora do jogo é muito boa, as músicas usualmente são mais "ambiente", na cidade de Neo Kobe por exemplo toca um jazz com um ritmo bem "dançante" pra se acomodar com a cidade toda movimentada e tal, mas elas também podem se alterar pra algo mais atmosférico pra se encaixar nas partes mais tensas do jogo.

O que impressiona mais é a dublagem, Snatcher é um dos primeiros jogos a ter de fato uma dublagem, e enquanto a maioria dos jogos de Sega CD que tinham dublagem era um negócio de tão baixo orçamento que parecia ser um cara tentando imitar um monte de vozes diferentes pros 50 personagens da história, Snatcher tem de fato uma dublagem boa, com vários dubladores e todos eles fazendo um ótimo trabalho, chega a ser até difícil de acreditar, mas é real, a dublagem desse jogo é digna de ser comparada com aquelas de filmes animados de verdade.

Considerações finais

Mesmo se você não gostar de jogos desse estilo Visual Novel, vale a pena jogar Snatcher só pela história, que cá entre nós, é o ponto principal do jogo, é uma das tramas mais elaboradas e bem desenvolvidas que eu vi em um jogo até agora, com personagens bastante complexos e únicos e plot twists que farão você cuspir seu coração pela boca, e isso vem de mim, eu nem sou muito fã de jogos Visual Novel ou Point 'N Click, mas quando é bem feito como em Snatcher e outros jogos tipo Phoenix Wright, 999, The Walking Dead ou L.A Noire, eu consigo jogar sem problemas e acabo gostando como qualquer outro jogo bom por aí.

Porém Snatcher não é aquela coisa perfeita, o jogo ainda continua curto, a interatividade nas investigações tem uns problemas que podem irritar gente com menos paciência e quase não tem nenhum fator replay além de acompanhar a história de novo e descobrir uns Easter Eggs e algumas cenas diferentes que não mudam muito a história, mas isso acaba cansando na medida em que você revê a história, querendo ou não...

Mas uma coisa é certa: Snatcher é um ótimo jogo enquanto dura, e como eu já disse várias vezes antes e volto a repetir, um jogo bom que dura pouco é sem dúvidas melhor do que um ruim que dura muito.

Prós:

+ Gráficos bonitos e detalhados.
+ Direção artística com inspiração em universos cyberpunk cinematográficos.
+ Uma das melhores histórias em um jogo.
+ Referências e Easter Eggs divertidos.
+ As sequências de shooter dão um pouco de variedade pro ritmo do jogo.
+ Dublagem espetacular.

Contras:

- Muito curto e quase sem fator replay.
- Não é muito desafiador também.
- As partes de investigações são cansativas pelos motivos errados.
- Ter que escolher uma mesma opção de interação várias vezes é meio idiota.

Gráficos: 9/10
Enredo: 9/10
Gameplay: 7/10
Som: 8/10
Conteúdo extra: 4/10

 Veredicto:

Top 10: As melhores músicas do Crush 40

By : Ryu
Foto completamente genoina, tirada num evento de Sonic onde encontrei eles.
Por algum motivo, muita gente que lê esse blog acha que eu odeio Crush 40 e... Sinceramente nem eu entendi o porquê disso, não sei onde exatamente eu disse que odeio Crush 40 e muito menos como esse pessoal chegou a essa conclusão, por acaso foi quando eu reclamei em algum post que os jogos 3D antigos do Sonic têm guitarra/rock em excesso nas suas trilhas sonoras? Se foi, eu devo ter explicado isso, mas lá vai de novo: Eu não odeio Crush 40, o que acontece é justamente o contrário, eu gosto.

Quando eu reclamei disso em algum post passado, eu me referia a músicas da trilha sonora inteira dos jogos 3D mais antigos do Sonic e não às músicas temas do Crush 40, eu gosto delas... Da maioria ao menos, mas não vou ficar elaborando em um ponto que já tinha sido claro antes, até porque não tem mais por que reclamar disso já que Sonic passou a ter trilhas sonoras melhores e mais variadas desde 2006, então foda-se, foda-se essa reclamação.

Então não, eu não odeio Crush 40, eu gosto bastante do trabalho deles até, e se eu não me engano, até disse uma vez que o Johnny Gioeli é um dos melhores cantores de rock que eu já ouvi até hoje, eu ouço outras bandas que ele participa, em específico: Hardline e Axel Rudi Pell, tenho as discogrfias aqui e prefiro elas como bandas do que Crush 40 por motivos óbvios, Crush 40 não é bem uma banda baaaanda mesmo e sim um projeto pra trilhas sonoras de jogos do Sonic, e julgando por esse lado, eles fazem um bom trabalho.

Mas isso não significa que eu goste de todas as músicas do Crush 40, eu não sou nenhum fanboy deles, inclusive até hoje eu não pude perdoar a barbaridade que eles fizeram com a Sonic Boom junto com o Cash Cash, aquilo realmente foi horrível e até o próprio Johnny soa bizarro por algum motivo, ele nem parece ele mesmo nessa coisa aí e eu nem preciso falar do cara do Cash Cash com esse vocal de autotune aí, ele consegue transformar qualquer coisa em merda automaticamente só com isso.

Enfim, exceto por essa versão abominável da Sonic Boom e por algumas músicas meio sem sal, eu gosto do trabalho do Crush 40, tanto que resolvi fazer aqui uma lista das dez melhores músicas deles que já tocaram em jogos de Sonic, então vamos logo pra isso porque os esclarecimentos já foram feitos.


10ª Posição: Knight of the Wind (Sonic and the Black Knight)

Há uns anos atrás, eu odiava a Knight of the Wind, eu não sei dizer por que, ela me soava irritantemente barulhenta e fraca demais perto da maioria das outras do Crush 40, mas na medida em que eu fui ouvindo ela por acaso ou no jogo ou então em algum playthrough comentado dele ou até em um vídeo aleatório sobre Sonic, eu acabei ficando com essa maldita música na cabeça.

Mas sinceramente, hoje em dia eu até gosto dela, não muito, mas gosto em um certo nível, gosto da melodia dela e do ritmo mais rápido do que o usual, mas acho que não sou muito fã da música mesmo, só não me importaria em ouvir ela de novo se tivesse mesmo.

No entanto... O que diabos o Gioeli canta no refrão dessa música? Eu nunca entendi direito.

Like the sword
I'm wrong (?)
Into the heat of day

Like a knight
I'm fine (?)
Until the fight is won

In the rain
I say
Each and ever
Each and ever
Each and everyone
'Til this war is won
(????????????????)

Provavelmente eu entendi errado, mas tô com preguiça demais pra procurar a letra de verdade e ouvir ela interpretando dessa maneira sem sentido me faz rir, até me lembra vagamente do James Hetfield cantando "I AM THE TABLE" então ok.

... A diferença é que a música do "I AM THE TABLE" é horrível e o álbum inteiro de onde ela veio também é, e é realmente isso que o Hetfield canta, já essa música do Crush 40 é ok, sou só eu interpretando a letra errado mesmo.

9ª Posição: All Hail Shadow (Sonic '06)

Na verdade, a All Hail Shadow é originalmente uma música do Magna-Fi que tocou no jogo do Shadow, a música servia como tema do lado "hero" do personagem, e essa versão era ok, mas eu não era muuuuito fã dela, assim como a Knight of the Wind, eu só não me importaria em ouvir de novo se por acaso acabasse me "trombando" com a música.

Já a versão do Crush 40 realmente foi boa, ela adicionou uma intro de bateria pra música original que simplesmente já começava com o cara do Magna-Fi cantando o refrão e músicas que começam assim usualmente são estranhas pra mim, mas admitidamente, a versão do Crush 40 não é tão pesada quanto a original, e tem algum problema com isso? Nope, não exatamente, ainda é uma música de rock bem na cara e eu prefiro muito mais o vocal do Gioeli do que o da original, mas há quem diga que a original combina mais com o Shadow, isso é meio debatível, mas eu ainda fico com a versão do Crush 40, ela consegue ser mais catchy.

No entanto, não é exatamente a melhor música deles relacionada ao Shadow, passa até meio longe disso em comparação com as outras que certamente estarão nessa lista.

8ª Posição: His World (Sonic '06)

Eu tenho meio que uma relação meio estranha com a His World no geral, quando eu joguei Sonic '06 pela primeira vez, eu simplesmente não conseguia me importar com essa música, a versão do Zebrahead tocava nos créditos de quase todos os Story Modes do jogo, eu simplesmente ouvia e falava "Ah, ok, eu acho", eu gostava mais das versões instrumental e orquestrada que tocavam no decorrer do jogo e no final boss do que dessas versões cantadas, e a do Crush 40 quando ouvi pela primeira vez também nem me atraiu muito.

Mas depois eu peguei a OST do jogo porque eu sempre faço isso com qualquer jogo do qual eu tenha gostado da trilha sonora, tenho várias baixadas aqui e apesar de ouvir ocasionalmente hoje em dia, eu sempre "viajo" ouvindo esse tipo de música, e aí quando ouvi as duas versões da His World de novo, elas foram crescendo em mim e aí passei a gostar mais delas também apesar de ainda preferir a instrumental e a orquestrada, e a minha favorita ainda é a do Zebrahead porque acho ela mais bonita musicalmente falando, mas a do Crush 40 com essa pegada mais "power" dela também é uma boa versão alternativa, e eu prefiro a letra dessa versão em partes do que a do Zebrahead que as vezes parecia botar só um monte de coisa sem sentido pra rimar igual "He's got the dupe sounds pumping in a stereo"... Ainda não sei o que diabos quiseram dizer com isso, mas ok.

Já na do Crush 40 tem essa estrofe que eu acho legitimamente boa:

He's the fire, flame, conflicting pain
Untouched, uncrushed, he will remain
The one, two, three, four
Heading straight for an open door

He can see, and he can feel
Without one touch, it seems unreal
But it's true!

The power lives inside of you
Inside of you, yeah!

Ela se encaixa bem com o Sonic e não parece forçada demais igual algumas partes da letra da versão do Zebraehad, mas no geral eu gosto das duas mesmo, só admiro o fato da versão do Crush 40 ter uma letra melhor, mas como música eu acho que a do Zebrahead soa mais como música de Sonic.

7ª Posição: What I'm Made Of (Sonic Heroes)

O que? Você esperava a música tema principal de Sonic Heroes aqui? Eu odeio te decepcionar, mas não, apesar de eu não ter nada contra ela e até vir a ser uma espécie de guilty pleasure pra mim, eu simplesmente acho a What I'm Made Of uma música melhor em todos os aspectos.

Se por acaso você teve saco pra jogar Sonic Heroes até abrir a Last Story, você tem aquele momento onde tudo fica pior na história, tem um ato final com todo mundo, bla bla bla, daí tem a clássica luta de Super Sonic vs [Insira aqui monstro gigante], nesse caso a luta é contra o Metal Overlord e aí essa música é o que toca no fundo dela, e enquanto eu sentia falta de alguma música realmente boa do Crush 40 nesse jogo, essa supriu completamente essa falta, é uma música energética, memorável, bem-cantada e o mais impressionante dela é que nem é uma música sobre o Sonic e sim sobre a história do jogo no geral e um foco no confronto contra o Metal Sonic.

Eu não vou analisar a letra inteira aqui e nem a conexão dela com a história do jogo porque vai que consideram como Spoiler e tal, então se alguém que conheça ou se lembre da história toda de Sonic Heroes e ainda não prestou atenção em como a letra se encaixa com a história, recomendo que veja e tente relacionar tudo.

6ª Posição: Un-Gravitify (Sonic Riders: Zero Gravity)

Eu sei, a Un-Gravitify é outra música da qual a versão original não é do Crush 40 e ela nem ao menos toca no jogo ao qual ela é relacionada, mas essa versão é tão boa que eu lamento o fato dela não estar no jogo no lugar da original do Cashell... Não tenho nada contra a original, a propósito gosto bastante dela também, e ainda por cima é uma música eletrônica, eu dificilmente me atraio por músicas eletrônicas e mal imaginaria como diabos uma versão do Crush 40 de uma música dessas funcionaria direito já que o som deles é rock, mas por incrível que pareça, funcionou.

Não só funcionou como eu acho essa versão melhor do que a original, eu adoro quase tudo nela, o modo como o Johnny canta com uma puta emoção especialmente no refrão, o riff, aquele solo caralhudo e esses corais de "Ohhhhh" perto do final que deixam a música muito mais bonita, eles adaptaram essa música pro estilo deles quase que perfeitamente e ela ainda tem umas "influências" eletrônicas como certos efeitos que colocam na voz do Johnny pra ter um ar similar ao da original.

Essa versão é puramente exclusiva de um disco chamado Best of Crush 40 que tem umas músicas passadas deles remasterizadas ou regravadas e outras exclusivas como essa, e essa é sem dúvida a melhor de todas elas, pra quem nunca ouviu e gosta da original, recomendo fortemente.

5ª Posição: I Am (All of Me) (Shadow the Hedgehog)

I Am (All of Me), a música tema principal do jogo do Shadow e de longe uma das melhores músicas do Crush 40, é essa a música que me faz dizer por aí que eles deviam fazer músicas tema pro Shadow, e isso não é uma crítica, porque essa música é boa pra caralho, é uma das músicas mais sombrias e "metal" do Crush 40 e combina perfeitamente com o personagem, e eu acho que eles parecem mais acomodados nesse som já que são uma banda de rock/metal e com um personagem como o Shadow eles podem soltar a franga e meter som pesado porque ele é um personagem mais "jorge hardcore" do que os outros.

O que mais me impressiona nessa música no entanto é a atmosfera dela, é uma música de rock, mas ela passa aquela sensação de que você tá correndo e metendo bala no primeiro que aparece na sua frente num cenário apocalíptico, o que é o que você faz por 90% desse jogo, essa música tocando na abertura de Shadow the Hedgehog até me deixou animado pra jogar ele quando botei ele no meu PS2, eu pensei "Caralho, mal posso esperar pra jogar e fazer essas porra loca tudo aí que mostrou na abertura".

Então quando comecei a jogar o jogo...

... É, ele não chega nem perto de ser tão badass quanto a sua abertura.

E claro, ela também tem conexão com o jogo pela letra, afinal é a música tema principal, e um bom resumo seria justamente esse trecho que fala sobre a proposta do jogo:

Black-hearted evil
Brave-hearted hero
I am all, I am all, I am

Só que você já sabe como o jogo executa essa proposta e que ficou uma bela merda nesse departamento, mas é a trágica e usual história de como a Sega fode com conceitos bons.

MAS... A melhor música do Crush 40 no jogo do Shadow não é essa e sim a próxima da lista.

4ª Posição: Never Turn Back (Shadow the Hedgehog)

Shadow the Hedgehog é outro jogo que você tem que ter muito saco pra jogar até terminar com Last Story e tudo, mas MUITO saco mesmo, eu não acho o jogo tão ruim assim, mas ele é cansativo demais, você repete a primeira fase várias vezes, além de outras que nem são tão divertidas assim de jogar por causa das suas missões repetitivas, no geral é um jogo ridiculamente cansativo e nem é tão recompensador assim ter todo esse trabalho de jogar e conseguir todos os finais pra abrir a Last Story.

Mas uma coisa que com certeza é recompensadora é ouvir a Never Turn Back, essa música é tão pica grossa que já chegou a ser a minha favorita de todas as do Crush 40, mas hoje em dia meus gostos mudaram um pouco, mas ela não deixa de ser boa por isso, esse começo dela com uma performance do refrão da I Am (All of Me) num piano foi um toque muito bom, mas a música mesmo começa depois dele, e não é uma música triste como a intro indicava e sim sobre o fim da história do Shadow e como ele lutou e superou toda a merda (tanto em história quanto em gameplay) pela qual ele passou nesse jogo, inclusive sobre ele ter superado todo aquele lance da Maria na Ark e o passado dele:

And now I'll never turn back (I'll never turn back)
I'll never turn that way
No matter how life tries to face me
I turn the other way

Now and then (Now and then)
My head starts to spin (Starts to spin)
But I'll never turn back....again! (No, No)

From this moment on (Moment on)
I am moving on (Moving on)
And I'll never turn back!

E eu adoro como esse refrão é cantado pelo Johnny, o tom de voz dele muda constantemente indo de um mais baixo e incerto dando uma sensação de dúvida pra um alto e poderoso quando ele encarna o personagem que decididamente superou tudo, e eu não podia deixar de citar o Jun Senoue que também ajuda no feeling da música com seus riffs pesados, mas estranhamente ele não faz nenhum solo especial nessa música, ela é movida só a esses riffs e o Johnny cantando, mas não deixa de ser memorável por isso.

3ª Posição: Live and Learn (Sonic Adventure 2)

Não se pode fazer uma lista de melhores músicas do Crush 40 sem a Live and Learn, mas caso você esteja me perguntando por que diabos ela não está no primeiro lugar... É porque tem duas músicas do Crush 40 que eu gosto mais do que ela, oras! Eu hein... Mas falando sério, ela não é minha música favorita mesmo, mas eu ainda gosto mesmo dela, caso contrário não estaria na bendita 3ª posição dessa lista.

Enfim, a Live and Learn é uma puta música foda que serve como tema de Sonic Adventure 2 e toca no final boss dele, e eu nem ao menos gosto muito desse boss, muita gente fala que é épico e bla bla, mas eu não sou muito fã dessa luta tecnicamente falando porque o gameplay nela é estranho, mas a ambientação é boa e especialmente a música que é basicamente o principal motivo pelo qual eu estava gostando de certa forma de tal parte, ela tem um ritmo rápido com um som de guitarra memorável do Jun Senoue, mas a real estrela dessa música pra mim é o Gioeli, eu falei antes nesse texto que ele é um dos melhores cantores de rock da atualidade, e apesar dele não usar toda a sua extensão vocal no Crush 40, nessa música ele simplesmente se solta e soa mais parecido com quando ele tá no Hardline ou no Axel Rudi Pell, várias vezes ele solta um grito mais potente e arrepiante do que o outro nessa música e ele canta com tanta emoção nessa porra que dá vontade até de cantar junto.

E a letra dessa música também é uma das melhores que eles já fizeram, ela é totalmente sobre o último ato do jogo onde o Sonic e o Shadow enfrentam o Final Hazard no espaço, mas ela é tão sutil quanto a isso que você realmente só percebe quando presta mais atenção nela, ela podia muito bem ser uma letra sobre... Bem... Viver e aprender, sobre como a vida põe obstáculos e você tem que superá-los e bla bla bla, aliás era exatamente sobre isso que eu pensava que ela fosse, mas quando comecei a conectar ela com os eventos do jogo, eu percebi que ela é muito mais do que isso e fiquei boquiaberto.

Eu adoro essa música no geral, contando como música de Sonic ou como uma música de rock normal, ela é simplesmente estupenda.

2ª Posição: Live Life (Sonic and the Black Knight)

A Live Life é sem dúvidas a música mais bonita do Crush 40, e ela toca nos créditos de Sonic and the Black Knight, um outro jogo que em particular também precisa de muito saco pra ser finalizado e ouvir ela, mas eu realmente nem esperava que o Crush 40 fosse fazer uma música assim, ela é diferente de tudo o que eles já fizeram antes até então.

Ela abre com um belo som de violino, mas eu pensava que iria ser que nem a Never Turn Back e logo logo isso ia se transformar numa música de rock pesada e tal, mas não, a música continuou num ritmo calmo e até relaxante, ela é mais lenta do que as outras e não é nem um pouco pior por causa disso, a música é absolutamente linda, o modo como o violino entra em harmonia com a guitarra e o resto do som usual do Crush 40 em uma forma mais lenta é impecável, e como sempre, o Gioeli faz uma das suas performances mais emocionantes em uma música do Crush 40, ela é até um calmante pra toda a frustração pela qual você passou com Sonic and the Black Knight.

Eu gosto particularmente da letra dessa música, ela é totalmente relacionada ao final do jogo, onde o Sonic diz que todas as coisas são finitas e que realmente isso é inevitável, mas aí fala que é por isso que você tem que viver ao máximo, e aí tal mensagem é passada pela música, e a letra é igualmente bonita.

Take a look inside your heart
What seems fair today,
Tomorrow it may not.

Just a walk or a journey
Don’t stop reaching high.
Don’t let the time pass you by.

So many ways that you can,
Try to forget.
So many ways you’ll find,
Wake up to regret!

Isso tudo em conjunto com a música soa tão lindo que eu quase perdoei Sonic and the Black Knight só por causa dessa música nos créditos...

... Quase.

Mas o que importa é que esse é um clássico exemplo de como você pode variar seu som sem soar uma merda, essa música é diferente de tudo o que teve pelo Crush 40 até agora e até tem um violino no meio, mas é executado de um modo que funcione, tem muito artista profissional de verdade aí que tenta variar e se fode porque não sabe fazer esse tipo de coisa direito, mas olha aí uma banda de video game tentando a mesma coisa e conseguindo.

1ª Posição: Open Your Heart (Sonic Adventure)

Por mais que eu goste da Live and Learn, a Open Your Heart é a música que me fez gostar de Crush 40 em primeiro lugar, e talvez até de música no geral também, então ela tem um significado bem maior pra mim.

"Como assim gostar de música no geral?" você pergunta, a verdade é que eu realmente só ouvia músicas nos jogos em que eu jogava, eu não ligava muito pra músicas "de verdade" de músicos que fazem músicas por si mesmos sem se relacionar com jogos e nem nada, eu não sei explicar o porquê direito, mas não me atraia por músicas normais, só reparava em músicas de jogos e apreciava ouvir elas nos seus respectivos jogos, já ouvi músicas normais outras vezes, claro, mas ainda não era aquela coisa que me atraia, eu não sabia nem o nome de um artista músico direito se você me perguntasse na época.

Mas isso tudo mudou quando eu ouvi a Open Your Heart. Claro, ela ainda é relacionada a um jogo, que no caso é Sonic Adventure, mas eu não deixei de notar o quanto ela é similar a essas músicas de rock que eu ouvi por aí aleatoriamente, tinha um cara cantando, coisa que eu raramente via em músicas de jogos, tinha letra, o ritmo era diferente das que eu estava acostumado a ouvir, e assim que eu ouvi ela inteira em Sonic Adventure, eu gostei bastante e isso me fez ir atrás de outros tipos de música, me fez abrir a mente pra outros sons além de músicas de jogos, e acredite, isso foi um feito e tanto.

... Engraçado, agora tô vendo a ironia nisso, uma música chamada "Open Your Heart" me fez "abrir o coração" pra outros tipos de músicas... Porra, destino!

Mas é só por isso que eu gosto da Open Your Heart? Só porque ela fez com que meu gosto musical se ampliasse mais? Não, é porque a música em si é muito boa também, ela é menos agitada que a Live and Learn, mas tem o melhor som de bateria de todas as músicas do Crush 40, o usual som pesado da guitarra do Jun Senoue, mas dessa vez com um solo surpreendente, e é claro, o Gioeli cantando como ele sempre canta.

E assim como a Live and Learn, a letra é sutilmente relacionada à história do jogo, mas ela também pode ser interpretada como uma critica social sobre o atual estado do mundo.

Thunder, rain, and lightning.
Danger, water rising.
Clamor, sirens wailing.
It's such a bad sign.

Shadows, dark creatures.
Steel clouds floating in the air.
People run for shelter.
What's gonna happen to us?

All the steps we take, all the moves we make, all the pain at stake.
I see the chaos for everyone. Who are we? What can we do?

Sabe, eu gosto mesmo de letras desse tipo, não só em jogos como em filmes, essa música me lembrou da Two Worlds, uma música que o Phil Collins tinha feito como tema do filme do Tarzan da Disney, ela tem uma letra que se relaciona com a história do filme, sobre o Tarzan ser um humano em uma floresta cheia de macacos e outros animais, etc, mas ela também é interpretada por muita gente como uma música que passa uma mensagem contra o racismo, e se não me engano, o próprio Phil Collins já cantou ela pra promover uma campanha contra o racismo antes.

E se você acha que escrever letras que tenham uma mensagem ambígua e sutil assim é fácil, não, não é, escrever letras de música em si já deve ser difícil, a menos que você não ligue pra sua letra ficar boa ou não e mande qualquer merda, mas é admirável quando uma pessoa realmente consegue criar uma letra desse tipo que ainda não fique estranha, ainda mais se tratando de uma série como Sonic que não tem absolutamente nada profundo o suficiente pra inspirar a criar uma letra assim pra início de conversa, mas o Johnny Gioeli de alguma forma o fez, e eu realmente bato palmas pra ele por isso.


Acabou mais uma lista, porque normalmente elas servem como uma espécie de "intervalo" entre postas, e com essa eu quis fazer diferente e falar de outras coisas que também tenham a ver com jogos, então lembrei das músicas e do Crush 40 quando tava falando sobre músicas de jogos com um pessoal aqui, claro, quem sabe eu faça mais desse tipo, mas por agora é só essa mesmo, então até mais.

Sonic the Hedgehog 2

By : Ryu

É, depois da merda que Sonic Lost World foi, tá na hora de voltar mais no tempo e fazer uma review de um jogo bom do Sonic pra compensar... Alguma coisa, eu acho... Na verdade essa tá sendo aquela época de começo de ano que não tem nada de interessante saindo pra nenhum console e então eu fico sem nada pra fazer ou jogar. O que acaba resultando em eu falar de algum jogo pedido ou outro que eu ache legal/ruim o suficiente pra ter uma review aqui, ainda não joguei completamente todos os que foram pedidos aqui, mas os que eu já joguei vão ter posts, só preciso de um tempo.

Então, de volta aos clássicos da Sega, temos aqui o mais reverenciado entre todos os jogos do Mega Drive que existem: Sonic the Hedgehog 2! A sequência do primeiro jogo do Sonic que fez um baita sucesso e rendeu rios de dinheiro pra Sega e fez com que o Mega Drive finalmente ganhasse a notoriedade que ele não tinha... Já que o que vinha com ele era um jogo sobre um zumbi bombado que sai socando e chutando tudo na sua frente e se transforma em monstros diferentes, logo uma sequência de Sonic obviamente ia ser feita a qualquer hora.

Sonic 2 foi provavelmente o jogo mais difícil de ser produzido que a Sega já fez, eles tinham que lidar com um monte de merda no meio do desenvolvimento o bagulho todo. O Yuji Naka quase saiu da Sega por causa de desentendimentos, então o Mark Cerny tinha que manter todo mundo junto lá na Sega of America onde japoneses e americanos trabalhavam juntos no desenvolvimento do jogo e tinham problemas por causa de culturas e linguagens diferentes. O Yuji Naka mesmo quase pulou em cima de um americano que não entendia o que ele falava e começou a estrangular o coitado pra depois pedir um pastel de flango com suco de Malacujá pra acalmar seus nervos e voltar a produção de Sonic 2.

No fim das contas, um monte de coisas que iam ser incluídas em Sonic 2 foram removidas, o jogo originalmente ia ser um épico com 18, isso mesmo, 18 fases! Três vezes o número de fases que o primeiro Sonic tinha, porra! Só que infelizmente, como eu havia dito, muita coisa no jogo foi descartada porque a Sega não teve tempo de terminar tudo. Os recursos removidos mais notórios sendo fases como Dust Hill, Wood, Hidden Palace e Genocide/Cyber City, essas fases acabaram sendo tão intrigantes que muita gente fez hacks desse jogo tentando enfiar elas aí, uns ficaram bons e outros não... O level design original, ou o que as pessoas tinham em mente antes, nunca foi usado de verdade nesses hacks e provavelmente nunca irão em nenhuma outra versão desse jogo.

Pelo menos Sonic 2 acabou sendo um jogo muito bom, mesmo com esse conteúdo removido ele é considerado por muita gente o melhor jogo do Sonic. Ainda que eu não concorde que seja O melhor, não passa muito longe disso também, Sonic 2 é na verdade o segundo melhor jogo do Sonic pra mim, esse título fica com Sonic 3 & Knuckles ainda. Mas esse post não é pra comparar os dois jogos e sim falar de Sonic 2, e que hora seria melhor pra falar desse jogo do que nessa época em que ele recentemente ganhou uma versão de iOS com conteúdo adicional feita por ninguém menos do que o nosso amigo Taxman? Só queria que isso fosse multiplataforma porque jogar jogos em celular é uma bosta. Sem brincadeira, não faço a menor ideia de como as pessoas gostam disso... Eu joguei isso pelo BlueStacks mesmo e fico mais do que feliz, mas não vou falar exclusivamente dessa versão e sim de Sonic 2 como um todo, abordando depois o conteúdo adicional da versão de iOS.

E assim o Sonic começa a ter amiguinhosrsrs


Algum tempo depois do Sonic ter salvo a South Island do Dr. Robotnik com suas incríveis habilidades de correr pra caralho e destruir máquinas ameaçadoras simplesmente pulando nelas, o nosso vilão obeso de 300 de Q.I deu no pé e ficou desaparecido por um bom tempo desde sua vergonhosa derrota pra um ouriço azul adolescente. E falando no diabo, o Sonic continuou explorando o mundo por aí porque ele não tem nenhum emprego e nem mais nada pra fazer na sua vida além de viajar por aí e conhecer terras novas, pra isso ele pega seu avião chamado Tornado e voa ao redor de Mobius ou Terra, como você quiser chamar o planeta naquela época...

Ainda acho engraçado como o Sonic é meio que o oposto de mim, ele não gosta de ficar parado, viaja pra todos os lugares que ele pode e se mete em um monte de aventuras e experiências diferentes por isso. Enquanto eu fico aqui quase um sedentário nesses dias e me sinto bem assim no momento. Mas também, se eu tivesse o dom de correr pra caralho, acho que não ia querer ficar parado aqui, então é como dizem: Cada um é cada um, ou algo assim.

Então no meio da sua viagem, Sonic vai parar numa ilha chamada West Side Island e resolve pousar o Tornado pra fazer o que ele faz de melhor por lá, que é correr pra caralho e explorar, mas ele não sabe que essa ilha é conectada a uma lenda antiga que envolve sete pedras mágicas chamadas de Chaos Emeralds... Mas não são as mesmas que estavam na South Island, aparentemente, até porque as de lá eram seis... Mas enfim, as Chaos Emeralds da West Side Island foram criadas por deuses desconhecidos e usadas por uma civilização antiga que vivia por essas bandas. Porém, né, aí sempre tem aqueles filhos da puta que querem cortar o barato de todo mundo e usar essas esmeraldas pros seus próprios benefícios, então os deuses viram que isso tava virando palha assada e esconderam as Chaos Emeralds onde Judas perdeu suas botas.

No meio da sua correria na West Side Island, Sonic acaba notando que alguém tá seguindo ele, o que por si só seria impressionante já que ele tecnicamente é a criatura mais rápida do mundo. E depois de um tempo, esse ser aparentemente rápido que seguia o Sonic se revela como uma raposa de duas caudas chamada Miles Prower, mais conhecido pelo seu apelido, Tails. E por que exatamente o Tails andou seguindo o Sonic? Bem... Tails era um nerdão que todo mundo zoava, logo ele não tinha muita esperança sobre o que arrumar com sua vida, mas aí ver o Sonic correndo por aí acabou dando ao Tails algum tipo de inspiração e ele decidiu que também vai correr pra caralho por aí assim como seu novo herói... Ou algo assim.

Os dois eventualmente se encontram depois e fizeram as devidas introduções, mas então esse belo momento de bromance é interrompido pelo Dr. Robotnik, que agora criou culhões pra arrumar um novo plano, causou uma explosão perto da Emerald Hill, de alguma forma ficou sabendo da lenda das Chaos Emeralds e agora está atrás delas pra fortalecer sua fortaleza espacial chamada Death Egg... Que se você por acaso é lerdo o suficiente pra não ter notado depois de 22 anos, é uma paródia da Death Star. Além dele agora possuir uma aeronave gigantesca chamada Wing Fortress, porque dessa vez ele vai fazer de tudo pra que seus planos do MAAAAL sejam bem-sucedidos, e agora cabe a Sonic e Tails pegarem as Chaos Emeralds antes do Robotnik e usá-las pra livrar West Side Island do MAAAAAL e restaurar a paz.

Nada dessa história tá realmente no jogo, assim como no primeiro, você tem que ler o manual pra saber dessas coisas, e a história é tão simples quanto comer batatas, daria pra resumir ela com "Robotnik está sendo malvado, roubou a Death Star do Império Galático, fez um bigode nela e quer usar as Chaos Emeralds pra fortalecê-la. Mas o Sonic tem que parar ele junto com seu novo amigo Tails".

E tem algum problema com isso? Não, na verdade isso parece uma história que eu veria em algum cartoon que passa Sábado de manhã, e Sonic é basicamente um cartoon, ele tem feeling de cartoon em vários aspectos. A história só não é muito presente direto no jogo porque não tem cutscenes, mas se por acaso fizessem um remake desse jogo ou de qualquer outro da trilogia clássica e adicionassem cutscenes pra ter mais presença da história igual Megaman Maverick Hunter X por exemplo, com certeza eu adoraria.

... Isso se as cutscenes forem bem-escritas, claro. Mas pra isso a Sega precisaria demitir esses roteiristas de agora e contratar gente que realmente sabe escrever uma história. E que nunca façam um remake assim desse jogo sem terem demitido esses caras antes. AI DE VOCÊS SE DEIXAREM ESSES PALHAÇOS SEM TALENTO TOCAREM NO MEU SONIC 2! OUVIRAM?

Enfim, o enredo desse jogo tem a sua significância pra série, introduz o Tails como sidekick do Sonic, mostra uma sétima Chaos Emerald e, é claro, mostra a primeira aparição do Super Sonic. Também mostra a primeira tentativa do Robotnik de criar um clone robótico do Sonic, o que não deu muito certo no fim das contas, mas o que valeu foi a intenção, eu acho.

Gráficos melhorados e mais "felizes", ou algo assim


Tecnicamente, Sonic 2 tem gráficos superiores aos do seu antecessor, o Sonic nesse jogo inclusive tem o melhor modelo dos jogos clássicos da série. Ele é essencialmente uma versão melhorada do modelo do primeiro jogo, o tom de azul dele é mais escuro e condizente com as artworks do que o azul meio-claro que tinha no original e as animações dele são mais detalhadas. Mas isso são só pequenos detalhes, daqueles que você só repara se não tiver mais nada pra fazer ou se não tiver gostado de alguma coisa em particular no primeiro modelo do Sonic... No geral, tá tudo lá, as pernas girando, o roll e a porra toda.

Os cenários também foram melhorados e estão bem mais limpos e detalhados do que os do primeiro Sonic, e os backgrounds com mais senso de profundidade do que antes. Não tenho muito o que falar da parte técnica dos gráficos porque é realmente uma melhora, o jogo até tem menos slowdowns, coisas que ocorriam de vez em quando no primeiro jogo, mas aqui é menos frequente. E se você estiver jogando a versão de iOS, então nem mesmo vai acontecer algo assim, ela roda suavemente a 60fps.

Então pois é, não tenho muito o que falar sobre a parte técnica dos gráficos desse jogo, é uma óbvia evolução do que já tinha sido apresentado em Sonic 1, eu queria mesmo é falar de outra coisa também relacionada aos visuais de Sonic 2...


... A arte! Oh, a tão querida arte dos jogos clássicos do Sonic! Não se preocupe, antes que vocês peguem suas foices, tridentes, tochas e etc, eu não vou falar mal da arte de Sonic 2, até porque eu não tenho motivos pra reclamar da arte do jogo. Ainda é a mesma arte cartunesca e colorida com toques de geometria de sempre, ela não é radicalmente diferente do que tinha no primeiro jogo e traz novas temáticas pra fases de Sonic, a Chemical Plant por exemplo sendo uma fábrica industrial que tá sendo inundada por um líquido tóxico aí que por algum motivo não envenena o Sonic e nem o Tails, a Casino Night que seria a primeira fase realmente de cassino em Sonic, porque a Spring Yard pra mim realmente não cai nessa categoria, a Aquatic Ruin que é uma fase com nome auto-explicativo, e todas essas parecem pertencer a série, nenhuma é visualmente estranha e nem nada disso.

No entanto, uma coisa que não é bem uma crítica e sim uma observação, é que Sonic 2 parece mais... Feliz, em comparação com seu antecessor. Não sei se isso é porque as cores desse jogo são mais vibrantes, mas ele sempre me passou essa sensação, o primeiro Sonic era bem cartunesco, mas eu sempre sentia uma espécie de "ameaça" na atmosfera dele, eu tava em um lugar feliz lá na Green Hill, mas aí da Marble pra frente as coisas vão ficando bizarramente menos pra esse lado, até as músicas pareciam menos "Weeee!", até chegar na Scrap Brain e eu pensar "Eita, onde eu tô? Por acaso esse é o mesmo jogo que eu comecei a jogar?" porque era um lugar sombrio, poluído, industrializado, eu não queria estar alí, era totalmente diferente de qualquer outra fase que foi mostrada antes.

Já Sonic 2... Não me passou essa sensação. A maioria das fases só me passaram a impressão de serem fases cartunescas com ares não muito diferentes da Green Hill. Será que isso é só comigo? Até quando eu cheguei na Oil Ocean que é a fase mais poluída e industrializada do jogo, eu simplesmente não tive aquela sensação de que eu tô num lugar perigoso e desagradável. A fase em si era bem colorida até pra um lugar desses... Mas isso talvez seja só coisa minha mesmo, e as fases não são menos bonitas por isso, talvez só a Metropolis não me agrade muito visualmente, mas ela não me agrada em quase nada, coisa na qual eu vou elaborar ainda depois no post. Mas por agora apenas saiba que eu odeio a Metropolis tanto visualmente quanto no gameplay.

Enfim, sim, Sonic 2 é um jogo muito bonito visualmente e envelheceu muito bem nesse departamento, e provavelmente ainda vai parecer bonito daqui a 20 anos igual vários jogos clássicos da época 16-Bit. É até engraçado como esses jogos envelhecem visualmente melhor do que os primeiros 3D do PS1 e do Nintendo 64, os motivos eu sei, claro, mas ainda não consigo não reparar na ironia de agora quando antes os visuais dos jogos de PS1 e Nintendo 64 eram considerados vastamente superiores aos da geração passada em todos os aspectos possíveis.

Maior e mais rápido


Como diz um velho sábio que eu conheci, "Com grandes sequências, vêm grandes responsabilidades."... Tá, não é essa a frase, mas o significado é praticamente o mesmo. Quando você cria um jogo de sucesso estrondoso, as pessoas criam expectativas altas pra uma sequência de dito jogo, e com Sonic não foi diferente. O primeiro jogo do Sonic foi praticamente o jogo que alavancou as vendas do Mega Drive e deu início a famosa rivalidade entre a Sega e a Nintendo que predominava nos anos 90! Se não fosse por ele, a Sega provavelmente nem teria a popularidade que ela alcançou lá e de alguma forma ainda mantém hoje... Mais ou menos.

Então com o padrão alto que Sonic estabeleceu, como possivelmente Sonic 2 não só atenderia a esse padrão como superaria? Ele realmente faz isso? A resposta mais curta é: Sim, Sonic 2 é um jogo melhor do que seu antecessor em vários aspectos, caracoles, é meu segundo jogo favorito de todos os do Sonic! Mas ainda assim não é um jogo perfeito, talvez chegue perto, mas ainda não.

O Sonic em si não é muito diferente do último jogo, tudo o que você pode fazer lá também pode fazer aqui, que no caso seria correr, pular e rolar. Mas existem pequenas mudanças que fazem uma grande diferença no gameplay de Sonic 2 sim. Primeiro que aquela limitação da velocidade do Sonic correndo normalmente não existe mais, você corre com o Sonic e sua velocidade gradualmente aumenta e não chega a nenhum limite repentino igual no primeiro jogo. Ele pode correr rápido pra caralho sem precisar usar o roll simplesmente descendo por uma ladeira grande... Na verdade o Sonic nesse jogo corre tão rápido que as vezes a própria câmera tem uns problemas pra acompanhar ele e isso pode resultar em uns cheap hits por aí, mas isso acontece beeeem raramente, e a sensação de velocidade ainda é muito boa mesmo depois de todos esses anos.

As novidades desse jogo são o Spin Dash, movimento que viria a fazer parte dos futuros jogos da franquia, aqui ele é tão simples de se usar quanto sempre foi: Você segura pra baixo e aperta o botão de pulo várias vezes pra carregar e aí quando você soltar, o Sonic vai sair rolando instantaneamente na sua velocidade máxima e vai matar quase qualquer inimigo no seu caminho. Ele pode ou não perder a velocidade dependendo do terreno onde o Spin Dash for usado, dá pra manter essa mesma velocidade alta por um bom tempo com um Spin Dash bem "calculado", além dele ser bem útil naquelas horas em que você chega em um morro e não conseguiu velocidade o suficiente pra correr até subir ele, aqui é só usar o Spin Dash e pronto, o ritmo do jogo deixa de ser completamente quebrado por esse tipo de coisa, o que acontecia umas vezes no primeiro Sonic.

Isso aí é mais uma prova curta e grossa de que a física e o terreno são elementos importantes em um jogo do Sonic, se não talvez até o próprio "coração" de um jogo do Sonic. É com essa física que você vai "manipular" o Spin Dash e essa velocidade que ele proporciona, é com ela que você consegue a tão famosa velocidade em um jogo do Sonic, nesse jogo principalmente. E o Spin Dash junto com o terreno pode ser usado não só pra ganhar velocidade como também pra realizar saltos enormes carregando e soltando até num pequeno morro, depois apertando o botão de pulo exatamente na "subida" desse morro, na verdade dá pra fazer isso até se você estiver correndo numa velocidade boa. E isso nem requer tanto trabalho assim, é só usar o Spin Dash e pular, mas a física do jogo é tão boa que dependendo do terreno você dá esses saltos enormes aí e alcança até os caminhos mais altos da fase, e esse jogo realmente te faz usar a física, as ladeiras, as curvas e várias das coisas presentes nas fases. É assim que um jogo do Sonic devia funcionar e é justamente aí que Sonic 4 falha, e é principalmente por isso que aquele jogo recebe esse ódio que eu até hoje acho que é completamente merecido.

E a próxima novidade seria o Tails, que funciona como um sidekick controlado inteiramente pela IA do jogo, mas pode também ter seu controle assumido por um Player 2 a qualquer hora, além de ser completamente controlável e tendo sua própria tela pelo modo Multiplayer ou configurando nas opções pra jogar com o Tails sozinho. Mas aqui ele é quase a mesma coisa que o Sonic nesse jogo, então não vejo muita graça em jogar com ele. E como eu sou um fracassado sem amigos, eu joguei com o Tails me ajudando pela A.I do jogo, que é a única criatura que eu sei que estará do meu lado sempre e nunca irá me deixar... Eu te amo, A.I, você é muito especial pra mim. ;_;

E o próprio Tails controlado pela A.I é surpreendentemente útil, ele te acompanha, ele mata os inimigos que ele vê, pega anéis que você pode ter deixado pra trás, e até pode ajudar com bosses. E a melhor coisa é que o Tails pode morrer infinitas vezes que ele vai sempre voltar depois, logo você não tem que se preocupar com ele! Sonic 2 tem talvez o melhor uso de uma A.I aliada que eu já vi em qualquer tipo de jogo, é assim que você faz isso, uma parceiro de A.I tem que ser útil ao mesmo tempo que ele não frustra o jogador por qualquer falha que ele tiver. Você não é punido em momento algum por deixar o Tails pra trás algumas vezes ou por ele acabar morrendo... Na verdade você até pode abusar do Tails e transformar ele na sua vadia com o Debug Mode botando ele em um monte de armadilhas que você monta, mas eu não faço isso porque o Tails é um amorzinho de pessoa e não merece esse tratamento cruel.

... Que foi?


Mas claro, Sonic não é Sonic só com física, Spin Dash e velocidade, então é hora de olhar outro ponto tão importante quanto em um jogo da série: O level design. Porque não adianta você ter um gameplay bom se o level design for uma merda, ou vice-versa. O ideal é que ambos sejam bons e complementem um ao outro, e o level design de Sonic 2 é tão bom quanto o gameplay e o complementa de modo que o jogo em si flua bem? A resposta é óbvia, mas SIM, PORRA, SONIC 2 TEM UM LEVEL DESIGN FODA PRA DIABO E EU AMO CADA SIMPLES SEGMENTO DELE!

... Ok, não cada segmento, eu ainda vou falar das fases que eu odeio nesse jogo, mas pode apostar que eu com certeza amo a maioria delas.

Pois é, o level design desse jogo é simplesmente lindo, a estrutura de fases que já era boa no primeiro Sonic foi evoluída a um nível mais alto ainda nesse, e... Ok, a Emerald Hill é meio simples em termos de level design, mas ela serve meio que como uma intro pro jogo, uma espécie de prólogo. Porém ela não deixa de ser divertida de jogar só pela sua estrutura simples, eu gosto dela, gosto dos visuais, da música, do level design que pra mim só é um pouco inferior ao da Green Hill... Não tenho motivos pra não gostar da Emerald Hill, ela é uma ótima fase incial e faz  bem o seu trabalho como tal.

Sonic 2 realmente "começa" na segunda fase, Chemical Plant, e meu deus, que salto gigante de uma fase pra outra em um level design. A Chemical Plant é uma das fases mais robustas que eu já vi não só em Sonic mas em platformers no geral, ela rápida, é cheia de caminhos diferentes pra pegar, tem seções de platforming bem inteligentemente desafiadoras, dando destaque a parte aquática com aquelas plataformas giratórias que chegou a ser o pesadelo de muitas crianças dos anos 90. Agora realmente essa parte não me dá muitos problemas, mas quando eu joguei essa fase pela primeira vez, você não faz ideia de como eu entrava em pânico nessa parte. O Sonic já tinha aquela porra daquele limite de tempo pra ficar embaixo d'água e a fase em si fazia de tudo pra te impedir de pular pra plataforma acima, os blocos se moviam devagar e ainda corria o risco de você acabar sendo esmagado entre eles. Essa parte era um inferno na minha infância, mas com o tempo eu fui melhorando no jogo e acabei passando dela.

Note que eu disse que a Chemical Plant é uma fase rápida, mas tem partes com platforming e inclusive essa aquática que eu mencionei que é bem mais lenta, e é isso que Sonic 2 faz em seu level design. Ao invés de ter fases mais rápidas e fases mais lentas igual seu antecessor com Green Hill sendo uma rápida e Marble Zone sendo uma mais lenta, Sonic 2 mantém um ritmo rápido nas fases e as vezes te faz diminuir um pouco essa velocidade frenética pra passar por partes que requerem mais cuidado e provavelmente vão te matar se você só passar correndo... A menos que você seja um veterano no jogo e tenha habilidade o suficiente pra isso. Mas o jogo foi projetado de modo que tanto correr rápido quanto ir mais lento em certas partes da fase não te atrapalhe ou quebre o ritmo do jogo, tudo flui perfeitamente bem na maioria das fases. Eu só citei a Chemical Plant como um exemplo, mas praticamente todas as fases seguintes seguem essa estrutura, Aquatic Ruin, Mystic Cave, Hill Top e Casino Night estão entre as minhas favoritas do jogo todo.

Na verdade, o level design desse jogo é tão incrível que certas fases só ficam rápidas ou lentas dependendo de como você jogar e qual caminho você pegar. Olha só pra Aquatic Ruin, ela é uma fase aquática como o próprio nome obviamente sugere... Aí você pensa "Oh não, uma fase aquática, vai ser outra Labyrinth Zone! Boo-hoo-hoo!". Mas a verdade é que você pode passar por essa fase toda sem nem ao menos tocar na água, isso depende unica e exclusivamente da sua habilidade como jogador. Se você conseguir se manter no caminho de cima, que usualmente é o mais fácil e rápido nas fases, você nem sequer vai sentir o cheiro daquela água medonha lá embaixo. Claro que o jogo vai fazer de tudo pra você acabar caindo pro caminho do meio ou o de baixo que tem mais água ainda, mas você pode passar pela fase rapidamente, cabe a você jogar o jogo direito, e isso é uma das coisas que tornam a Aquatic Ruin uma das melhores fases da série.

E claro, eu não poderia deixar de mencionar a Casino Night, que é a primeira verdadeira fase de Cassino da série onde você usa a física de Pinball do jogo não só pra passar pelos obstáculos como também pra... Jogar Pinball com o Sonic sendo meio que a bola. É divertido ver ele quicando em tudo por aí, mas o mais importante é passar pelas máquinas caça-níquel pra conseguir anéis extras e vidas, ou se você for um infeliz azarado, parar em slots do Robotnik e ter seus anéis tirados. E acedite em mim, é bom que você pare pra pegar vidas e continues na Casino Night, porque você vai precisar delas porque a dificuldade de Sonic 2 sobe dramaticamente nas últimas fases, que por acaso são justamente as que eu mais odeio.

Antes que você diga "Nheh Ryu, mas é claro que a dificuldade sobe, todo jogo fica mais difícil enquanto você progride!", eu sei disso, mas a dificuldade de Sonic 2 sobe de uma forma totalmente errônea. Eu mencionei que eu odeio a Metropolis mais cedo nessa review, mas tendo jogado Sonic 2 de novo, eu acabei de lembrar que eu odeio praticamente as últimas fases antes do Death Egg, que no caso seriam Metropolis e Wing Fortress... Não, não odeio a Sky Chase, na verdade até acho ela agradável de certa forma e a música dela sempre me faz relaxar. Sem falar que essa fase é curta, ao contrário do primeiro act da Sky Fortress em Sonic 4: Episode II que é quase a mesma coisa que a Sky Chase em termos de gameplay, você controla o Sonic em cima do Tornado voando e só tem que pular em inimigos ou desviar de obstáculos no ar mas se arrasta por tempo demais e depois você só vai ficar cansado e querendo voltar pra uma fase normal logo.

Pois é, eu gosto da Sky Chase, mas eu detesto a Metropolis e a Wing Fortress, essas duas fases são difíceis, mas elas são cheias de cheap hits que podem até te matar, cheias! A Metropolis tem várias ocasiões onde a fase até automaticamente te faz correr pra de repente botar um badnik Slicer ou aquele Crabmeat com esteroides bem na sua frente quando o próprio jogo te faz pegar uma velocidade boa, sem você nem ter tempo direito pra reagir a menos que, de novo, você já tenha jogado a fase antes e sabe que vai ter uma merda dessas logo em frente. E isso ainda me pega porque eu não gosto da Metropolis, logo eu não costumo decorar fases que eu não gosto de jogar, eu só quero acabar elas logo.

A Wing Fortress no entanto é a pior ofensa, a fase fica por cima de um abismo enorme, o que faz sentido já que você tá em uma nave gigante... Mas puta que me pariu, como essa fase me deixou nervoso! Principalmente nas partes onde ela tem umas seções de platforming por cima de um abismo e as vezes aparecem uns tiros vindos daqueles badniks-galinhas-snipers ou algo assim que te acertam e te fazem cair nesse abismo por causa do knockback que o Sonic sofre quando ele é acertado por alguma coisa. E se você pegou todas as Chaos Emeralds, você vai ter mais problemas ainda com essa fase porque o Sonic se transforma em Super Sonic automaticamente quando você tem mais de 50 anéis e dá um simples pulo, e como o Super Sonic é um pouco difícil de controlar pelo fato dele ser excessivamente rápido, você vai acabar morrendo nessas seções de platforming porque controlar o pulo do Super Sonic em momentos tão precisos é quase como lutar contra o seu controle, é horrível.


É só isso, exceto por essas duas fases, e talvez pela Oil Ocean que é um pouco repetitiva, eu gosto de Sonic 2 inteiro, inclusive da batalha no Death Egg depois dessas fases. Enfrentar o Silver Sonic e logo em seguida o Robotnik em uma versão robótica gigante e ameaçadora de si mesmo foi um dos momentos mais épicos (e difíceis) da minha infância e até hoje o clímax dessa batalha é espantoso. Eu só queria que essa fase tivesse um Checkpoint depois de matar o Silver Sonic porque assim que você morre na luta contra o Robotnik depois, você vai lá pro começo da fase e tem que enfrentar o Silver Sonic de novo, e é bem fácil morrer nesse último ato na Death Egg já que você passa por esses dois bosses sem anéis e eles são bem difíceis mais por causa desse detalhe. Mas ainda assim as lutas são muito boas e não tem satisfação maior do que passar por isso e desfrutar do belo final de Sonic 2 em toda a sua glória. No entanto, acho que é só desses últimos bosses que eu realmente gosto nesse jogo, a maioria dos outros são bem bestas pra ser honesto. Sim, bosses nunca foram bem o ponto forte de Sonic, mas quando são bons, são muito bons.

Reparou que eu não comentei sobre o famoso buraco com espinhos inescapáveis no fundo da Mystic Cave? Foi mais ou menos intencional. Eu vou dizer aqui que eu gosto muito da Mystic Cave, mas admito que esse buraco era uma tourobosta desnecessária e continua sendo no jogo original. Então na versão remasterizada pra iOS ele teve seus espinhos removidos pra servir como uma entrada pra Hidden Palace! Sim, a famosa fase que originalmente estaria em Sonic 2, mas foi descartada por falta de tempo! Eu caí sem querer nesse buraco porque tava me divertindo tanto com o jogo que esqueci dele, aí pensei "Puta que pariu, esqueci dessa merda de buraco...", mas o Sonic continuou caindo até dar uma transição de fase e ir pra Hidden Palace, e eu nem preciso falar do quanto isso foi incrível e até inesperado.

A Hidden Palace desse é visualmente idêntica a original e continua sendo uma fase linda e colorida, mas ela tem um level design completamente novo e esse está no nível das outras fases de Sonic 2... Talvez tenha alguns momentos cheap como escorregar num tobogã de água e dar de cara com uma água-viva robótica sem poder matar ela porque o Sonic ainda tá com a sua animação de escorregar. Mas fora esse cheap hit em particular, essa versão da Hidden Palace é rápida e robusta como as outras fases, e a função da famosa "Master Emerald" presente na fase era só ser um objeto quebrável e mais nada no fim das contas. Na verdade eu sempre pensei que fosse uma coisa simples assim, não sei por que... Só achei que a Hidden Palace foi meio curta e podia ter mais um act. Mas o boss dela que é... O Robotnik usando uma trombeta pra fazer espinhos caírem na água abaixo e depois subir o nível da água pra te acertarem [?] é provavelmente o mais desafiador dos não-final bosses desse jogo, ainda assim é bem fácil assim que você pega o padrão de ataque dele apesar de tudo.

Apesar da fase ser curta, foi uma surpresa agradável ver a Hidden Palace e o modo como ela é injetada no jogo. Mas eu realmente queria ver as outras fases que foram descartadas de Sonic 2... Wood Zone, Dust Hill e Genocide City... Ou Cyber City, como preferir. Tenho uma curiosidade igualmente grande pra ver uma versão oficialmente terminada dessas fases, mas é... não foi dessa vez. Bem, ao menos eu fico feliz com a Hidden Palace de qualquer modo.

Agora outra coisa que eu odeio nesse jogo, e praticamente em qualquer jogo do Sonic, são os Special Stages... Sem brincadeira, eu detesto Special Stages, independente do jogo em que eles se encontram. São minigames chatos que em maior parte nem têm nada a ver com Sonic, a sorte é que eles são inteiramente opcionais e os jogos não te motivam tanto assim a passar por eles pra conseguir o melhor final. Salvo raras exceções como Sonic 3 & Knuckles, lá é amenizado porque você pode repetir qualquer fase que quiser depois de terminar o jogo com o final não-verdadeiro e pegar os determinados Special Stages delas, mas eu ainda odeio Special Stages, só odeio menos lá, e em Sonic 2 eles estão na sua pior forma.

Primeiramente, você corre numa espécie de tubo/half-pipe 3D que é visualmente legal, mas tem controles altamente escorregadios e pouco tempo pra reagir às bombas ou pegar os anéis que aparecem na frente. E às vezes quando você vira uma curva nesses tubos, a câmera simplesmente bloqueia parte da sua visão e você não pode evitar bombas ou pegar anéis a menos que tenha memorizado tudo, na primeira vez vai ser tarde demais. Esse tipo de coisa é puro trial-and-error e eu raramente jogo Sonic 2 a fim de pegar todas as Chaos Emeralds por causa dessa merda, e também porque não sou muito fã do Super Sonic nesse jogo. Enfim, é em maior parte por isso, eu odeio essas fases e prefiro muito mais achar as esmeraldas escondidas nas próprias fases como nos dois primeiros jogos do Sonic pra Master System.

E isso tudo fica pior ainda quando você tá num Special Stage junto com o Tails sendo controlado pela A.I, é aí que o jogo realmente decide te meter um pé na bunda. Porque o Tails te acompanha e pega anéis também, mas os movimentos dele não são exatamente sincronizados junto com os seus e se o Tails for atingido por uma bomba, ele perde os anéis que ele pegou, que contam pra quantidade total de anéis que você tenta pegar pra progredir pra próxima fase do Special Stage até pegar a Chaos Emerald. Eu já perdi Special Stages por causa do Tails incontáveis vezes, eles já são ruins por si só, mas o Tails torna essas fases injogáveis.

... VOCÊ ME TRAIU, IA MALDITA!

Claro que a trilha sonora não poderia faltar


Eu não poderia falar completamente de Sonic 2 sem falar da sua esplêndida trilha sonora, composta pelo mesmo cara que fez a do primeiro jogo, Masato Nakamura da Dreams Come True. E novamente ele acerta em cheio, cada uma das músicas têm melodias memoráveis e variam de energéticas e rápidas a leves e tranquilas e se acomodam perfeitamente tanto nas fases quanto na cabeça de quem joga. Quem disser que jogou Sonic 2 e nunca cantarolou as músicas de fases como Emerald Hill, Chemical Plant, Aquatic Ruin e Mystic Cave tá mentindo! Especialmente a música da Mystic Cave, ela tem uma batida que dá vontade até de sair dançando por aí imitando o Michael Jackson.

Mas não são só as músicas de fase, a música de boss também é muito boa e especialmente a do final boss que passa uma sensação de "Tô fodido" como nenhuma outra música de um jogo 16-Bit me passou e só contribui ainda mais pro fator épico dessa parte do jogo. E pra fechar com chave de ouro ainda tem uma versão 16-Bit da Sweet Dreams, que é uma música do próprio Dreams Come True. Honestamente eu prefiro essa versão do jogo porque nem curto J-Pop, mas admito que a melodia dela é muito bonita e até aliviante depois de você trancar seu cu com o final boss e conseguir derrotá-lo depois de umas mortes aí.

Como não tem dublagem e os efeitos sonoros continuam sendo os mesmos de sempre, a parte sonora de Sonic 2 se consiste mais na trilha sonora, e ela é fantástica em quase todos os aspectos, de longe uma das melhores OSTs de jogos 16-Bit de todos os tempos.

Considerações finais

Sonic 2 tem seus tropeços de design e aqueles Special Stages horríveis, mas ao todo ainda é um puta jogaço que era excelente antes, continua sendo hoje em dia e provavelmente continuará sendo nos próximos anos, um dos melhores exemplos de um jogo clássico atemporal, e a versão de iOS do Taxman faz justiça ao jogo original. Ainda que eu queria ver as outras fases além da Hidden Palace nele, a fase foi espetacular por si só e a maneira de encontrar ela simplesmente genial! Meu único problema é que é um jogo de iOS pra início de conversa, mas se você puder jogar pelo BlueStacks, é a versão definitiva de Sonic 2 e vale a pena dar uma conferida.

Agora eu fico pensando... Será que a Sega vai limitar esse cara só a ficar fazendo ports de jogos clássicos do Sonic ou vai deixar ele fazer alguma coisa a mais? Ele tem uma bendita engine caralhuda feita exclusivamente pra criação de jogos Retro! Usem ela direito, deixem ele criar um novo jogo Retro, continuar algum desses projetos de fangames que ele tinha começado antes ou, na melhor das hipóteses, tentar adaptar essa engine pra um jogo do Classic Sonic novo em HD ou algo assim. As possibilidades são enormes e todo mundo pode sair ganhando com isso!

Não que eu acredite que a Sega vá tomar alguma decisão esperta com o Taxman por lá, mas vai que acontece, né?

Prós:

+ Gráficos e visuais deslumbrantes.
+ O gameplay ainda flui tão bem quanto sempre fluiu e o Spin Dash foi uma ótima adição.
+ Sensação de velocidade ainda maior.
+ Level design excelente.
+ Hidden Palace na versão de iOS foi de longe a melhor coisa do port.
+ Tails é um ótimo sidekick nas fases.
+ Trilha sonora espetacular.
+ As últimas boss battles são épicas.

Contras:

- As piores Special Stages dos jogos clássicos da série.
- E o Tails deixa essas Special Stages piores ainda.
- Os final bosses são ótimos mas a maioria dos outros não são tão empolgantes.
- Eu ainda odeio a Metropolis, e agora lembrei que odeio a Wing Fortress também.

Gráficos: 9/10
Enredo: 7/10
Gameplay: 9/10
Som: 9/10
Conteúdo extra: 4/10

Veredicto:

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